07
jul
2018
Crítica: “Homem-Formiga e a Vespa”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

Homem-Formiga e a Vespa (Ant-Man and the Wasp)

Peyton Reed, 2018
Roteiro: Chris McKenna, Erik Sommers, Paul Rudd, Andrew Barrer e Gabriel Ferrari
Marvel Studios

4

Homem-Formiga. Um dos heróis que possui uma importância de certa maneira fundamental na Casa das Ideias, apesar de sua origem não ser assim tão glamorosa ou espetacular como outros heróis da editora, como Quarteto Fantástico, X-Men, Homem-Aranha, etc. Mas, advirto a vocês, não é só por isso que o carinha deva ser tomado como um simples herói lado Z.

Mas, porém, contudo, todavia, entretanto, acho válido falar um pouco de sua origem.

Na verdade, não existe apenas 1 Homem-Formiga e, sim 4. O primeiro Homem-Formiga, o Dr. Hank Pym (ele ainda não usava o icônico uniforme. Dá um desconto, tá!) apareceu pela primeira vez, na revista Tales to Astonish #27 (janeiro de 1962), criado por Stan Lee, Jack Kirby e Larry Lieber. Na história, o cientista havia criado dois soros: um capaz de encolher qualquer tipo de objeto e outro para aumentar. E, como todo cientista maluco, nosso adorado Hank testa em si mesmo.

Impressionado com o fato e incapaz de voltar ao tamanho original, ele acaba se aventurando em seu jardim, onde ele vê que as formigas eram muito maiores que ele. Claro que as saúvas vão ataca-lo, porém o mesmo acaba tendo a ajuda de uma delas, ele chega ao laboratório e consegue voltar ao tamanho normal. Assim que restabeleceu sua antiga forma, ele se livra dos soros. Porém, se estamos aqui, óbvio que nosso herói acabou tendo mais umas aventurazinhas mais tarde.

Em setembro do mesmo ano, o Dr. Pym volta ainda na revista Tales to Astonish #35. Hank recria seu soro de encolhimento e um capacete capaz de se comunicar com as formigas, utilizando do mesmo comprimento de ondas que as mesmas usavam para se comunicar. Ele acaba sendo forçado a usar tais equipamentos para escapar de um governo estrangeiro, mandados para roubar os segredos de Hank. O personagem virou figurinha carimbada no título e só na Tales #44, que o mesmo conhece Janet Van Dyne, que se tornaria a Vespa e nos é revelado o passado de Pym.

Hank era casado com uma mulher chamada Maria. Ele e o pai eram presos políticos na Hungria, há algum tempo. Quando Maria se casa com Pym, ela o leva ao seu país natal. Porém, algumas pessoas guardavam rancor e a mesma leva a pior, sendo sequestrada e assassinada, fazendo Pym ter o 1º colapso nervoso. Hank faz um update no soro, de modo a ele encolher e crescer mais rapidamente. De volta aos dias atuais, ele conhece o doutor Vernon Van Dyne e sua filha Janet, que o fazia lembrar de Maria.

Porém, um extraterrestre parecidíssimo com Jabba, the Hut aparece, mata Vernon e agora Hank e Janet vão acabar com essa ameaça. Para tanto, Hank faz um uniforme, que incluem asas implantadas e antenas, tornando-a a Vespa. Algum tempo depois, ao lado de heróis como Homem de Ferro, Hulk, Thor, a dupla acaba enfrentando Loki e formando a equipe dos Super Heróis Mais Poderosos do Terra (ou simplesmente, os Vingadores). O nome foi ideia da Janet, vamos dar esse credito a ela. Porém, não é só de gloria que vive nosso querido doutor. O mesmo nos quadrinhos foi o responsável pela criação do robô Ultron. Ao colocar seus padrões neurais no robô, o mesmo foi adquirindo consciência. Porém, Pym era um tanto instável e Ultron refletiu isso, com um complexo de Edipo incomensurável, fazendo o mesmo matar Pym, além de estar apaixonado por Janet.

