06
set
2018
Crítica: “A Freira”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

A Freira (The Nun)

Corin Hardy, 2018
Roteiro: Gary Dauberman e James Wan
Warner Bros. Pictures

3

Lá nos idos anos de 2016 quando Invocação do Mal 2 surgiu e prometia ampliar ainda mais o universo já estabelecido com os primeiros Invocação do Mal e Annabelle, poucos botavam fé. Tendo 2 filmes muito bons e dois medianos, a coisa parecia promissora. Porém ao anunciar o filme da freira demoníaca previamente vista em Invocação 2, o hype foi nas alturas. Mas será que tal ansiedade realmente era justificada?

Estamos em 1950. Num pequeno castelo na Romênia, vemos duas freiras adentrando um local estranho. Lá, uma das freiras entra num quarto bloqueado por uma tabua que diz: “Aqui, não há Deus”. (Vai dar merda, vai dar merda…). Uma das freiras é puxada, enquanto a outra fica do lado de fora. Porém, a freira restante vai até um outro quarto. Lá, a freira demoníaca aparece, mas não antes da freira não possuída se jogar da janela, com uma corda ao redor de seu pescoço.

Algum tempo depois, Frenchie (Jonas Bloquet) vai até o convento entregar mantimentos, mas vê na fachada a freira que se atirou da janela, tendo seus restos mortais comidos por corvos. O Vaticano fica sabendo da noticia e chama o Padre Burke (Demián Bachir) para investigar o que aconteceu naquele local, visto que suicídio é pecado. Para realizar essa empreitada, ele contará com a ajuda da Irmã Irene (Taissa Farmiga), uma noviça que ainda não fez seus votos. Chegando lá, eles vão pedir ajuda a Frenchie, já que é o único disposto a entrar no local, visto que a própria cidade toma aquele lugar como algo impuro e profano.

O roteiro, a principio, parece interessante, porém carrega os mesmos problemas vistos recentemente em Slender Man: Pesadelo Sem Rosto. Tem situações tensas, porém, após um tempo, começa a perder gradativamente o fôlego. E tudo fica ainda pior ao decidirem enfiar um deus ex-machina ridículo e sem criatividade.

A direção é criativa. A câmera passeia junto dos personagens, sempre buscando explorar ao máximo todo o cenário. Os discípulos de Wan sempre tentam reverenciar ao máximo àquele que começou todo esse universo. Porém, nem sempre há uma real necessidade de exploração, visto que são poucos os elementos a serem utilizados para fazer o espectador ficar apreensivo.

O design de produção é bem feito. Convido aos mais atentos a notarem cruzes espalhadas pelo cenário, espelhos dispostos em cantos, véus, cortinas. Isso colabora para o clima religioso e macabro que a obra tenta transmitir.

Mas há algo que deixa a desejar. Há uma presença enorme de jumpscares ou sustos baratos/nada impactantes. E vários deles são fáceis de perceber, como mãos aparecendo no escuro, degradês de branco na zona da cabeça e preto no resto da forma. É tão infantil essa técnica de tentar assustar que não gera o mínimo de apreensão, mesmo ao espectador mais atento.

Porém, há algo que dá raiva: o pouco intelecto dos personagens. Eles seguem ao pé da letra, todos os clichês de terror: acham que alguém chama por eles e logo vão atrás; ouve um som e decidem procurar; tem um aviso dizendo para não entrar e vão mesmo assim. Nem mesmo James Wan em seus piores trabalhos buscou soluções tão fáceis e rápidas. Fica difícil defender a produção que faz parte de um universo meticulosamente construído para relembrar a época em que haviam universos compartilhados de filmes de terror.

As atuações são boas. Taissa Farmiga faz a noviça ingênua que servirá de grande importância. Demián Bachir é um padre bastante vivido que verá sua fé sendo testada ao adentrar o recinto. Jonas Bloquet, a principio, serviria como alivio cômico, mas consegue se fazer presente. Porém, quem dá um show é Bonnie Aarons, a tal freira encapetada. Uma verdadeira força a ser temida, já que suas aparições são as melhores cenas do filme.

A Freira é um filme altamente pretensioso que entrega pouco e acrescenta quase nada ao universo ou ao gênero terror. Se o filme terá sequência, ainda não sei. Mas, se você quer ver a mente desse universo mandando a real de como fazer um filme de terror eficiente, espere que logo menos chegará o Invocação do Mal 3.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.