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out
2018
Crítica: “Halloween (2018)”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

Halloween (2018)

David Gordon Green, 2018
Roteiro: Jeff Fradley, Danny McBride e David Gordon Green
Universal Pictures

3.5

Michael Myers. Quem diria, que em 1978, um homem silencioso de máscara branca empunhando uma faca, seria motivo de histeria coletiva entre os adolescentes da época, fazendo um alvoroço tanto no imaginário, como nas bilheterias, rendendo sequências cada vez mais diferentes e reinventando a própria cronologia 3 vezes?

Eis que (nem preciso mais fazer o trocadilho, vocês já estão fartos de tanto ouvir) Michael, assim como Jason, Freddy, Chucky, Leatherface e tantos outros volta para fazer mais algumas vitimas desavisadas.

Quarenta anos se passam desde os incidentes acontecidos em Halloween – A Noite do Terror. Os repórteres investigativos Aaron Korey (Jefferson Hall) e Dana Haines (Rhian Rees) vão até o sanatório de Smith’s Grove falar com Michael (Nick Castle/ James Jude Courtney/Tony Moran (sim, 3 intérpretes) ) , que permanecesse quieto, perante as tentativas audaciosas de Aaron tentar fazê-lo falar. Os repórteres chegam a casa de Laurie Strode (Jamie Lee Curtis), que está mais paranoica do que nunca. Além de ter fortificado sua residência, parecendo algo saído de Jogos Mortais, ela ainda sofre, pois teve dois casamentos sem sucesso e perdeu a guarda de sua filha ainda criança.

Alguns pacientes e Michael são transferidos para a prisão de segurança máxima. Junto deles, está o Dr. Sartain (Haluk Bilginer), um dos discípulos de Sam Loomis (Donald Pleasence). Porém, o ônibus cai e os pacientes ficam na rodovia a deriva. Na manhã de Halloween, Dana e Aaron estão num posto e Michael os encontra e os mata (não poderia ser diferente). Laurie ouve o ocorrido pela TV e invade a casa de Karen (Judy Grier), sua filha e a alerta sobre os perigos de Michael.

Durante a noite de Halloween, Michael perambula por Haddonfield e mata alguns amigos de Allyson (Andi Matichak), filha de Karen e neta de Laurie. O pequeno Julian (Jibrail Nantambu), que era cuidado por Vicky (Virginia Gardner) chama a policia até sua casa. Laurie chega até lá e encontra o delegado Frank Hawkins (Will Patton), que havia ajudado a prender Michael em 1978. Os dois encontram Michael, Laurie atira no ombro dele e o mascarado foge.

O ritmo da produção tenta ser similar ao de 1978. Ora vemos muito desenvolvimento de personagens, principalmente do passado, ora vemos Michael saindo por aí, fazendo sua matança já comum em todos os filmes da franquia (pelo menos, naqueles em que o assassino é o protagonista (essa história fica pra um outra vez)). Até parece interessante, porém decidem colocar subtramas como o doutor insano ter um desejo quase irrefreável de ver como seu paciente lidaria, confrontando sua maior nêmeses, podendo estudar tudo de perto, além do arco ridículo e sem importância dos jornalistas, que são descartados em menos de 10 minutos de filme, fazendo o espectador se questionar se a cena de abertura realmente faz sentido.

A trilha sonora não há o que comentar. John Carpenter volta a assinar a parte instrumental e, como já era esperado, o mesmo remixou uma nova versão do já icônico tema da série. Nada de novo no front.

A direção é competente. Vemos o mesmo estilo do longa de 78, planos sequencias de mortes, ou mesmo câmeras fixas e os personagens passando pelo cenário até resultar numa cena bem elaborada ou mesmo várias panorâmicas pelo cenário, a fim de mostrar o quão grandioso está. Porém, isso logo é substituído por várias que não adicionam nada a trama principal, fazendo tais momentos serem um certo respiro em meio a tanta encheção de linguiça.

Há alguns jumpscares, porém, não vá esperando algo como A Freira, onde a cada 5 segundos, tem algo atrás de você, pronto para te assustar. Aqui, o clima é mais introspectivo e prefere o silêncio para lhe aterrorizar. Bem bolado, mas nada comparável ao longa original. Uma das cenas mais tensas é a morte dos jornalistas num banheiro furreca de posto. A podridão do ambiente, misturado com a violência do vilão ameaçando invadir o lugar onde a jornalista está é tenso do inicio ao fim e é facilmente ao lado da luta entre Michael e Laurie uma das melhores cenas do longa.

As atuações são boas. Os merecidíssimos destaques vão para, evidentemente, Jamie Lee Curtis. Sua personagem é sempre irretocável, toda a vez que está em cena, ela rouba os holofotes e dá um baile em muito ator já consagrado e em novinho que aparece ontem. Judy Grier é a mãe mais zen de todas. Mesmo amando a mãe, ainda sofre com os absurdos que passou na infância, já que a mesma queria prepara-la para um futuro conflito com Michael. Andi Matichak é uma tentativa de “herdeira ao trono de Jamie Lee Curtis”, porém não há um grande momento onde vemos em sua personagem, uma Laurie da nova geração.

Haluk Bilginer é um Sam Loomis mais paranoico e louco. Porem, não possui o carisma de Donald Pleasence ou mesmo diálogos tão icônicos quanto o interprete do médico. Rhian Rees e Jefferson Hall são completamente desnecessários a trama principal e são mortos tão rapidamente como foram introduzidos. O trio Nick Castle, Tony Moran e James Jude Courtney está mais que sensacional. Tony faz as vezes do vilão sem máscara, James quando o mesmo está caçando e Nick é o responsável pela respiração icônica. Detalhe: Castle e Moran já foram interpretes do maníaco no primeiro filme e voltam a franquia depois de 40 anos.

Halloween (2018) é uma tentativa de esquecer (de novo) tudo o que fora feito até 1978. Mesmo possuindo diversas qualidades, rimas visuais a cenas icônicas do primeiro filme, falta muito para chegar ao espirito do original. É semelhante em alguns quesitos, porém não será possível esquecer do original.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.