11
set
2018
Crítica: “Annabelle”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

Annabelle

John R. Leonetti, 2014
Roteiro: Gary Dauberman
Warner Bros. Pictures

2

Brinquedos amaldiçoados. Essas coisinhas, a principio, insignificantes, logo se mostram verdadeiras máquinas de meter medo e de morte. Vários brinquedos foram responsáveis por isso. Eu lembro de um que me dava um certo temor na espinha. Porém, creio que o meu nem se compara as maldições de Robert (fica pra uma outra hora, tá ok?) e Annabelle.

Por hoje, vamos nos concentrar nessa miguxinha chamada Annabelle.

Em 1970, Donna, uma estudante de enfermagem, recebeu uma antiga boneca Raggedy Ann (uma boneca de pano comum nos EUA) de sua mãe como presente de aniversário. Ela levou a boneca de volta ao seu pequeno apartamento que compartilhava com a sua colega de quarto, Angie, e a colocou na sua cama.

No início, ambas as mulheres observaram que a boneca tinha começado a assombrá-las, mas então começaram a perceber que a boneca tinha começado a mudar de posição e se mudar para diferentes cômodos. Algumas vezes ela estava sentada com as pernas e braços cruzados no sofá, outras vezes de pé encostada na cadeira da sala de jantar.

Cerca de um mês depois das experiências assustadoras, Donna e Angie passaram a encontrar a frase “Nos ajude”, escrita em um pergaminho, com a caligrafia que parecia ser de uma criança. Aparentemente, além de se mover, a boneca assustadora conseguia escrever.

Sabendo que elas deveriam fazer algo sobre essa boneca sinistra, as colegas de quarto entraram em contato com uma médium. Na sessão, Donna e Angie entraram em contato com um espírito chamado Annabelle Higgins, que contou a sua história.

Annabelle explicou que ela era uma jovem que vivia perto do complexo de apartamentos que as mulheres moravam, e que sentia conforto e segurança perto delas. Sentindo compaixão pelo espírito da menina, Donna permitiu que ela continuasse na boneca e ficasse com elas. Depois de um tempo, descobriram que a Annabelle não era tão inofensiva quanto parecia ser.

Á direta: a versão “capirotesca” do filme. Á esqueda: a verdadeira face da boneca que causou todo esse estrago. #seucramunhão

Lou, um amigo das colegas de quarto, nunca gostou da boneca e advertiu Donna para se livrar dela. Uma noite, suas advertências se tornaram realidade. Despertado de um sono profundo, Lou ficou completamente paralisado. Olhando para os seus pés, viu a Annabelle e tentou escapar lentamente, até que a boneca começou a estrangulá-lo até desmaiar. Ele acordou na manhã seguinte, certo de que tudo aquilo não era um sonho.

O próximo encontro terrível, ocorreu quando ele e Angie estavam sozinhos no apartamento, preparando-se para uma viagem no dia seguinte. Ouvindo ruídos bruscos de dentro do quarto da Donna, Lou dirigiu-se silenciosamente até a porta do quarto, esperando que os ruídos desaparecessem. Depois de entrar e acender a luz, ele percebeu que o cômodo estava vazio, exceto pela boneca que parecia ter sido apressadamente jogada no canto do quarto. Quando ele se aproximou da boneca ele teve a impressão de que alguém estava atrás dele. Ao virar, ficou surpreso ao descobrir que ninguém mais estava lá. Então, em questão de segundos, ele agarrou seu peito, se dobrou e sangrou. No peito havia sete marcas de garras distintas, três verticalmente e quatro horizontalmente, todos estavam quentes como queimaduras.

Depois do ocorrido, Donna começou a acreditar que o espírito não era o da jovem, e decidiu contatar um padre chamado Cooke, que chamou Ed e Lorraine Warren – conhecidos por investigarem o famoso caso de Amityville. Os profissionais chegaram à conclusão de que a boneca não estava possuída, mas sim, manipulada por uma presença desumana (um demônio) que usava a boneca para criar a ilusão de estar viva. Os Warren disseram que a presença desumana não procurava ficar apegada à boneca, e estava procurando um hospedeiro humano.

Esse demônio começou a mover a boneca para que as moradoras do apartamento notassem a sua presença. Quando Donna e Angie levaram uma médium para se comunicar com ele, o espírito demoníaco foi capaz de se comunicar e se apegar às vulnerabilidades emocionais das meninas, fingindo ser uma jovem inofensiva e perdida. Os Warrens acreditavam que a próxima etapa do demônio seria a possessão humana completa. Se essas experiências tivessem durado mais 2 ou 3 semanas, o espírito teria possuído, prejudicado ou matado as ocupantes da casa.

