16
jul
2018
Crítica: “Onze Homens e Um Segredo (2001)”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

Onze Homens e Um Segredo (Ocean’s Eleven)

Steven Soderbergh, 2001
Roteiro: Ted Griffin
Universal

2

Onze Homens e um Segredo ganhou sua primeira adaptação cinematográfica em 1960, protagonizada pelo grupo Rat Pack, que trazia nomes estelares como Frank Sinatra e Dean Martin. E mesmo a obra não tendo uma aceitação tão grande de público e crítica, ainda assim se mostra essencial para o subgênero de filmes de assalto.

Eis que, em 2001, um remake foi idealizado por Steven Soderbergh, repetindo a ideia de trazer um elenco estelar para protagonizar a obra. No caso, nomes de peso como George Clooney, Brad Pitt, Julia Roberts e Andy Garcia, além de estrelas em ascensão como Matt Damon e Casey Affleck. Restava saber se o longa traria algo de diferente da versão anterior.

Danny Ocean (Clooney) acaba de sair da prisão após cumprir pena de 5 anos e logo encontra dois velhos parceiros do crime, Frank (Bernie Mac) e Rusty (Pitt). O plano é roubar o dinheiro de 3 grandes cassinos de Las Vegas, capitaneados pelo magnata Terry Benedict (Garcia).

Para isso, eles contarão com a ajuda de Reuben (Elliot Gould), rival de Benedict; os gêmeos Turk (Scott Caan) e Virgil (Affleck) Malloy, amantes de carros; Livingston Dell (Eddie Jemison), gênio da informática; Basher (Don Cheadle), perito em explosivos; Yen (Shaobo Qin), um acrobata de circo e Linus (Damon), um astuto batedor de carteiras.

Ao mesmo tempo em que o planejamento do roubo se desenrola, Danny planeja reconquistar sua amada Tess, um dos motivos que o fez parar na prisão, e que agora está se relacionando com Benedict.

A grande diferença entre a versão original e a nova versão é que cada integrante do grupo possui um talento específico que será explorado no decorrer do filme, ao invés de todos estarem em pé de igualdade, por assim dizer. E nesse ponto o roteiro acerta ao focar menos na ação na ação do assalto, e mais no desenvolvimento das personalidades de cada um. Apesar de Clooney e Pitt serem os verdadeiros protagonistas, há tempo suficiente para que cada personagem ganhe camadas de contexot que são essenciais para que criemos empatia com os mesmos.

Soderbergh estabelece uma identidade visual interessante para sua obra, optando por diversos ângulos e movimentos de câmera que trazem um charme especial para a narrativa. A obra estabelece uma visão em terceira pessoa que faz parecer que o espectador está presente na ação, ora com uma câmera em cima de um carro, ora com uma câmera fixa em um restaurante, em um cassino, e por aí vai. Isso sem contar os belos planos aéreos de Las Vegas, que ajudam a construir a ambientação necessária para o longa.

A trilha sonora é um show a parte, trazendo muitos elementos de jazz, assim como o filme original, mas se permitindo adicionar canções marcantes em determinados momentos, como A Little Less Conversation, de Elvis Presley, bem como algumas batidas eletrônicas pontuais.

A montagem garante um ritmo frenético, especialmente quando o plano entra em ação. Além disso, é hábil em estabelecer os elementos essenciais para o desfecho da narrativa, entregando apenas o suficiente para que o espectador monte o quebra-cabeças em sua mente, mas abrindo espaço para que ele seja surpreendido ainda assim.

Onze Homens e um Segredo apresenta uma roupagem totalmente diferente do clássico de 1960. Um filme que transborda carisma por parte de seu elenco, o que faz com que muitos o considerem melhor que a obra que o originou. Se é, ou não, vai da opinião de cada um, o fato é que o material fonte deverá sempre ser respeitado, afinal, é dali que tudo se originou.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.