02
ago
2018
Crítica: “Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo (Mamma Mia! Here We Go Again)

Ol Parker, 2018
Roteiro: Ol Parker, Richard Curtis e Catherine Johnson
Universal Pictures

3

Mamma Mia. Here we go again, my my, how can I resist you?. A banda sueca Abba certamente foi influente nos anos 70, junto com outros grandes artistas de sucesso como Queen, Beatles, etc. E foi uma das poucas que tem o orgulho de ter em seu currículo a adaptação de suas músicas em musical, que logo depois vira a se tornar um filme musical de grande sucesso de público e crítica.

Porém, novamente fomos tomados de supetão (já tá manjado isso) com uma continuação inesperada. Mas será que a mesma continuou com o espírito de sua obra original?

Nosso filme começa com Sophie (Amanda Seyfried), preparando a reinauguração do hotel de sua mãe Donna (Meryl Streep). Já notamos que sua querida mãezinha já partiu dessa para melhor. Porém, a pobre garota está chateada porque dois de seus 3 pais (é, Donna não era fraca não) não poderão comparecer a reinauguração. Enquanto isso, vemos flashbacks do passado de Donna (na versão mais nova Lily James) indicando que a mesma era uma mulher de espírito livre, disposta a viver fora das amarras do mundo.

Agora, a mesma está em Paris e conhecendo pela primeira vez Harry (Hugh Skinner/Colin Firth). Os dois se apaixonam, porém Donna já tem planos de ir a Grécia, mais precisamente na ilha fictícia de Kalokairi (inspirada na ilha Skopelos). Donna conhece Bill (Josh Dylan/Stellan Skarsgård) e os dois no barco dele partem em direção a esta ilha.

De volta ao presente, Tanya (Jessica Keenan Wynn/Christine Baranski) e Rosie (Alexa Davies/Julie Walters) chegam ao local. Lá, as duas ex-amigas de Donna se encantam pelo sr. Cienfuegos (Andy Garcia). De volta ao passado, vemos Donna entrando naquela que seria futuramente sua casa, porém a mesma encontra um cavalo afoito com a tempestade no porão. Eis que, do nada, chega Sam (Jeremy Irvine/Pierce Brosnan) de moto para amansar o animal. Voltando ao presente, uma tempestade se forma, acabando com a decoração e com os planos de Sophie (Deixa eu dar um tiro em mim. Já, já, eu retorno).

O roteiro do filme segue essa linha que eu acabei de explicar sem tirar nem por. Vemos um acontecimento do presente, que acaba por retratar um acontecimento do passado e logo voltamos ao presente, vendo consequências da cena do passado. Não que seja um problema, porém, seria mais interessante dedicar esse novo filme como uma origem da vida de Donna, não um filme onde relembramos o passado da moça ao mesmo tempo que vemos situações ocorrendo no presente. Ele soa o tempo inteiro como se fosse uma celebração a força motriz do primeiro filme, a atriz Meryl Streep, porém não consegue desvencilhar da imagem dela, mesmo possuindo outra diva pop no elenco, a cantora Cher.

A direção de arte é boa. Sempre retratam a Grécia como um local paradisíaco. Isso não é apenas mérito de Mamma Mia!, várias produções retratam o país desta mesma maneira, até mesmo Hércules, da Disney, mesmo havendo vários monstros destruindo os locais.

A paleta foca principalmente no azul, e isso visto o tempo inteiro no filme. Seja na paisagem, no céu, no mar, até nas roupas. Se prestar muita atenção, verá no cenário, algum elemento de cor azulada.

A trilha sonora não tem o que reclamar. Quem é fã da banda sueca, irá pular da cadeira e cantar as musicas a plenos pulmões como se não houvesse amanhã (sim, Legião, por que não?). Porém, você só se sentirá animado a cantar se você gosta da banda. Se não, não há como recomendar.

As atuações são legais. Deram mais destaque a Amanda Seyfried, porém sempre enfatizando a importância de Meryl Streep (se não podiam coloca-la, porque fizeram essa joça, então?). Lily James até segura as pontas, porém não possui o mesmo carisma da veterana. Se antes Christine e Julie estavam apagadas em meio a multidão, aqui elas tem mais protagonismo, porém suas versões mais novas deixam a desejar. O trio de homens também está deslocado, principalmente quando entra Andy Garcia que supre a falta do trio masculino. Porém, fico chateado com o pouco de espaço que deram a Cher. Só aparece na reta final do filme e entrega piadas toscas, mas se faz presente ao cantar em dueto com Garcia.

As coreografias também são incríveis. Desde o café em Paris ao som de Waterloo, até a apoteose no final, são plásticas e bem feitas, com direito a referência de Titanic.

Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo é o mais do mesmo que funciona. Não acrescenta nada de original ao visto em 2008, mas empolga e sabe entreter. Recomendado apenas aos mais saudosistas de plantão, visto que poucos da nova geração conhecem ou irão se interessar em conhecer a banda.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.