19
set
2018
Crítica: “O Predador (1987)”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

O Predador  (Predator)

John McTiernan, 1987
Roteiro: Jim Thomas e John Thomas
Universal Pictures

3.5

Quem diria que, em 1987, Arnold Schwarzenegger que já havia sido O Exterminador do Futuro ainda teria folego para lidar com uma criatura altamente tecnológica do espaço que até hoje é um marco no cinema de ação? Pois bem, o monstrinho não se deu por vencido e continuou sua trajetória de relativo sucesso e tretou com outro monstro de grande porte nos quadrinhos e nos cinemas.

Se você ainda não deu uma chance a esse monstro de visual imponente (pelo menos, sem tirar a máscara), armamento pesado e jeitos brutais de como matar seus alvos, eu digo que é hora de você conhecer.

Estamos sobrevoando uma praia, onde Dutch (Arnold Schwarnegger) e sua equipe altamente treinada estão desembarcando. Lá, eles encontram o General Phillips onde irão entrar em território inimigo para buscar um ministro que pode ter sido pego pelo grupo guerrilheiro. Junto da tropa, também estará o agente da CIA Dillon (Carl Wheaters).

De manhã, o grupo chega até a base dos guerrilheiros e os mata. Porém, não há sinal de qualquer tipo de sobrevivente, exceto uma mulher (Elpidia Carillo) que logo é pega pelo grupo e feita de prisioneira. Dutch confronta Dillon, que revela que o único intuito era acabar com o grupo guerrilheiro e teve de recorrer a Dutch, pois seu o grupo liderado por outro colega Hopper foi dado como perdido, lembrando que seu corpo fora encontrado a poucos metros dali. O grupo decide sair, porém a garota foge e Hawkins (Shane Black) vai atrás dela, mas é morto no caminho por uma figura (Kevin Peter Hall) que se esconde através de um dispositivo de camuflagem, que já estava observando todos há um tempo, através de sua visão “térmica”.

O roteiro do filme é bem interessante. Nos primeiros instantes do filme, parece que veremos mais um outro filme de guerra comum, sem qualquer tipo de diferencial. Porém, com o avançar da história, vemos que o se segue é um thriller de sobrevivência ao estilo Alien – O Oitavo Passageiro. Mas se você espera altos sustos, jumpscares, lamento em te decepcionar: aqui a graça é na sutileza, sem um alien aparecendo no escuro com as mãozinhas, prestes a te dar um bote.

Há vários momentos de piadas sem graça e bastante machistas, porém, há de se relevar, já que na época, poucos viam algo de muito cruel nesse tipo de piada. Porém, vale ressaltar que, além delas estarem datadas, já não se configuram mais como humor.

A maior parte das cenas de ação é com troca de tiros, o que faz o filme ter um ritmo um pouco arrastado, mas nada que seja chato ou enfadonho. Porém, quando vira um confronto físico, há uma fluidez, já que a cena se torna mais dinâmica e empolga o espectador, o que faz o filme se pagar.

Os efeitos visuais são legais. A camuflagem do Predador é algo muito bem feito até os dias de hoje, visto que há produções de orçamentos gigantes que nem se quer conseguem apagar um bigode de modo crível. A visão térmica de tecnologia de ponta é bacana, porém isso tudo acaba ficando estranho quando vemos o sangue luminescente do Predador que mais parece liquído de pulseirinha de balada que brilha no escuro.

A trilha sonora é competente. A música-tema que toca a todo instante dá o tom de tensão necessário ao filme e é um dos temas mais icônicos da história do cinema.

As atuações são bem feitas. Arnold Schwarzegger é o astro desse filme, mas rivaliza com Carl Wheaters e Kevin Peter Hall o posto de protagonista, visto que os 3 são os personagens que mais tem presença em cena. Shane Black é o mais mala do elenco e parece só ter entrado no filme para ser a cota de alivio cômico, porém não convence. Elpidia Carrillo surge no filme, porém não há um momento em que se mostre competente. Richard Chaves é outro que entra na categoria Não Tem Cena Icônica. Sonny Landham e Bill Duke se mostram bons coadjuvantes que poderiam estar no páreo de protagonismo, porém, devido a presença de Schwarzenegger, Weathers e Peter Hall, mesmo possuindo cenas icônicas, não tem a mesma importância.

O Predador é um clássico como poucos. Soube estabelecer bem os parâmetros já no primeiro filme e sabe divertir, mesmo necessitando de alivio comico forçado e sem graça. Vale a pena revistar o passado, sem que seja só um pouco.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.