Na conclusão da investigação, os Warrens sentiram que era conveniente fazer a recitação de uma bênção de exorcismo para limpar o apartamento. A pedido de Donna, e como uma precaução adicional para que nenhum mal pudesse acontecer na casa novamente, os Warrens levaram a boneca de pano junto com eles. Eles tiveram um caso especial com a Annabelle, no lugar onde ela reside atualmente. O caso fez com que parassem de levar a boneca em outros locais, mas a entidade terrível que está apegada a ela ainda reside o local, esperando e sem dúvida aguardando a próxima vítima.

Agora, que você já conhece a história desse brinquedo do pata rachada, vamos falar do filme.

Novamente, vemos a cena introdutória do primeiro filme, onde o trio formado por Camilla (Amy Tipton), Debbie (Morganna May) e Rick (Zach Pappas) estão conversando sobre a boneca com os Warren, que não são vistos, mas ouvimos suas vozes. Logo, somos transportados de volta para o passado, seis meses antes dos acontecimentos com o trio.

Estamos em 1967. O casal formado por John (Ward Horton) e Mia (Annabelle Wallis) Form estão esperando um bebê, na cidade de Santa Monica, na Califórnia. John chega do trabalho e dá a mulher, uma boneca antiga de presente. Naquela mesma noite, enquanto o casal dorme tranquilamente, seus vizinhos do outro lado, são assassinados brutalmente. Mia chama a polícia, mas logo o casal é atacado pelos assassinos de seus vizinhos. A policia chega e atira nos maníacos, que já haviam esfaqueado Mia. A assassina comete suicídio, cortando a garganta, segurando a boneca que John havia dado. Logo, as reportagens identificam os algozes como sendo membros de um culto, em especial, a filha dos vizinhos: Annabelle.

Pouco tempo depois, coisas estranhas começam a atormentar a vida dos Form e o casal decide se mudar para Pasadena (olha The Big Bang Theory aí). Durante a mudança, eles encontram a boneca novamente e os eventos paranormais voltam a assombrar a vida do casal tenura.

O roteiro desenvolve uma nova origem ao mito da boneca. É interessante, porém soa forçado e um tanto premeditado, a fim de amarrar o universo de Invocação do Mal a todo o custo. Há vários momentos de tensão, porém não são bem realizados ou que traga o mínimo de suspense.

A direção de arte é bem feita. Consegue retratar a época em questão. A boneca de rosto de porcelana traz um ar macabro com força, mas isso acaba fazendo a figura monstruosa desse filme em questão se tornar óbvia por demais. Se optassem por usar uma boneca de mesmo modelo, seria interessante ver uma malícia disfarçada de ingenuidade.

Os jumpscares ou sustos surpresa são óbvios demais. Não trazem qualquer tipo de elemento surpresa: sons vindos do nada, rangidos estridentes, vozes do além. A única coisa que parece funcionar no âmbito dos jumpscares são os momentos que vemos um demônio preto. Sempre se escondendo nas sobras, os momentos em que ele aparece são bem orquestrados e podem arrancar um gritinho mesmo que baixo até do mais corajoso.

As atuações são boas. Annabelle Wallis é uma dona de casa devotada a família que faz das tripas um coração para impedir que o tinhoso entre. Ward Horton é o pai de família devotado a proteção de suas meninas. Tony Amendola é o padre, até então cético quanto aos causos pelos quais os Form passam, mas acaba reconhecendo o mal que assola a família. Alfre Woodard é a dona da livraria misteriosa que, em dado momento, parece até ser conivente com as intenções maléficas dos espíritos ruins, mas logo se mostra uma forte aliada do casal. Porém, novamente o destaque de atuação é para Joseph Bishara que consegue imprimir ares macabros aos monstros que interpreta, mesmo sendo visto poucas vezes.

Annabelle não é o pior filme de terror da história. Mas devido a fracos sustos surpresa, um roteiro tentando reimaginar a origem de como a boneca do mal começou a atormentar a vida de quem a possuísse e muita obviedade, além de pressa para amarrar as pontas de um universo de filmes de terror, que está em constante construção, acaba não sendo tão memorável quanto seu antecessor e dando sinais de poderia ter parado por aí.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.