23
jul
2018
Crítica: “Missão: Impossível”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

Missão: Impossível (Mission: Impossible)

Brian De Palma, 1996
Roteiro: David Koepp, Steve Zaillian e Robert Twone
Paramount Pictures

4

Missão: Impossível. Uma série de filmes de espionagem que renova o espírito estabelecido por produções como a franquia 007, por exemplo. Porém, é errado supor que se tratam de obras onde só há cenas de ação desenfreadas ou pouco desenvolvimento de personagens, deixando o trabalho de roteiro e clima de suspense de lado.

Antes de Tom Cruise (Entrevista Com o Vampiro) estrelar a adaptação cinematográfica, Missão: Impossível fora uma série de TV norte-americana de grande sucesso, exibida pelo canal CBS a partir de 1966. A produção retratava as missões de uma agência conhecida como “Impossible Mission Force” (Força Tarefa Missão Impossível) e vários atores de renome passaram pelo elenco, como Martin Landau (Cine Majestic), Peter Graves e Leonard Nimoy. No entanto, devido a alguns problemas, a série acabou cancelada após 7 temporadas.

No filme de 1996, Jim Phelps (Jon Voight) recebe uma fita contendo instruções da próxima missão de sua equipe. Eles vão para a Europa, onde deverão impedir um diplomata do Leste Europeu de roubar uma lista NOC, que é um documento que contém nomes e apelidos de diversos agentes secretos encobertos. A princípio a missão é bem sucedida, mas a suspeita de uma traição faz com que tudo saia do controle e quase todos os agentes envolvidos são mortos, restando apenas Ethan Hunt (Tom Cruise) como sobrevivente, um dos agentes mais bem treinados da IMF.

A partir daí Hunt descobre que a missão não passou de uma isca para atrair um traidor intitulado como “Jó 3:14”, que estava infiltrado em sua equipe. Como foi o único sobrevivente, o protagonista é tido como traidor pela agência, e inicia uma luta contra o tempo para limpar seu nome e obter a verdadeira lista NOC, que está guardada no quartel general da CIA.

O roteiro aqui decide focar na construção do suspense, o clássico jogo de gato e rato, onde não se deve confiar em ninguém e todos os personagens são suspeitos. Esse elemento é responsável por criar um clima perturbador para protagonista e espectador, algo que poucos filmes de espionagem conseguem fazer de forma eficiente em tela.

Evidentemente a direção de Brian De Palma (Os Intocáveis) é um fator importantíssimo para a criação do clima de ameaça citado. Aqui o cineasta utilizada de muitos planos longos, algo característico em sua filmografia, permitindo que o espectador acompanhe o desenvolvimento da ação de forma quase ininterrupta, aumentando consequentemente a tensão de cada cena. É certamente um dos trabalhos mais memoráveis de De Palma, realizador de grandes filmes.

Vale citar também como posição da câmera e os ângulos escolhidos pela fotografia valorizam a profundidade de campo. Mesmo em cenas claustrofóbicas como as passadas dentro do duto de ventilação, é possível ter uma noção espacial essencial para a construção da cena na mente do espectador. Um exemplo perfeito é a icônica cena de Hunt suspenso na sala de segurança máxima, onde temos noção de todo o ambiente de forma categórica.

No que diz respeito as atuações, temos um elenco bastante eficiente. Cruise consegue transmitir seu carisma e empatia habitual, mesmo como o agente acusado injustamente. Ving Rhames é a figura do parceiro falastrão, já Kristin Scott Thomas  se mostra misteriosa e dúbia, características essenciais para sua personagem. Jon Voight , por sua vez, rouba a cena quando presente, mesmo tendo poucos momentos em tela. Uma pena que há bons atores poucos explorados, como Jean Reno , que se mostra um coadjuvante de luxo.

Contando ainda com uma trilha sonora que marcou a história do cinema com sua música tema,  Missão: Impossível se mostra um filme de espionagem fora dos padrões convencionais. Foca num pseudo-realismo bem-vindo para a época, sem precisar contar com cenas de ação espetaculosas. Aqui o suspense é quem comanda, e de forma muito bem feita.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.