08
ago
2018
Crítica: “Acrimônia”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

Acrimônia (Acrimony)

Tyler Perry, 2018
Roteiro: Tyler Perry
Paris Filmes

3

Acrimônia. Segundo consta no dicionário, acrimônia define indelicadeza, aspereza, mal-humor, azedume e acidez. Certamente, você já deve ter conhecido alguém com tais características, mas creio que não seja justo pré julgar uma pessoa por apresentar tal tipo de humor.

É isso o que o diretor Tyler Perry nos convida a ver no seu mais novo filme.

Melinda (Taraji P. Henson/Ajiona Alexus) está numa audiência no tribunal, que adverte a moça baseado em seu comportamento, a mesma deve procurar ajuda psiquiátrica. Ela vai até o consultório completamente ressentida e logo nos apresenta o dia em que conheceu o maior de todos os erros: Robert (Lyriq Bent/Antonio Madison). Pouco tempo depois, a mãe de Melinda morre. Porém, não sem antes deixar a casa e US$350 mil em nome de Melinda.

Devido a sua vulnerabilidade, a mesma encontra conforto em Robert. Robert conta a garota que está desenvolvendo uma bateria autossustentável. Conforme os dias foram passando, as ligações ficaram cada vez mais raras e logo surge a desconfiança de que pode estar sendo traída. Ela decide tirar a prova, indo ao trailer do mesmo e vê que estava certa.

Logo, ela decide acabar com a vida dele, empurrando com o carro o trailer abaixo. Do trailer, Diana (Crystle Stewart/Shavon Kirksey) foge. Com as concussões que teve, ela é submetida a uma histerectomia forçada. Algum tempo depois, ela reata com o rapaz. Porém, mais despesas foram surgindo. Ela decide se casar com ele, indo contra a vontade de suas irmãs e logo tudo que ela tinha se acabou. Melina dá duro e até hipoteca a casa de sua mãe e para Robert, tudo o que lhe resta é sua bateria e uma tentativa infrutífera de convencer uma empresa de que seu produto é viável.

18 anos se passam e o casal passa por um stress em seu matrimônio. A casa prestes a ser devolvida para o banco, Robert tentando fazer sua bateria dar certo e Melinda nutrindo uma antipatia por Robert.

Apesar de ser um já famigerado clichê de casamento e desconfiança, o filme irá subverter a ordem pré estabelecida de uma maneira eficiente e bem amarrada.

A principio, o filme faz com estejamos do lado de Melinda, mesmo ela recorrendo a meios mais intensos em matéria de como lidar com seus problemas. Porém, ao alcançar o ponto de virada culminante que iniciará o 3º ato, onde veremos um embate de proporções estupendas, o filme se transforma em Louca Obsessão. Não que isso soe ruim, porém a tônica de uma pessoa mentalmente instável, quase psicótica, já foi tão intensamente explorada que não há quase nada a ser acrescentado a esse tipo de filme. Mas não esperem um nível de psicopatia como a da protagonista do filme de Rob Reiner. Aqui, ao invés de mostrar tudo, a coisa se dá mais no lado psicológico, servindo de um belo contraste ao apresentado por Reiner.

A trilha sonora é magistral, usando Nina Simone como a principal interprete das canções. A poesia entonada pela voz poderosa da cantora é sublime e dá a tônica da produção.

Os efeitos visuais são bem fracos. Em vários momentos, é possível perceber um certo destacamento dos atores quando estão em cenas supostamente externas, onde vemos um contorno branco iluminado ao redor de suas silhuetas. Porém, a coisa fica ainda pior no clímax do filme, que se passa num iate. É visível até na água que a coisa não segue padrões de realismo, destoando o clima, fazendo-o parecer uma novela de baixa produção.

Se infelizmente os efeitos não se sustentam, o mesmo não pode ser dito das atuações. Destaque para Taraji P. Henson, que com seu papel de Melinda entrega uma mulher que se desdobra em mil a fim de tentar ajudar seu marido a concretizar seus sonhos quase inalcançáveis. Lyriq Bent é o marido que está pela corda bamba, já que seu projeto obsessivo o faz negligenciar a sua vida com Melinda, tornando esse sonho quase um pesadelo.

Se por um lado, a química entre Taraji e Lyriq funciona, a mesma coisa não é possível de ser dita ao vermos Crystal Stewart como Diana, que surge no inicio do segundo ato e que, de forma abrupta, tenta roubar o protagonismo de Taraji, porém não a personagem não demonstra carisma o suficiente para esquecermos de Henson. Isso sem falar em sua família que é posta de escanteio, assim que a mesma decide se casar.

Acrimônia – Ela Quer Vingança é uma ode aos filmes de relacionamentos ruins. Acerta ao ter como foco principal a atriz Taraji P. Henson, porém pode acabar soando uma trama repetitiva se você já viu filmes como Louca Obsessão. Mesmo assim, não deixa de ter suas próprias qualidades e sendo um filme minimamente assistível.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.