22
ago
2018
Crítica: “Slender Man – Pesadelo Sem Rosto”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

Slender Man: Pesadelo Sem Rosto (Slender Man)

Sylvain White, 2018
Roteiro: David Birke
Sony Pictures

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Slender Man. Uma criatura tão misteriosa e polemica que assombra a internet, já foi tema de inúmeros relatos, creepypastas, jogos, até filmes. Certamente, uma das lendas urbanas da nova era que mais impressionou nos últimos anos, ao lado de outros como Jeff the Killer, Zalgo, The Rake, etc. Mas, pergunto a você: sabe como essa lenda se tornou ícone perante os mais aficionados fãs de terror?

Porém, antes de falar sobre a origem do monstro, vamos falar um pouco sobre sua aparência. O Slender Man (homem magro, esguio ou degado) é um monstro vestido socialmente, com o que se parece um terno, usando gravata vermelha ou preta, de pele clara, medindo de 3 a 5 metros de altura e braços exageradamente longos que podem ser facilmente confundido com tentáculos ou até vários braços.

Mas há algo de diferente neste caso: o monstro não apresenta feições ou semblantes. Resumindo: não possui boca, nariz, olhos, orelhas, sobrancelhas. Uma tela em branco em formato de rosto.

Ele seria uma espécie de bicho papão para as crianças mais arteiras. Seu habitat são as florestas densas. Seus alvos primários eram crianças que teriam sofrido uma espécie de trauma recente quase incurável. Ele as observava (não me pergunte como) e as atraia para dentro da floresta, obviamente, durante a madrugada (Você acha que um ser desses, visível a olho nu, ataca durante o dia? Ele não é burro).

Lá, ele jogaria um jogo de gato e rato, onde a criança teria de sobreviver. Caso ele a encontrasse, ele empalava a vítima numa árvore, retiraria seus órgãos, colocaria dentro de um saco e colocava na pessoa de volta. Quando os corpos eram encontrados pela policia, não haveria um sinal de luta, apenas sangramento no nariz. Isto indicaria que, antes da pessoa morrer, ela haveria passado por uma intensa tortura psicológica. (Já viu que vai ruim, né?!)

Em 2009, um site chamado Something Awful (algo ruim, em tradução literal) lançou um concurso cultural nos fóruns e propôs aos usuários que editassem fotos que contivessem uma criatura sobrenatural, de modo que a mesma foto fosse a mais impossível de perceber que se tratava de Photoshop. Um usuário chamado Victor Surge publicou duas fotos, contendo um pequeno texto sobre cada uma delas. Aqui estão elas:

Nós não queremos ir, não queria matá-los, mas o seu silêncio persistente e horríveis braços estendidos, nos consola ao mesmo tempo …” – 1983, fotógrafo desconhecido, presumivelmente mortos.

Uma das duas fotografias recuperadas do incêndio da Biblioteca Municipal Stirling. Interessante ter sido tirada no dia que desapareceram catorze crianças e por fazer referência a algo conhecido como “Slender Man”. Deformidades citadas como ‘defeitos na película’ por funcionários. O Fogo na biblioteca ocorreu uma semana depois. Fotografia real e confiscada como prova. – 1986, a fotógrafa: Mary Thomas, desaparecida desde 13 de junho de 1986.

Ainda naquele mesmo ano, um canal no Youtube foi criado Marble Hornets. Nesse canal, vídeos sobre o monstrão foram postados. O projeto é sobre um homem chamado Alex, que estudava cinema e decidiu fazer um filme intitulado Marble Hornets. Porém, a medida que o tempo passava, Alex ia ficando cada vez mais diferente e logo, decidiu se livrar das fitas que havia gravado, porém seu amigo Jay interviu, levou as fitas consigo e, após analisar o conteúdo das tais fitas, acabou entendo o motivo do estranho comportamento de Alex. Jay, então, decidiu então colocar os vídeos no Youtube e isso virou febre.

 

Desde então, nosso querido monstrinho virou sensação. Ganhou documentários, livros, filmes, jogos e outras coisas. Das produções com o querido sem rosto, destaco Always Watching: A Marble Hornets Story, Relatos Secretos de Serra Madrugada (brasileiro), Entity.

