13
set
2018
Crítica: “O Predador (2018)”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

O Predador (The Predator)

Shane Black, 2018
Roteiro: Shane Black, Fred Dekker, Jim Thomas e John Thomas
Universal Pictures

2

Predador. Um alien humanoide, altamente mortífero, cheio de apetrechos de dar inveja a qualquer grande agente secreto do cinema. Nascido na década em que a testosterona explodia nos poros dos astros de ação, esse monstrão é um dos monstros mais temidos de todos os tempos.

Depois de uma sequência sem sal, dois derivados crossovers com o Xenomorfo e uma tentativa de reboot fracassada, será que as pessoas ainda se interessam pelo alien grandão que já tretou com Arnoldão no auge da forma?

Uma nave predadora sobrevoa o universo, sendo caçada por outra nave predadora. Nessa briga espacial, a nave fugitiva é atingida, fazendo o alien grandão decide escapar num pod, enquanto sua nave cai num ponto distante da Terra. Enquanto isso, um grupo de fuzileiros está prestes a se livrar do chefe de um cartel de drogas, logo a nave de escape do Predador chega ao local.

Uma luta intensa entre os fuzileiros e o Predador é travada e no final, Quinn McKenna (Boyd Holbrook) sai vitorioso, imobilizando temporiamente o alienzão. Algum tempo depois, vemos McKenna tentando mandar os apetrechos que conseguiu tirar do bichão para a sua casa nos EUA, já que ele se encontra no México. Enquanto isso, o jovem Rory (Jacob Tremblay) está na escola, sofrendo bullying, pois não aguenta sons muitos altos.

E no meio disso tudo, a cientista Casey Brackett (Olivia Munn) é chamada a uma base militar, onde estão realizando experiências, com direito ao bichão, deitado numa mesa, imobilizado firmemente.

O roteiro mistura vários momentos de ação, seguido de várias piadas e, como não poderia deixar de faltar referencias aos filmes antigos. Um ponto-chave do filme é terem esquecido os derivados e do reboot e só se focarem em citações aos 2 primeiros filmes do personagem, com direto a frases icônicas como “You’re an ugly motherfucker” ou “Get to the choppa”.

A direção de arte é bem feita. Vemos que os mesmos aspectos dos primeiros filmes foram preservados como a visão térmica “futurística” do capacete do bichão, os escritos aliens que parecem feitos em calculadoras e, como não poderia deixar de ser, o monstrão ficando invisível, mas ainda assim, podendo perceber uma leve silhueta do personagem em contraste com o fundo.

As cenas de ação são bem coreografadas. Existem cortes sim, porém os planos são relativamente longos, o que contribui para o entendimento da geografia da cena. Porém, as melhores cenas são as que o Predador fugitivo tem de lutar com o caçador. Isso cria um embate até então não presenciado na história da franquia, tornando essas cenas únicas e com certeza, ficarão na memória de quem já gostava do bichão.

O humor é abundante. Sempre há alguém fazendo uma tirada sarcástica ou mesmo algum tipo de coisa sem sentido. Até relembra um pouco o espirito inicial da franquia, mas nada muito inspirador.

O 3D é completamente dispensável. O melhor jeito de apreciar esse filme é vendo na maior tela que tem em sua cidade. Se você ainda é defensor do formato 3D, lhe adianto: não há nenhum momento em que a profundidade seja usada em sua totalidade.

As atuações são boas. Boyd Holbrook é o mais genérico dos protagonistas. Nem suas lutas com os bichões são espetaculares. Olivia Munn mostra que fica em pé de igualdade perante outras grandes atrizes. Ela pula, atira, dá facada e não demonstra timidez perante as cenas de ação. Keegan-Michael Key é o melhor alivio cômico deste filme. Dele, saem as melhores piadas, o colocando num patamar acima de todos, roubando até o protagonismo de Holbrook. Jacob Tremblay já mostrou a que veio desde O Quarto de Jack. E agora, mostra que sabe segurar as pontas, mesmo num filme de ação. Sua personalidade é bem construída e o destaque se dá quando mesmo parece entender a tecnologia alien do bichão.

O Predador é o filme de ação mais despretensioso deste ano. Um entretenimento digno de Sessão da Tarde. Se apoia em pegar o fã de longa e adaptar as coisas para os dias atuais. Não é o melhor filme do ano, mas pode lhe arrancar um risos.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.