26
jul
2018
Crítica: “Missão: Impossível – Efeito Fallout”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

Missão: Impossível – Efeito Fallout (Mission: Impossible – Fallout)

Christopher McQuarrie, 2018
Roteiro: Christopher McQuarrie e Drew Pearce
Paramount Pictures

5

Quanto tempo alguém pode aguentar sendo traído, dispensado e deixado? Essa é a pergunta que Luther faz no trailer do mais novo capítulo da saga do espião mais famoso da história que corre mais que você tentando pegar seu ônibus ou chegar no encontro daquela(e) seu(ua) crush.

Isso será visto em Missão: Impossível – Efeito Fallout.

Infelizmente, é preciso alertar vocês de algo. Se você ainda não viu Nação Secreta, você irá boiar. É altamente recomendável você assistir, já que este filme rompe com a “tradição” da franquia: ser sempre uma aventura diferente.

Mas, calma que não trarei muitos detalhes a fim de te prejudicar a sua diversão. Benji (Simon Pegg) está cuidando de uma simples troca, porém ele, Hunt (Tom Cruise) e Luther (Ving Rhames) acabam indo sendo emboscados e a vida de Luther está em perigo. Hunt o salva, porém eles perdem a maleta que continha três núcleos de plutônio. Hunt descobre que o grupo que está com os núcleos é chamado de Apóstolos, sendo 12 agentes, sendo o resto dos membros do Sindicato que sobreviveram aos eventos ocorridos em Nação Secreta.

Hunt interroga o especialista em armas nucleares, que só ajudará se o pronunciamento que ele tem for dito em rede internacional. A transmissão ocorre e o sujeito até diz, porém é mais uma artimanha da IMF: as explosões são falsas, o pronunciamento foi lido por Benji, que se passava por jornalista.

Porém, Hunt recebe ordens de recuperar os núcleos vinda de Erica Sloane (Angela Bassett), com a ajuda de August Walker (Henry Cavill). Hunt e Walker pulam de um avião, rumo a Paris para se encontrar com a Viúva Branca (Vanessa Kirby).

Hunt e Walker encontram o líder do tal grupo, porém se metem numa briga com ele, acabando com Lark morrendo pelas mãos de Ilsa Faust (Rebecca Ferguson), ex-agente do MI-6. Hunt se passa por Lark e se encontra com a Viúva. Depois de um ataque a vida da Viúva, ela informa a Hunt e Walker que os mesmos só terão os núcleos se trouxerem Solomon Lane (Sean Harris) ex-líder do Sindicato, o tirando de um comboio armado. Porém, Ilsa também quer acabar com a vida de Lane.

É o filme mais elétrico de toda a franquia. Desde a primeira cena do filme, não temos um único momento de sossego, já que são tantos elementos visuais na tela, tanta ação frenética acontecendo e tanta informação jogada que é necessário você não ser passivo ao ver o filme.

Algo a ser pontuado é a cena de perseguição pelas ruas de Paris. Em um dado momento, me peguei pensando que o clima de tensão estava equiparado com a cena de moto em Batman –  O Cavaleiro das Trevas. Cheia de ângulos muito bem escolhidos, seja mostrando planos muito abertos a fim de deliciar os espectadores com os detalhes ao fundo, seja pelo ritmo da edição, tudo muito acelerado (não confunda com cortes rápidos). Essa cena transmite uma sensação de fluidez que poucos filmes conseguem trazer ao gênero. Esqueça Velozes e Furiosos, aqui a ação é de tirar o folego.

As cenas de ação são ótimas. Bem coreografadas, bem plásticas e possuem poucos efeitos visuais. E apresentam algo até pouco tempo quase não explorado: a presença de sangue. Era algo pouco visto, porém o sangue corre, não como em produções como Jogos Mortais, mas se faz presente.

Outra coisa não tão vista na série é a presença de personagens femininas fortes. Em nenhum outro filme desta franquia, as mulheres tiveram tanto destaque. Angela Bassett brilha em todos os momentos, mesmo que não esteja performando cenas de ação. Ela é implacável, imponente e não aceita ser tomada como inofensiva. Rebecca Fergusson já tinha mostrado serviço em Nação Secreta. Aqui, ela rouba as cenas quando está presente. Seja espancando alguém, seja investigando, porém a mesma ainda reserva um certo toque de surpresa vindo do 5º capítulo. Michelle Monaghan mesmo não tendo a participação tão grande como em Missão: Impossível 3, ainda mostra que é grande utilidade para a equipe de Hunt.

O 3D não é tão presente assim. Porém, aconselho a você que pode ir numa sala IMAX, vá e confira na maior tela que puder. A fotografia faz enquadramentos muito abertos e é bem útil você prestar atenção no cenário em toda a sua totalidade. Não assista em tela pequena, como a de um computador ou a de um celular. Neste filme, é preciso espaço para se obter imersão total na trama.

As atuações são boas. Cavill consegue finalmente desvencilhar sua imagem atrelada ao Homem de Aço, Pegg e Rhames continuam piadistas. Sean Harris ainda continua na mesmíssima vibe do filme anterior, porém agora quer se vingar de Hunt ocasionando um desastre nuclear.

Cruise nem é necessário mencionar. Pula, corre, salta, anda de moto e faz, como nunca se viu, uma perseguição de helicóptero, digna de um filme de guerra. Poucos filmes apresentaram uma batalha aérea realmente emocionante, e aqui ela põe no chinelo a cena de Hunt pendurado em um avião. Mesmo com seus 58 anos, ele mostra que está mais em forma do que nunca. Ô inveja.

Missão: Impossível – Efeito Fallout é o melhor filme de ação desde Mad Max – Estrada da Fúria. É explosivo, incessante, imparável e sem frescuras. Amarra as pontas deixadas no filme anterior e traz elementos como o suspense até então esquecidos em meio a cenas estonteantes de cair queixos. Poucas franquias conseguem ter a relevância e continuar se firmando na cultura pop. James Bond não me deixa me mentir. Enquanto tivemos apenas 4 filmes de 007 nesses últimos 20 anos, Missão: Impossível teve 6 e todos tiveram sua importância e nenhum foi terrivelmente mal executado. Esperemos que se houver nova sequência, siga essa senda de vitórias.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.