24
jul
2018
Crítica: “Missão: Impossível 3”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

Missão: Impossível 3 (Mission: Impossible 3)

J.J. Abrams, 2007
Roteiro: Alex Kurtzman, Roberto Orci e J.J. Abrams
Paramount Pictures

3.5

Quem diria que em tão pouco tempo Ethan Hunt se consagraria como um dos espiões mais lembrados da história do cinema. Com filmes completamente diferentes em abordagem, a franquia Missão: Impossível conseguiu uma façanha que poucos obras atingem: ser cativante e envolvente a cada nova continuação. O que nos traz a Missão: Impossível 3, dirigido pelo agora consolidado J.J. Abrams.

Logo na primeira cena somos colocados em uma situação de vida ou morte, com Hunt preso a uma cadeira ao lado de sua esposa, Julia (Michelle Monaghan) – algo surpreendente por si só -, enquanto lida com Owen Davian (Phillip Seymour Hoffman), um traficante de armas inescrupuloso. O vilão da vez ameaça matar a mulher se o agente não contar a localização do “Pé de Coelho” e então temos a tradicional cena de abertura da franquia.

Somos levados para algum tempo no passado e vemos um Hunt (Tom Cruise) aposentado receber um chamado para resgatar uma agente que fora sua aluna. O herói cumpre sua missão, mas não consegue impedir que ela morra, já que Owen detonou uma micro bomba que estava alojada em sua cabeça. A partir daí o protagonista parte em uma nova missão atrás do vilão e do pé de coelho, sem saber que sua esposa seria envolvida. Ao lado dele somos apresentados a uma nova equipe, formada pelo bom e velho Luther (Ving Rhames), Zhen (Maggie Q) e Declan (Jonathan Rhys Meyers), além da introdução de Benji (Simon Pegg), personagem que marcaria todas as continuações da franquia dali para frente.

O roteiro resgata vários elementos do primeiro filme, como o clássico jogo de gato e rato com direitos a reviravoltas inesperadas, ao mesmo tempo em que amplia o escopo das cenas de ação, a fim de impressionar o espectador. Além disso, ao envolver Hunt em uma jornada pessoal, a trama traz uma urgência singular a narrativa, fazendo com que o protagonista muitas vezes haja de forma emocional e irresponsável na tentativa de salvar a esposa, algo que não havíamos visto até aqui.

Aqui J.J. Abrams, em sua primeira direção de longa-metragem, estabelece a estética visual que ficaria marcada em várias de suas obras, como o uso do “lens flare”, brilhos de luzes ofuscantes que tomam a tela em diversos momentos. Não é algo que chega a incomodar o espectador, mas traz uma singularidade visual ao filme em meio aos demais capítulos da franquia. Abrams também aposta em enquadramentos e movimentos de câmera inventivos, como o zigue zague em uma das cenas em que Hunt está amarrado e amordaçado, antecipando uma briga de proporções épicas.

As cenas de ação são boas e cada embate é bem construída, no entanto, diferente dos longas anteriores em que Tom Cruise brilhava praticamente sozinho, aqui a obra ganha força quando vemos a equipe trabalhando em conjunto. Isso evidencia o fato de não termos uma grande cena que marca o filme, como houve nos anteriores. É claro que vemos Cruise realizar façanhas quase inimagináveis, como quando salta de um prédio de 200 andares em queda livre, mas nada tão marcante quanto a cena do disquete em M:I ou o escalar de rochas de M:I 2.

Como disse antes, a premissa permite vermos um protagonista mais humanizado o que permite a Cruise explorar camadas ainda não mostradas de seu personagem, o que é sempre bom para qualquer franquia cinematográfica. Por outro lado, o restante do elenco não ganha grande desenvolvimento. Ving Rhames continua falastrão como sempre, Maggie Q é explorada apenas por seus atributos físicos (o que é uma pena) e Jonathan Rhys Meyers pouco tem a acrescentar. Exceções feitas a Michelle Monaghan, que vai além de mero interesse amoroso; Simon Pegg que esbanja carisma; e claro, Phillip Seymour Hoffman (O Mestre) que parece se divertir ao encarnar um vilão sádico, implacável e imponente.

Missão: Impossível 3 é um filme divertido, que ousa ao tentar ir além de um “filme pipoca”, especialmente quando arranha críticas ao comportamento do exército norte-americano no Oriente Médio, sem ir na raiz do problema. Soa pretensioso, menos exagerado que o capítulo anterior, mas mantendo o ritmo frenético característico da franquia.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.