14
jul
2018
Crítica: “Luke Cage” (2ª Temporada)
Categorias: Críticas, Séries de TV • Postado por: Rafael Hires

Luke Cage

Cheo Hodari Coker, 2018
Roteiro:
Cheo Hodari Coker, Akela Cooper, Matt Owens, Matthew Lopes, Ian Stokes, Aïda Mashaka Croal, Nicole Mirante Matthews, Nathan Louis Jackson
13 episódios (54-69 min.)
Netflix

3

O herói afro-americano mais amado (ou odiado, dependendo do seu ponto de vista) teve uma primeira temporada não muito satisfatória entre os fãs do herói lançada na esteira de outros dois heróis adaptados pela Netflix: Demolidor e Jessica Jones.

E este mês, ganhou nova temporada. Será que mudou algo, continuou na mesma ou piorou?

Passado algum tempo depois dos acontecimentos de Os Defensores, onde os 4 heróis aventureiros de Nova York se uniram para derrotar de uma vez por todas o Tentáculo, vemos Cage (Mike Colter) assumindo para sua vida a profissão de herói em tempo integral. Ele está compenetrado em desbaratar um esquema de produção de papelotes de cocaína com o seu nome estampado, quer acertar as contas com Mariah Stokes (Alfre Woodard) e ainda tendo de lidar com Claire Temple (Rosario Dawson).

Enquanto isso, Misty Knight (Simone Missick) está tentando voltar a ativa, depois de ter perdido seu braço na batalha contra o Tentáculo ajudando os Defensores, Mariah tentando apagar de vez seu passado criminoso e um novo inimigo intitulado Cobra Venenosa (Mustafa Shakir) que servirá de grande contraponto ao Herói do Harlem.

Se na primeira temporada, o mote era preservação do Harlem, agora o mote é guerra de família. Sejam conflitos internos ou externos, a questão da família será muito presente nesta temporada. Algo muito bem pensado, mesmo que de forma sutil. Porém, só os espectadores mais atentos entenderão.

Como eu digo sempre, não é necessário haver uma extensa quantidade de episódios e um tempo de duração tão longo. Pois há subtramas desinteressantes, que pouco tendem a acrescentar na trama principal. Melhor a empresa começar a repensar na diminuição do tempo e na quantidade dos mesmos, se pretende durar esse universo, que também está por um fio, assim como o da DC nos cinemas.

A paleta de cores está um pouco mais sombria. Ainda é possível ver o amarelo em várias partes, isso é visto em cenas ao livre, onde a saturação do mesmo é bem intensa. Mesmo que você tenha se acostumado, causa um estranhamento. Possivelmente, até uma certa dor de cabeça.

As cenas de ação agora sim possuem um impacto. Os conflitos entre Cobra e Luke são intensos, muito coreografados e bem construídos. Mas a coisa flui ainda mais quando Cage está ao lado de outros, fazendo dupla, parecendo e muito a linguagem dos quadrinhos do personagem. Vale mencionar que Danny Rand (Finn Jones) é mencionado várias vezes, além de aparecer em um único episódio inteiro, que só por si, já melhora o tom amargo deixado pelo personagem.

Como sempre, há flashbacks contando mais histórias do passado de alguns personagens. São poucos e só servem para reforçar a motivação dos mesmos.

Algo que fora esquecido de mencionar são as varias performances musicais de grandes artistas negros. Elas estão de volta e trazem uma nova leva ainda mais variada como Ghostface Killah, Esperanza Spalding e KRS-One. Se, antes pareciam que estavam deslocados, aqui são bem pontuados e a transição entre a apresentação e a cena seguinte ser mostrada na tela, está um pouco melhor. Quem adora esses artistas, vai se deliciar com as apresentações contando com solos de guitarra e outros instrumentos.

A trilha sonora é eclética. Vai desde o jazz e o blues até o rap, sempre colocando artistas negros influentes nesses ritmos.

Os efeitos visuais soam um pouco estranhos. Tanto que quando é necessário, por exemplo, fogo, ele parece bem artificial.

As atuações melhoraram um pouco. Mike Colter como Luke, não há o que discutir. Ele encarna o personagem, transmite as frustrações que o mesmo sofre, por ter de lidar com uma vida dupla entre herói de sua comunidade e uma pessoa comum. Alfre Woodard pinta e borda na pele de Mariah Stokes, uma mulher com um passado sombrio e aterrador. Mustafa faz muito bem seu papel como o líder de um clã jamaicano que fora passado para trás por todas as gerações da família Stokes. Amargurado por ser sempre deixado de lado, agora ele volta para ter de volta aquilo que é seu.

Outros a serem destacados são Simone Missick, que está mais confortável no seu papel, ao ver que o mundo inteiro deve ser tratado com desconfiança depois da traição de Scarfe (Frank Whaley). Theo Rossi consegue se mostrar mais do que um mero capanga e vemos que o mesmo possui mais camadas e uma afeição bacana por semelhantes, algo que quase não víamos, visto que o mesmo só queria ser levado a sério por pessoas superiores a ele.

A segunda temporada de Luke Cage conseguiu algo que Jessica Jones falhou. É interessante, conseguiu corrigir alguns erros da primeira temporada, porém não é algo memorável. Por várias vezes, é possível o espectador pensar em não ver mais, já que a trama se arrasta durante vários momentos. Que isso seja corrigido para uma nova temporada.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.