24
set
2018
Crítica: “Uma Noite de Crime – Anarquia”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

Uma Noite de Crime – Anarquia (The Purge: Anarchy)

James DeMonaco, 2014
Roteiro: James DeMonaco
Universal Pictures

2.5

Todos nós já sofremos ou ainda vamos sofrer com a criminalidade em algum nível em nossas vidas, seja de forma direta ou indireta. Podemos ser vítimas na grande maioria das vezes, testemunhas, em outras. E numa sociedade em constante transformação, o que não faltam são exemplos, vistos que os números só tem aumentado a cada ano. Porém, vamos imaginar que, por uma noite, todos os crimes que você ou outras pessoas cometerem estarão passíveis de punição. Esse é o mote da franquia que tomou o mundo de assalto (3ª vez que uso esse trocadalho, vou ali ser vitima de expurgo e já volto): Uma Noite de Crime.

Estamos em 2023, um ano depois dos eventos ocorridos no primeiro filme. Faltam 2h30 para o começo de mais um Expurgo. Eva (Carmen Ejogo), uma funcionária de um café local, está em casa junto de seu pai Rico (John Beasley) e sua filha Cali (Zoe Soul). A garota assiste um vídeo de um homem que ela conhece como Carmelo Jones (Michael K. Williams), que é contra aos Novos Pais Fundadores e com a Noite de Crime. Enquanto isso, um homem chamado Leo (Frank Grillo) está se preparando até os dentes para se vingar durante a Noite. Do outro lado da cidade, o casal Shane (Zach Gilford) e Liz (Kiele Sanchez) está indo para a casa, porém ambos estão na mira de um grupo de pessoas que é a favor do Expurgo, que mal sabiam que já tinham cortado os fios do carro. Agora, sem veículo, o casal segue a pé a procura de um local para se abrigar durante as próximas 12 horas.

O Expugo começa. Eva prepara o jantar e Cali vai falar com o seu avô, porém ele já havia partido para uma casa onde ele se voluntariou para ser expurgado por uma família mais abastada em troca de dinheiro a sua família. A casa é invadida pelo vizinho Diego (Noel Gulieme), que é morto por um exercito particular de um homem conhecido como Big Daddy (Jack Conley). Leo anda pelas ruas no seu carro blindado e encontra as garotas e logo mata a equipe do Big Daddy. Ele as leva junto e acaba se deparando com Shane e Liz e logo o quinteto segue viagem. O carro sofre com os danos da arma de Big Daddy, porém Eva avisa que sua chefe Tanya (Justina Machado) tem um carro para que eles sigam em frente.

Se antes o clima era de apreensão e invasão, aqui o ritmo é de ação desenfreada: um misto de filme de guerra com suspense.

A direção é primorosa. Há vários ângulos de câmera bem explorados, seja o primeira pessoa com filtro de visão noturna, o plongê absoluto estilo Google Maps em várias sequências.

As cenas de ação, em grande parte, se resumem em tiroteios. Mas nos conflitos corporais, a ação é bem executada, a coreografia é plástica e os planos auxiliam no entendimento da geografia, mesmo se utilizando da famigerada câmera na mão a fim de dar mais impacto e ansiedade ao espectador que assiste a tudo.

O roteiro usa o artificio de três pontos distintos se convergindo para um único proposito. É bem executado, porém nada muito surpreendente ou mesmo que adicione algo novo. Porém, decidem colocar um subtexto forçado de que o governo participa ativamente do Expurgo de forma a fazer com que não acreditemos no que se diz respeito a legitimar o processo que “purificou” a nação americana.

O design de som é bem feito. Nas cenas de ação, não há uso de músicas instrumentais. Quem dita o que será ouvido são os tiros de armas sendo disparados a torto e a direita. Há presença de poucas músicas instrumentais, mas isso é feito em momentos selecionados com cuidado.

Os efeitos visuais são na medida. A maior parte dos efeitos ocorrem durante as mortes mais brutais, onde o sangue escorre a toda pressão. Várias vezes notasse que não houve um cuidado na pós produção e o sangue soa falso, sem peso, como em Hush – A Morte Ouve, tornando as mortes sem importância ou sem sentido.

As atuações são legais. Carmen Ejogo é a mãe superprotetora que por boa parte do filme não convence, mas quando ameaça o grupo, suas atitudes mudam e ela não exita em pegar numa arma. Zoe Soul inicialmente é debochada e irritante, porém sua atuação evolui quando precisa entrar em ação. Zach Gilford e Kiele Sanchez não são tão convincentes quanto um casal, porém há momentos em que se une que vemos uma química rolar, mas nada impactante. Quem realmente brilha no filme é Frank Grillo, sendo uma espécie de Justiceiro muito mais convincente que Jon Bernthal. Carmelo Jones aparece pouco e o tempo inteiro repete seu discurso contra o Expurgo.

Uma Noite de Crime – Anarquia é o capítulo dois de uma franquia que saiu do terror para a ação desenfreada que mais parece um filme de guerra com pitadas de suspense. Não há um grande desenvolvimento de personalidade nos personagens ou mesmo grandes conflitos internos. Serve apenas como filme a ser visto apenas uma única vez.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.