11
jul
2018
Crítica: “Hotel Transilvânia”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires
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Hotel Transilvânia (Hotel Transylvania)

Genndy Tartakovsky, 2012
Roteiro: Peter Baynham,
Robert Smigel, Todd
Durham, Dan Hageman e
Kevin Hageman
Sony Pictures

4

Monstros. Ame-os, odeie-os, eles sempre servirão de inspiração para a criação de novos mitos e criaturas. Mas, devido a inabilidade dos humanos de compreenderem sua natureza, muitas vezes classificando-os como nefastos. Os mesmos acabam se escondendo e vivendo como pessoas normais.

Esse é o mote de Hotel Transilvânia.

Porém, antes, quero falar sobre o diretor do filme Genndy Tartakovsky.

Tartakovsky nasceu em 17 de janeiro de 1970, em Moscou, para pais judeus. Seu pai, Boris, trabalhou como dentista para oficiais do governo e para a equipe nacional de hóquei no gelo da União Soviética. Sua mãe, Miriam, era diretora assistente de uma escola. Ele também tem um irmão, Alexander, que é dois anos mais velho e um consultor de informática em Chicago.

Antes de vir para os Estados Unidos, sua família se mudou para a Itália. Lá, Tartakovsky diz que foi atraído pela primeira vez pela arte, inspirado pela filha de um vizinho. A família de Tartakovsky mudou-se para os Estados Unidos quando ele tinha sete anos devido a preocupações sobre o efeito do antissemitismo na vida de seus filhos. A família originalmente se estabeleceu em Columbus, Ohio e depois mudou-se para Chicago.

Ele foi muito influenciado pelos quadrinhos que encontrou lá; sua primeira compra foi uma edição dos Super Amigos. Tartakovsky começou a frequentar a escola primária Eugene Field de Chicago na terceira série. A escola era difícil para ele porque sentia que todo mundo o reconhecia como estrangeiro. Ele passou a frequentar a prestigiosa Escola de Ensino Médio Lane College, em Chicago, e diz que nunca se sentiu em casa até o segundo ano de faculdade.

Quando ele tinha 16 anos, seu pai morreu de um ataque cardíaco. Ele achava que seu pai era muito rigoroso e era um homem antiquado, mas o relacionamento de Genndy com seu pai era muito especial para ele. Após a morte de seu pai, Genndy e sua família mudaram-se para moradias financiadas pelo governo, e ele começou a trabalhar enquanto ainda cursava o ensino médio.

Para satisfazer sua ambiciosa família, Tartakovsky tentou fazer uma aula de publicidade, porque o encorajavam a ser um homem de negócios. No entanto, ele se inscreveu atrasado e tinha pouca escolha sobre suas aulas. Ele foi designado para uma aula de animação, o que levou ao estudo de cinema no Columbia College Chicago antes de se mudar para Los Angeles para estudar animação no Instituto de Artes da Califórnia (com seu amigo Rob Renzetti) e lá conheceu Craig McCracken.

Na CalArts, Tartakovsky dirigiu e animou dois filmes de estudantes, um dos quais se tornou a base de O Laboratório de Dexter. Segundo relatos, depois de dois anos na CalArts, Tartakovsky conseguiu um emprego na Lapiz Azul Productions na Espanha em Batman: A Série Animada e The Critic. Enquanto Genndy estava na Espanha, sua mãe havia morrido de câncer. Craig McCracken conseguiu um cargo de diretor de arte na Hanna-Barbera para o show Dois Cachorros Bobos e recomendou a contratação de Robert Renzetti e Tartakovsky também. Este foi um grande ponto de virada na carreira de Tartakovsky.

Hanna-Barbera deixou que Tartakovsky, McCracken, Renzetti e Paul Rudish trabalhassem em um trailer no estacionamento do estúdio, e lá Tartakovsky começou a criar suas obras mais conhecidas. O Laboratório de Dexter nasceu de um filme de estudantes com o mesmo título que ele produziu no California Institute of the Arts. Tartakovsky também co-escreveu e desenhou a 25ª edição da série de quadrinhos de O Laboratório de Dexter. Além disso, ele ajudou a produzir As Meninas Super Poderosas (1998), co-dirigiu vários episódios e atuou como diretor de animação e diretor de fotografia em As Meninas Super Poderosas – O Filme.

Ambos os projetos foram indicados repetidamente para o Emmy Awards, com um terceiro projeto,  Samurai Jack finalmente ganhando “Melhor Programa de Animação (Para Programa com duração de menos de uma hora)” em 2004. O mesmo ano em que ganharia na categoria de Programa Animado com duração de uma hora ou mais para Star Wars: Guerras Clônicas. O criador de Star Wars, George Lucas, contratou Tartakovsky para dirigir Star Wars: Guerras Clônicas, uma micro série animada de sucesso entre Ataque dos Clones e A Vingança dos Sith. A série ganhou três prêmios Emmy: dois para “Melhor Programa Animado (para programas de uma hora ou mais)” em 2004 e 2005, e outro para “Melhor Realização Individual em Animação” (para o desenhista de fundo Justin Thompson em 2005).