Isso se deve ao colapso nervoso que já tinha tido, devido ao uso constante das partículas Pym, fazendo o ficar instável e o mesmo trocou de identidade diversas vezes: Golias, Homem Gigante, Jaqueta Amarela e até Vespa (em homenagem a sua falecida esposa). Como se isso já não fosse o suficiente, o próprio doutor também não era lá muito santo: o mesmo era invejoso, um tanto traçoiero e até bateu na própria mulher. Na revista Vingadores #213 (novembro de 1981), Pym estava sob a identidade de Jaqueta Amarela. O mesmo estava sendo julgado por ter atirado numa vila que já havia se rendido.

Atirado pelas costas, é necessário frizar. E nosso cientista maluco favorito, constrói outro robô para atacar os Vingadores, pra poder pagar de herói. Janet descobre e tentar fazer ele cair na realidade. Hank a golpeia e sai, deixando a mesma estatelada no chão. Isso acabou resultando não só no plano falhando, como ainda sendo salvo pela Vespa. Pra coroar com chave de ouro, o mesmo foi expulso da equipe e teve inicio o seu divórcio com Janet.

Agora, hora de falar de Scott Lang. O segundo Homem-Formiga apareceu sem estar como herói na revista Vingadores #181 (março de 1979) criado por David Michelinie, John Byrne e Bob Layton. Ele era um dos empregados de Tony Stark, instalando um sistema de segurança na mansão dos Vingadores. No mês seguinte, ele virou Homem-Formiga na revista Marvel Premier #47, intitulada The Astonishing Ant-Man. Lang era um ex-presidiário gênio em eletrônica, decidido a ser um cara correto. Conseguiu um emprego nas indústrias Stark, tanto que o mesmo era solicitado por Tony várias vezes. Ele tem uma filhinha chamada Cassie. Porém, a mesma adoece e Scott descobre que a garota tem uma condição cardíaca difícil, cuja única solução seria um tratamento experimental, administrado pela doutora Erica Sondheim. Lang vai atrás dela, mas ela raptada por Darren Cross, um empresário que tinha um problema grave de saúde.

Desesperado, Scott acaba descobrindo o uniforme do Homem-Formiga, enquanto buscava um jeito de salvar a doutora. Ele a salva e a mesma salva Cassie. Logo após isso, Hank deixa a roupa com Lang, pois o mesmo havia mostrado o seu valor. O mesmo chegou até a trabalhar com Tony num dispositivo que controlasse os batimentos cardíacos de Banner, evitando que seus batimentos acelerassem demais, se transformando no Hulk.

Durante o arco Queda dos Vingadores, que faria surgir o outro arco Dinastia M, Scott é morto logo no início. Porém, graças a filha dele que havia absorvido um numero de partículas Pym, que adquiriu a capacidade de encolher e aumentar de tamanho sem a necessidade de dispositivos, tornando-se a heroína Estatura. A mesma traz Scott de volta a vida, quase indo pro saco também (ô loko, bicho).

Por ultimo, mas não menos importantes, Eric O’ Grady e Chris McCarthy. Ambos aparecem pela primeira vez na revista Guerra Civil: Escolhendo Lados #1 (dezembro de 2006), criados por Robert Kirkman (ele mesmo, de The Walking Dead) e Phil Hester. Ambos eram dois soldados da S.H.I.E.L.D., que tinham a missão de fazer a segurança do laboratório de Pym, num porta aviões durante um ataque. A porta abre e os dois entram pânico. Eric acerta Pym, fazendo-o desmaiar. Eles acham o uniforme e Chris o veste, aciona o mecanismo e fica do tamanho de uma formiga. Ele se perde e fica um mês naquele tamanho. Depois disso, a Elektra ataca o aero porta-aviões e Chris volta ao seu tamanho normal. Ele é atingido por um laser na cabeça e morre. Eric, vendo o amigo morto no chão, rouba o uniforme e passa a ser o Homem-Formiga. Porém, seus propósitos não lá muito dignos. Ele o usa para impressionar mulheres e humilhar outras pessoas. Mas não pensem que ele não tem nada de heroico. Na revista Vingadores Secretos #23 (abril de 2012), de Rick Remender e Gabriel Hardman, Eric, mesmo não conseguindo usar as partículas Pym, decide se colocar na linha de frente contra um grupo de vilões que iriam matar uma mãe e o filho dela. O’Grady apanha e muito e acaba morrendo.

Eis que, um pouco após Capitão América: Guerra Civil, o herói aparece na versão mais velha por Michael Douglas (nunca mais eu vou dormir) e na versão nova por Paul Rudd. O filme foi extremamente bem aceito e conseguiu valer uma continuação. E agora, hora de falar dela.

