30
set
2018
Crítica: “12 Horas para Sobreviver – O Ano da Eleição”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

12 Horas para Sobreviver – O Ano da Eleição (The Purge – Election Year)

James DeMonaco, 2016
Roteiro: James DeMonaco
Universal Pictures

3

Eleições. Sempre quando é hora de votar, vemos candidatos aqui e ali, prometendo mundos e fundos ao eleitor para conseguirem votos e alçarem cargos públicos. Porém, há vários que decidem se utilizar de meios muito inescrupulosos para conseguir tal feito. E, ao longo de seus mandatos, acabam se metendo numa lama fétida e pútrida e tentam, a todo custo, convencer o povo de que são honestos e íntegros (Aviso anti-mimi: antes que você venha me metralhar com xingamentos, leia atentamente: não me referi a nenhum político de sua preferência. Se você identificou essas qualidade em alguém, é por sua conta e risco.)

E eis que a franquia Noite de Crime trouxe um capítulo novo a sua saga que basicamente se pergunta: “como seria o clima de eleições com um feriado nacional, onde você pode cometer todo o tipo de crime numa noite, sem ir para a cadeia? (aqui no Brasil já rola há algum tempo, mas entra eleição, sai eleição e nada muda)”.

A senadora Charlie Roan (Elizabeth Mitchell) foi feita de refém há 18 anos atrás durante a Noite de Crime. Sua família foi brutalmente assassinada em casa, sendo ela, a única sobrevivente. Ela agora concorre a presidência dos EUA, querendo acabar com o Expurgo. A NPFA (Novos Pais Fundadores da América), o grupo que hoje está na presidência, quer acabar com a senadora, pois ela está conseguindo angariar votos para vencer a eleição.

Um dos guarda-costas de Charlie é Leo (Frank Grillo), que conseguiu sobreviver a um Expurgo há dois anos. Enquanto isso, estamos numa lojinha de conveniência, onde somos introduzidos a Joe Dixon (Mykelti Williamson), seu auxiliar Marcos (Joseph Julian Soria) e a amiga deles Laney (Betty Gabriel). Duas garotas entram na loja e começam a zoar com o local, porém Laney intervém e pede para que parem de chatear.

Uma das garotas reconhece Laney e a chama de Pequena Muerte. Joe recebe uma ligação de que a companhia de seguros da sua loja aumentou o preço do seguro. Joe, não tendo como pagar, não vê outra solução, senão ficar na loja e acabar com quem se atrever a roubá-lo. Charlie decide ficar em casa, ao invés de um bunker seguro, pois não quer parecer fraca perante aos eleitores, temendo que isso tire votos. Sua casa é altamente protegida, com a ajuda de Leo. Durante o pronunciamento, agora vemos que até as autoridades públicas não estão mais protegidas.

A Noite de Crime começa. Enquanto Laney patrulha as ruas, Joe e Marcos estão no teto da loja e logo as ladras da loja voltam para acertar as contas. Marcos dá um tiro de aviso na cara de uma delas e elas logo partem. O esquema de segurança de Leo é comprometido, já que ambos foram traídos por infiltrados da NPFA e foge pelas ruas. Os dois são emboscados por um grupo de expurgadores, mas são salvos por Joe e Marcos. Os quatro voltam a loja, mas logo são perseguidos pelas ladras de antes, que agora estão tendo reforços. Joe liga para Laney que logo vem para auxilia-los, matando todos que estão invadindo.

Os cinco partem de lá e agora tem que manter a senadora viva para que ela ainda possa concorrer.

O novo capítulo apresenta mais do mesmo que já havíamos visto nos três filmes anteriores: mortes ultra sanguinárias, troca de tiros para todos os lados. A única coisa que diferencia esse filme é apenas o fato de que estamos em vésperas de eleições. Sem esse contexto na trama, ele seria igual a qualquer outro filme da franquia, sem tirar nem por.

A direção não é tão caprichada. Na maior parte do tempo, vemos muita câmera tremida, principalmente em conflitos corpo a corpo e isso desnorteia propositalmente o espectador, desviando a atenção e colocando a trama principal em segundo lugar.

O marketing do filme foi muito inteligente novamente. Colocaram uma pessoa mascarada com a face da Estatua da Liberdade com feixes neon, formando um sorriso sinistro, mas logo essa personagem é morta e a mesma não possui sequer uma função narrativa na trama. Ou seja, promovem um filme, mas não colocam a figura das artes promocionais nem como vilão ou vilã principal, criando um alarde em torno de nada.

O roteiro é fraco. Não há quase nenhum desenvolvimento de personagem, exceto a senadora. Seu passado realmente é cruel, mas não efetivamente mostra em momento algum ela buscando justiça aos responsáveis. As tais ladras só estão lá pra causar e logo são mortas, ou seja, quase todos os supostos vilões são descartáveis. O filme ainda tenta construir ligações com o segundo longa, onde vemos Dante Bishop (Edwin Hodge), o mendigo do primeiro filme, tendo um protagonismo no grupo contra a NPFA, mas não é nada que traga algo a mais ao filme.

As cenas de luta não são tão incríveis. Há sim, lutas bem coreografadas, porém não esperem nada ao nível de Atômica ou John Wick. Mas quando decidem colocar cenas de tiro intenso, é onde o ritmo da ação se perde e logo fica monótono.

Há alguns jumpscares, mas nenhum deles causa impacto.

A trilha sonora contém várias músicas pop como Party in the USA, de Alana D, 20th Century Boy, da banda T. Rex e I’m Afraid Of Americans do eterno David Bowie. O ponto que mais brilha é no tema de Laney, com uma pegada de rock, com uma guitarra bem pronunciada.

As atuações são convincentes. Elizabeth Mitchell é uma donzela em perigo, basicamente. Sempre se mete em roubada e Leo tem que salvá-la. Frank Grillo retorna ao seu papel de herói de ação, mas agora não parece ter tanto protagonismo quanto no 2º filme. Betty Gabriel está no páreo com outras heroínas igualmente fodonas. Porém, quem mais se destaca é Kyle Secor, o pastor da igreja onde a NPFA se reúne para um expurgo. Ele representa tudo o que há de contraditório na política e na religião. Quando ele está em cenas, é capaz de feitos inacreditáveis.

12 Horas para Sobreviver – O Ano da Eleição (ô titulozinho xumbrega, hein) é o 3º capítulo de uma franquia que não necessitava ser feita. Apesar de ter suas derrapadas, consegue entreter e é o melhorzinho entre os três, o que não quer dizer muita coisa. Se corrigissem essas cenas de tiroteio e roteiro confuso que atira (perdão do trocadilho, vou ali ser morto por uma motosserra e já volto) para todos os lados, mas que não acha nenhum onde se fixar, seria melhor aproveitado.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.