20
set
2018
Crítica: “Uma Noite de Crime”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

Uma Noite de Crime (The Purge)

James DeMonaco, 2013
Roteiro: James DeMonaco
Universal Pictures

3

Creio que digo por todos. O subgênero casa sendo invadida foi utilizado a exaustão. Seja por roubar algo de valor inestimável, seja por espíritos que habitam o local, enfim, sempre ouve a necessidade de colocar pessoas num único local, a fim de instaurar caos.

Pois bem, eis que surge pelas mãos da Blumhouse, mesmo estúdio de Atividade Paranormal e Verdade ou Desafio?, um filme que logo viria se configurar como uma franquia prolifica com direito a série derivada na Amazon Prime Video.

Estamos no ano 2022, nos EUA. O crime, a violência, o desemprego e a pobreza foram reduzidos a quase 1%. Isso porque agora existe um evento que toma conta do país: o chamado Expurgo. Basicamente, durante um único dia do ano, qualquer crime cometido está liberado por 12 horas e o culpado será preso ou julgado (Legal, né? A mesma coisa já tá rolando aqui no Brasil, porém, não é durante 12 horas, é o dia inteiro, 7 dias por semanas, 365 dias ao ano. E mesmo assim, ainda estamos sofrendo).

A família Sandin composta por James (Ethan Hawke), Mary (Lena Headey), Zoey (Adelaide Kane) e Charlie (Max Burkholder). James prosperou com a venda do sistema de segurança mais eficiente para a noite do Expurgo. A família segue a rotina antes do expurgo. Assim que o alarme é soado, a família aciona o sistema e fica teoricamente protegida durante as próximas 12 horas de crimes liberados. Enquanto isso, Charlie vê sua subindo a rua pelo monitor, um estranho (Edwin Hodge) todo machucado que está fugindo. Charlie desativa o sistema e deixa o homem entrar. Porém, logo James intervém. Mas não antes que Henry (Tony Oller) tentasse executar James na presença de todos. Quem acaba levando a pior é Henry, que leva alguns tiros disparados por James.

Mais tarde, um grupo de pessoas mascaradas liderado pelo autointitulado como Líder Educado (Rhys Wakefield) chega na casa e pede que a família dê ao grupo o estranho que está na casa. Se o homem não for entregue, então, o grupo invadirá a casa e matará a família Sandin.

O roteiro é bem amarrado. Consegue estabelecer uma premissa interessante, mas acaba precisando recorrer a clichês como ex-machina que acontece aos 10 minutos finais que soa forçado e sem propósito, tornando o encerramento muito esdruxulo e sem nexo. Ele gera bastante discussões como “se você pudesse fazer algo ilegal sem ser preso, você faria?” ou mesmo “o que é necessário para que um país extremamente consiga manter a taxa de criminalidade inferior a zero e, através disso, conseguir melhorar os índices socioeconômicos?”. É interessante, porém o filme não arrisca em ir além da superfície. Porém, o que faz o filme perder pontos é contar com o jogo de gato e rato que soa repetitivo, já que esse elemento já foi utilizado a exaustão e não trazer nada de novo a esse tipo de situação estressante.

A direção de arte é bem feita. As mascaras usadas pela gangue são bem interessantes, dignas dos grandes mascarados do cinema de terror. As roupas usadas pela gangue formam um constraste interessante, algo como serem elegantes matando quem quer que esteja em nosso caminho, pois tá tudo liberado. A casa dos Sandin é bem espaçosa, o que permite que o jogo de gato e rato que ocorre na maior parte do tempo se torne interessante.

A direção é competente. Várias vezes, vemos o mini drone construído por Charlie e logo vemos a câmera em primeira pessoa, numa visão bem colada ao chão. É um recurso bem inventivo e que poucos filmes se aventuram a fazer.

Não há jumpscares assustadores. Os sustos que temos são raros e nenhum funciona.

As atuações são interessantes. Ethan Hawke mesmo sendo o protagonista não tem carisma e sempre repete suas frases o tempo inteiro. Quem rouba a cena é Lena Headey. Mesmo apreensiva, ela mostra que tem presença e sempre consegue se impor em tela. Edwin Hodge também possui seu brilhantismo: fala pouco, porém seu personagem se torna marcante quando decide agir seja para se salvar ou para defender. Rhys Wakefield com seu discurso politico enlouquecido acaba virando o vilão que amamos odiar. É cirúrgico, compenetrado e sempre pronto para disparar frases de efeito.

Uma Noite de Crime é um filme com uma premissa interessante. Porém ao decidir fazer o velho jogo de gato e rato, decidir não dar enfoque direito a todos os personagens e enfiar uma solução apressada para o fim, torna-se uma experiência comum de grande potencial que foi desperdiçado.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.