Desde os eventos de Guerra Cívil, tudo mudou. Scott está em prisão domiciliar há 5 anos (não apenas por ter violado o acordo de Sokovia, mas também por estar do lado do Capitão América) e está prestes a ser liberado para poder estar mais presente ao lado de sua filha Cassie (Abby Ryder Fortson). Porém, o mesmo acaba tendo visões de Janet Van Dyne (Michelle Pfeiffer), a mãe de Hope e Vespa original. Eis que ela o leva até Hank (Michael Douglas) para poderem saber sua exata localização no mundo quântico e trazê-la de volta ao mundo real.

Porém, ambos são igualmente foragidos, já que o traje que Scott usava era de propriedade de Pym, logo agiu como cumplice. Mas ao tentar pegar uma peça importante para o funcionamento da máquina, o trio se depara como uma inimiga (Hannah John-Kamen) capaz de se materializar/desmaterializar em questão de segundos. E os tais vendedores da tal peça querem a utilizar para fins militares.

O roteiro foca principalmente na relação de Hope e sua mãe, que para salvar o mundo, acabou se encolhendo num tamanho menor que o de um átomo. Ele também utiliza a sub trama da tal inimiga, porém, ela não é tão bem trabalhada ou memorável. Isso acaba por criar mais um vilão que teria grandes chances de crescimento, porém é subaproveitado (finalmente decidiram não matar o vilão, tá aprendendo).

O ritmo é bem acelerado, quase como um quadrinho mesmo: divertido, rápido, sagaz, porém o gostinho de quero mais não se faz presente aqui.

A trilha sonora é bem motivadora. Uma das faixas mais icônicas (claro que não podia faltar) é Come On Get Happy, mais conhecido como a música tema da série Familia Dó-Ré-Mi, de David Cassidy.

O design de produção conseguiu se superar mais uma vez. Se as viagens quase lisérgicas mostradas em Doutor Estranho já deixou você impressionado, as visitas ao mundo quântico, serão de cair o queixo, para dizer o mínimo. Um lugar que, apesar de minúsculo, é recheado de cores vívidas, saturadas, que se misturam num fluxo frenético.

Os efeitos visuais também são bem feitos. A brincadeira entre as proporções de objetos e pessoas é feita de maneira sagaz, que não causa tanto estranhamento. Se você gostou destas cenas no primeiro filme, aqui elas serão exploradas das formas mais exageradas e grandiosas possível. Porém, se forem perguntar se vale a pena o 3D ou não, eu respondo que não há uma grande cena onde coisas sejam bombardeadas diretamente na sua cara, porém a profundidade do cenário é bem explorada.

As atuações são boas. Paul Rudd é o interprete perfeito de Scott Lang. Ele pinta e borda toda a vez que está em cena. Isso é auxiliado pelo roteiro, já que o mesmo é da equipe. Evangeline Lilly parou de ser a filha do pai um tanto séria e carrancuda e conseguiu entrar na personagem de Janet, servindo de contraponto a personalidade de Scott. Michael Peña já tinha sido um dos melhores alívios cômicos da Marvel e aqui só destila ainda mais sua comicidade.

Porém, nem tudo são flores. Lawrence Fishburne, mesmo tendo uma importância para a vilã, não tem muito espaço em tela, para poder ser bem aproveitado. Hannah John-Kamen mesmo sendo imponente como vilã e tendo uma motivação boa, também foi subaproveitada, dando espaço a uma quadrilha de bandidos toscos, com motivações mais que batidas e sem carisma.

Existem duas cenas pós-créditos. A primeira faz conexão a Vingadores: Guerra Infinita, a segunda é só boba e sem expressividade. Nem fique para vê-la.

Homem-Formiga e a Vespa é um filme divertido, leve e descompromissado. Indo muito na contramão da vibe estabelecida recentemente pela empresa, ainda diverte. Mas, devido a subtramas sem expressividade, vilões caricatos e de motivação repetida, o filme não passa apenas de um mero entretenimento barato. Não que isso soe mal, porém, poderiam ter envolvido mais conexões com Guerra Infinita, além de ter utilizado melhor atores como Lawrence Fishburne, tendo em vista que, mais cedo, neste mesmo ano, já havia saído Pantera Negra.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.