Tartakovsky não esteve envolvido na série de acompanhamento e não tem planos de trabalhar em futuros projetos de Star Wars. Em 2005, Tartakovsky foi nomeado presidente criativo do The Orphanage’s, o departamento de animação dos estúdios Orphanage. Em 2006, ele foi escolhido como diretor de uma sequência de O Cristal Encantado, mas acabou sendo substituído por Michael e Peter Spierig. Tartakovsky atuou como diretor de animação no episódio piloto de 2006 de Korgoth of Barbaria, que foi ao ar na Adult Swim, mas não seguiu adiante. Ele também dirigiu uma série de propagandas anti-tabagismo, uma para Nicorette em 2006 e duas para Niquitin em 2008.

Em 2009, Tartakovsky criou um piloto intitulado Maruined para o programa de curtas da Cartoon Network chamado Cartoonstitute, que nunca foi escolhido. Tartakovsky disse que tinha uma história para concluir a série, mas o projeto foi arquivado depois que J. J. Abrams passou a dirigir Star Trek. Em 2010, ele criou storyboards para Homem de Ferro 2, de Jon Favreau. A última série de TV de Tartakovsky para Cartoon Network, Titã Simbiônico, foi ao ar entre 2010 e 2011. Ele esperava expandir os 20 episódios iniciais, mas não foi renovado além da sua primeira temporada. Em 7 de abril de 2011, um prólogo animado de Tartakovsky para o filme de terror Padre foi colocado na internet.

Em julho de 2012, ele assinou um contrato de longo prazo com a Sony para desenvolver e dirigir seus próprios projetos originais. Seu primeiro projeto original é intitulado Can You Imagine?, que seria produzido por Michelle Murdocca, porém foi cancelado. Em junho de 2012, a Sony anunciou que Tartakovsky estava programado para dirigir um filme do Popeye animado por computador.  Em março de 2015, Tartakovsky anunciou que, apesar das imagens de teste bem recebidas, ele não estava mais trabalhando no projeto e, em vez disso, direcionaria Can You Imagine?.

Em dezembro de 2015, a Adult Swim anunciou que Tartakovsky retornaria para uma nova temporada da animação Samurai Jack, que continua a partir da série original. Em abril de 2016, Craig McCracken mencionou no Twitter que Tartakovsky não trabalhava mais para a Sony. Após o final da série de Samurai Jack, em 20 de maio de 2017, Tartakovsky voltou a trabalhar na Sony.

Agora, que você conhece o cara, hora do enredo.

Drácula (Adam Sandler) é o proprietário de um refugio para que os monstros possam passar as férias, vivendo dias mais tranquilebas. Logo, chegam monstros icônicos como Frankenstein (Kevin James) e sua mulher Eunice (Fran Drescher), Murray (Cee Lo Green), uma múmia, Wanye (Steve Buscemi) e Wanda (Molly Shannon), um casal de lobisomens com uma centena de filhotinhos espevitados e Griffin (David Spade), o Homem Invisível.

Todos vem para comemorar os 118 anos de Mavis (Selena Gomez), a filha do Drácula. Porém, a garota quer explorar o mundo, então a mesma vai até uma vila perto dali, mas é mal recepcionada e decide ficar no hotel para sempre, até que um humano chamado Jonathan (Andy Samberg) adentra no local, podendo significar a ruina do santuário construído por Drac.

O roteiro focará no enfrentamento entre velha guarda (Drac) e nova guarda (Jonathan e Mavis). Além de reforçar o já famigerado preconceito existente da não aceitação do novo e da relutância da manutenção da ordem natural das coisas pelo antigo.

A paleta de cores é bem saturada, desde as cores quentes até as mais frias, quase parecendo neon. Não é algo que incomode, porém pode causar dores de cabeça aos mais sensíveis.

O 3D não é algo incrivelmente inacreditável. São pouquíssimos os momentos onde o recurso apresenta uma real profundidade a ser explorada.

A animação é bem fluída, tem um visual dinâmico e algumas piadas mais adultas. Será difícil você não rir, nem que seja apenas uma vez.

Nem é preciso mencionar as inúmeras referencias a monstros de filmes de terror bastante conhecidos, seja o próprio Drácula, a Múmia, Frankenstein e sua noiva, Lobisomem, O Corcunda de Notre-Dame, bruxas, A Bolha Assassina, zumbis. Também temos outros monstros pouco conhecidos do grande público, como Pé Grande, O Abominável Homem das Neves e A Mosca da Cabeça Branca.

A dublagem é muito bem feita. Ela se utiliza de várias piadinhas conhecida pelos brasileiros, a fim de resignificar o que é dito lá fora.

Uma coisa a se mencionar são os créditos finais, feitos no mesmo estilo de animação que Genndy está acostumado a fazer, em 2D. Logo, se vê que, mesmo após tantos anos depois, 0 2D ainda possui seu charme, num mundo onde o3D impera.

A trilha sonora é eclética. Ela tem musicas conhecidas pelo grande público como I’m Sexy and I Know It, do grupo LMFAO até musicas próprias como The Zing, cantada pelo elenco principal. E, como era de se esperar, a canção fora adaptada para o português e conseguiu manter as referências usadas no original e adicionar outras até inesperadas. Parabéns, equipe de tradução.

Hotel Transilvânia é um filme divertido, cheio de piadas e vem na esteira da repaginação dos monstros clássicos, orquestrados por outras tentativas como a série Monster High. Recomendado para toda a família.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.