 

Agora, foi nos jogos que o monstrinho explodiu de visualizações. O primeiro é gratuito, intitulado Slender: The Eight Pages, onde precisamos coletar oito páginas contendo uma “dica” sobre o monstro. A partir da primeira, começa a caçada. Dispomos apenas de uma lanterna, que contém uma única bateria, que acaba.

E o segundo Slender: The Arrival seria os eventos após o primeiro jogo. Desta vez, controlamos a amiga da personagem que nós encarnamos no primeiro jogo, Kate, e estamos indo visita-la, visto que a mesma passou um bom tempo internada depois de sobreviver ao jogo do monstrinho. Kate sai do manicômio e agora passa um tempo na casa da mãe, que acabou de morrer. Porém, Kate é sequestrada pelo sem rosto, o mesmo hipnotiza nossa amiga para ela nos matar e nós entramos no jogo do branquelo altão.

Agora que já conhece sobre o monstro um pouco melhor, vamos ao filme.

Estamos nos dias atuais. Um grupo de adolescente entediadas por morarem num lugar onde nada acontece decide invocar nosso queridinho branquelo de tentáculos. Porém, uma das garotas fica impressionada com o vídeo e acaba desaparecendo no dia seguinte. A partir daí, o grupo formado será perseguido pelo branquelo sem dó ou piedade.

A direção de arte é competente. O monstro se mistura com a floresta de uma maneira até orgânica, visto que seus braços podem até ser confundidos com troncos de árvores, visto que, no vídeo de invocação do nosso monstrinho, aparece uma árvore frondosa. O visual do monstro é bem feito, porém, sua primeira aparição soa um tanto falsa, visto que o chroma-key é malfeito e desloca o espectador do clima construído.

Porém, a pior decisão do longa é fazer um degrade no fundo, sempre colocando algo branco bastante em cima do enquadramento e logo depois, algo preto, a fim de fazer o espectador ficar esperando que alguém seja atacado. Outro aspecto que a arte acerta é nas alucinações. Conforme o filme vai passando, as personagens vão ficando cada vez mais paranoicas, confundindo sonho e realidade, real e fantasia. Em um dado momento, pareceu até uma cena de Doutor Estranho na tela.

O desenho de som é algo bem feito. Os sons de nosso monstrinho são bem feitos, causam pânico e deixam o mais despreocupado apreensivo. Belo uso da atmosfera do jogo.

O roteiro tem várias inconsistências. Primeiro, nosso monstro é invocado através de um link. O link só é acessado algumas vezes e não tem nada de mais. Segundo, o monstro se comunica pelo celular, porém ao utilizar a vídeo chamada com as garotas, a imagem está clara e acompanhamos os seus movimentos em tempo real. Não só soa fantasioso, do tipo criaturas infernais tem internet melhor e disponibilizam isso para as suas vitimas, como também soa artificial demais. Outro aspecto é a da aparência do vídeo de invocação ter sido gravado sem qualquer distorção de imagem (Slender Man é o melhor videomaker?!). Além de parecer dispensável, não há um real propósito.

As atuações são péssimas. Nenhuma das protagonistas transmite um carisma que possa fazer você se importar com elas. Você até torce pro monstro.

A direção é criativa. Várias vezes vemos a câmera em primeira pessoa e sentimos a aflição que as personagens passam, algo que as outras produções mencionadas não fizeram.

Os jumpscares ou famosos sustos surpresas são previsíveis e sem emoção. Até para sombra na parede, o filme apela. Faltou criatividade. Porém, os únicos momentos em que o filme se paga, são aqueles em que o monstrão aparece e o mesmo não deixa (pelo menos) tão a desejar. É imponente, imprevisível, mas mortal.

Slender Man – Pesadelo Sem Rosto é a tentativa tardia de Hollywood tenta lucrar com uma das maiores lendas de terror da internet. Porém, devido a um roteiro inconsistente e personagens sem carisma, fica difícil você se importar com ele. Melhor ver alguma outra produção que o branquelo sem rosto já havia estado anteriormente ou jogar os dois jogos do mesmo. Ou ler os textos que os criadores de conteúdo fizeram sobre o mesmo. Quero só ver se outras lendas também estarão nesse filão.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.