26
jul
2018
Crítica: “Missão: Impossível – Protocolo Fantasma”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

Missão: Impossível – Protocolo Fantasma (Mission: Impossible – Ghost Protocol)

Brad Bird, 2011
Roteiro: Josh Appelbaum e André Nemec
Paramount Pictures

4

Tom Cruise. Brilha muito quando corre, quando pula, quando escala, quando faz rapel ou sendo ele mesmo. Depois de 3 filmes diferentes entre si, o que Cruise poderia trazer de diferente a franquia num 4º capítulo?

Isso é respondido já nos primeiros minutos de Missão: Impossível – Protocolo Fantasma.

Um agente evade de um local com uma pasta, contendo informações, porém é surpreendido por Sabine Moreau (Léa Seydoux), uma assassina de aluguel. Enquanto isso, Hunt (Cruise) e sua fonte Bogdan (Miraj Grbic) estão numa prisão esperando o resgate, orquestrado por Benji (Simon Pegg), recentemente promovido a agente de campo e uma nova parceira, Jane Carter (Paula Patton), que acende o pavio da bomba, revelando a introdução mais bem elaborada da saga até agora.

Ethan agora está em uma nova missão onde deverá invadir o Kremlin, uma espécie de Palácio do Planalto russo e descobrir a identidade de um homem que atende pelo nome de Cobalto. No meio da missão, há uma interferência na transmissão da IMF, alertando os russos sobre o paradeiro dos agentes. Apesar do trio ter escapado do prédio, uma explosão ocorre e o agente Sidorov (Vladimir Mashkov) acusa Hunt de ser o responsável. O governo russo acusa os EUA de crime de guerra, e ativa o “Protocolo Fantasma”, que desliga os agentes da IMF.

Agora, os agentes em campo restantes depois de um tiroteio estão atrás de Cobalto com parcos recursos a sua disposição.

O roteiro é bem construído. A subtrama de uma possível guerra nuclear a fim de ver o mundo inteiro pegar fogo é interessante. Isso aliado as cenas de perseguição de tirar o folego tornam o filme uma espécie de melhores momentos do primeiro e do terceiro filme, mesclando o suspense investigativo com a ação bem coreografada e rica.

Outra coisa que o roteiro aposta é nas mancadas, um elemento quase ausente nos últimos três filmes. Neste filme, em comparação aos outros dois, Hunt já não está mais no mesmo pique. Ele comete erros até então impensáveis de se fazer, o tornando mais humano em comparação ao que J.J. Abrams fez em Missão: Impossível 3.

A direção opta por enquadramentos bem amplos, não apenas afim de impactar com a grandiosidade ao qual o filme se propõe, como também evidenciando cenas como a famosa escala de Hunt no Burj Khalifa, o edifício mais alto do mundo (até agora). Uma cena de causar acrofobia (medo de altura) até pra quem costuma viajar de avião ou quem gosta de estar em prédios altos.

A trilha sonora é bem feita. Michael Giacchino faz até uma versão russa da trilha icônica. Skavurska (quem lembra disso?).

A paleta de cores é bem rica. Quando estamos na Rússia, vemos muito vermelho e verde, já que o Kremlin é recheado destas cores. Em Dubai, vemos cores diversificadas e ainda mais quentes. Porém, quem se sobressai é o branco. Seja um dia claro ou mesmo vestes, o branco ressalta e contrasta o preto que a maioria dos personagens adora trajar.

As cenas de habilidades físicas são excepcionais. Todas bem plásticas, bem coreografadas e usam de planos mais abertos a fim de compreendermos a geografia, sem o uso excessivo de cortes que dificultam esse processo.

As atuações são boas. Cruise entrega até então sua melhor performance em um filme de ação. Simon Pegg continua engraçado, porém se faz presente nas cenas de batalha. Jeremy Renner (o eterno Gavião Arqueiro do MCU) não faz feio também e serve como contraponto, sempre criticando os feitos desafiadores das leis da física orquestrados por Cruise e cia.

Infelizmente, nem todos os atores são bem aproveitados. Léa Seydoux é instigante no começo, porém morre pouco depois da metade do filme, numa morte sem carisma e abrupta. Ela tinha mais carisma e presença que Michael Nvquist, que interpreta o mesmo vilão de motivação batida. Outro ator que simplesmente some do mapa é Ving Rhames, que sempre tirava da manga alguma tirada sarcástica que alimentava o humor da saga.

Missão: Impossível – Protocolo Fantasma é um quarto capítulo de saga muito acima da média. Consegue entreter e se configura como um dos pontos mais altos da franquia, mesmo possuindo o vilão batido, a vilã sub aproveitada e o verdadeiro alivio cômico sem presença. Tentou buscar uma maior humanização do herói, fazendo-o cometer erros, causando um verdadeiro caos quando as missões são executadas. Pretensioso, porém cumpre o que promete.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.