08
ago
2018
Crítica: “Megatubarão”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

Megatubarão (The Meg)

Jon Turtletaub, 2018
Roteiro: Dean Georgaris, Jon Hoeber e Erich Hoeber
Warner Bros. Pictures

3

Tubarões. Esses animais de sangue frio são sempre retratados no cinema como animais violentos que querem destruir tudo o que se move na água, por menor que seja. Steven Spielberg em 1975 fundamentou a base de como deveria ser um filme com esses animais marinhos como os protagonistas. De lá pra cá, houve uma enorme leva de filmes que foram ou bonzinhos ou ruins.

O recente fenômeno de 2013 Sharknado foi a prova de que, mesmo depois de tanto tempo, eles ainda continuam sendo os bichões memo, hein, doido.

A situação está cada vez mais preta dentro de um submarino. Jonas Taylor (Jason Statham) está resgatando a tripulação, junto de outros dois colegas, porém sofre diversas colisões de algo ainda não identificado. Não querendo arriscar perder mais vidas, o mesmo impede o resto da tripulação de embarcar no submarino de resgate. Logo em seguida, o submarino explode, matando os ainda vivos dentro.

Algum tempo depois, estamos na estação Mana Um, financiada por Morris (Rainn Wilson) onde um grupo de pesquisadores pretende atravessar a tal zona onde está localizada a parte mais funda do Oceano Pacifico e ver a fauna e flora marítima. Porém, o submarino acaba sofrendo várias avarias, ficando impossibilitado de submergir. Logo, um dos membros sugere a volta de Jonas que está longe do mar há muito tempo, enquanto isso Suyin (Bingbing Li) tenta resgatar a tripulação, a contragosto de seu pai (Winston Chao).

O resgate acontece e logo descobrimos que os ataques causados são culpa de um gigantesco tubarão conhecido como megalodonte, uma criatura até então extinta de 18 metros de comprimento. Porém, logo os pesquisadores descobriram que acabaram abrindo um fenda e deixaram a criatura escapar para o mundo da superfície e cabe a eles acabar com a farra da fera.

É dispensável dizer que o mesmo se baseia em Tubarão, visto que durante boa parte do tempo, se foca em fazer o espectador ficar apreensivo com qualquer possível pancada.

Isso é demonstrado principalmente no desenho de som. O estrondo de um golpe desse bicho ecoa por toda a parte, sendo capaz de pegar desprevenidamente o mais desatento da audiência. Outra parte bem feita é como o som se propaga através da água. Possui um certo nível de realismo que até surpreende.

Os efeitos visuais são bem efetivos. Diferentemente do já visto na franquia Sharknado, vemos o bichão como uma ameaça realmente implacável, imponente, poderosa e feroz. Você pode até não sentir um gelo na espinha, mas certamente se surpreenderá com o nível de detalhamento dessa criatura.

A direção de arte também é caprichada. O fundo do mar é cheio de criaturas únicas, espécimes diferenciados e uma fauna diversificada.

A trilha sonora até se faz presente. Mas a única faixa relativamente conhecida é um cover de Mickey.

As cenas de ação são bem feitas. E sempre optam por planos mais fechados quando vemos os embates do tubarão contra os seres humanos, porém há fluidez nas cenas, diferentemente da franquia Transformers, onde muito acontece em pouco tempo, porém nada tem sentido.

As atuações são boas. Destaque para Jason Statham mostra que é diferente de brucutus como Tom Cruise, que se leva muito a sério. Ele faz piada o tempo inteiro, mas não pensem que a peteca cai por conta dessa ironia proposta por ele. Esse chega a ser até um ponto positivo e mostra ser um herói de ação quando necessário. Bingbing é a tentativa de par romântico de Jason, porém soa forçado demais. A jovem Shuya Sophia Cai é uma garota espevitada, servindo de contraponto para Statham e sendo responsável por algumas boas piadas.

Porém, nem todos os atores são fores. Rainn é mais um empresário que não quer ver seu investimento indo pro ralo, Ruby Rose é bastante subaproveitada. Visto que a mesma já teve um certo protagonismo na série Orange Is The New Black da Netflix, parece deslocada demais em relação ao resto do elenco. Page Kennedy é o engraçadão do filme, porém é repetitivo e não induz o espectador ao riso.

Megatubarão é uma prova mediana de que ainda pode se fazer um filme legal de tubarões. Porém, devido ao subaproveitamento de uma personagem que poderia ter potencial, pouca exploração do ambiente marinho e tentativas exaustivas de fazer as pessoas gargalharem, só se torna outra produção de monstro gigante divertida, porém não memorável.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.