09
out
2018
Crítica: “Punho de Ferro” (2ª Temporada)
Categorias: Críticas, Séries de TV • Postado por: Rafael Hires

Punho de Ferro (Iron Fist)

Raven Metzner, 2018
Roteiro: M. Raven Metzner, Jon Worley, Tatiana Suarez-Pico, Jenny Lynn, Declan de Barra, Matthew White, Rebecca Dameron, Melissa Glenn e Daniel Shattuck
10 episódios (50-61 min.)
Netflix

2.5

Um ano se passou desde a estreia de Punho de Ferro na Netflix. Depois do backlash (repercussão negativa por parte de um grupo gigantesco de pessoas) que a série sofreu, muitos se perguntavam se haveria uma nova temporada do herói e se deveríamos ter esperança de redimir os erros cometidos anteriormente. A resposta para primeira pergunta é sim, houve, já a segunda é algo que eu te convido a descobrir.

A série é a única que segue com as consequências imediatas depois dos eventos de Os Defensores. Danny (Finn Jones) agora é o responsável por cuidar da cidade, já que Matt Murdock/Demolidor (Charlie Cox) aparentemente morreu soterrado no prédio onde o grupo também formado por Jessica (Krysten Ritter) e Luke (Mike Colter) enfrentou o Tentáculo e Elektra (Élodie Yung).

Colleen (Jessica Henwick) fechou a academia depois de descobrir que seu ex-mentor Bakuto (Rámon Rodriguez) é um dos líderes do Tentáculo. Ela e Danny vivem uma vida de casal feliz e tranquila. Joy (Jessica Stroup) volta a Nova York com Davos (Sacha Dhawan) e ela quer se separar da Rand, por ainda estar irritada com Danny e Ward (Tom Pelphrey) não terem contado a ela de que seu pai estava vivo.

Davos ainda está ressentido por ter perdido o poder do Punho e por Danny ter abandonado K’un-L’un quando a cidade estava sob ataque. Enquanto isso, o Punho terá de lidar com as Tríades, sindicatos criminosos da máfia chinesa. E para ficar ainda mais interessante, Danny acaba por encontrar uma mulher chamada Mary (Alice Eve), que age de maneira estranha.

O roteiro ainda continua usando tramas secundárias, porém não no mesmo nível que na temporada anterior. Aqui, os rumos já estão bem explicitados desde o inicio, porém devo dizer que a adição de Mary ao enredo não teria feito grande diferença.

O ritmo é confuso. Ora vemos o desenvolver da mitologia do Punho de Ferro, ora vemos Colleen atrás de um objeto que tem o mesmo símbolo da espada de sua família, ora vemos Davos tentar acabar com Danny, ora vemos Ward lidando com seu vício, ora vemos Joy começando seu próprio negócio, ora vemos guerra e paz alternadamente ditando o dia das Tríades e ora vemos o desenvolvimento de Mary. Nunca sabemos qual é o foco principal e para onde a trama vai ser levada.

A direção de arte é bem feita. As partes onde mais se destaca são nos flashback onde vemos Danny e Davos ainda crianças em K’un-Lun e a luta derradeira de quem deve ser o escolhido para enfrentar Shou Lao, principalmente quando ambos vestem a icônica máscara do personagem. Se finalmente tivessem aderido ao uniforme em todas as cenas como em Demolidor, seria possível acreditar que Finn Jones é o Punho, porém essa breve menção sozinha, não satifaz o desejo dos fãs de verem seu personagem favorito na telinha.

As cenas de ação são mais trabalhadas. Os enquadramentos estão melhores, o número de cortes diminuiu, porém que tem o foco nas cenas são Davos e Colleen. Mesmo que ambos sejam talentosos, o personagem principal ainda é Danny Rand. Mesmo as coreografias tendo melhorado para o personagem, ainda assim, tem um certo ar falso quando ele está surrando todos ou usando os poderes do Punho.

As atuações são legais. Jessica Henwick é o destaque desta temporada. Mesmo seu arco de personagem tendo diminuído um pouco quanto a seriedade, é quem possui as melhores coreografias em cenas de ação. Finn Jones deixou de ser o desastre ambulante da temporada passada, mas ainda não convence. Sua motivação alterna entre ter o Punho de novo e tentar fazer as pazes com Davos (prioridades, cara). Jessica Stroup está mais apagada, sua motivação é monótona e sempre que está perto de seu irmão, decide fazer ou um comentário sarcástico ou dizer o quanto ele estragou a sua vida. E Tom Pelphrey tem uma motivação legal, porém é mal explorada e logo seu arco é descartado, servindo apenas para ser um parceiro de curto prazo de Danny.

Sacha Dhawan é o “irmão” cheio de inveja, pois ele era o “predestinado” e quer a todo custo pegar o que é seu “por direito”. Ele serve como a metáfora da corrupção quanto a ideais religiosos: ficou tão apegado a suas origens que, ao não aceitar que pudesse ser subestimado, decide que será implacável com o elemento que “corrompeu” sua vida e eliminará quem estiver por perto. Porém, essa motivação é martelada o tempo inteiro, tornando a mensagem repetitiva.

Alice Eve faz a personagem que entra na vida de Danny do nada que esconde segredos bombásticos. Os roteiristas tentaram amarrar o arco de sua personagem com os eventos ocorridos em Vingadores – Era de Ultron, porém soa forçado e sem proposito, já que o MCU não possui qualquer relação com o Universo Marvel/Netflix. Seu passado é interessante e sua personalidade mais agressiva beira a sociopatia. Possui momentos inspirados, principalmente quanto aos discursos que faz, porém quando está na personalidade mais branda, parece que a mesma está desconfortável e ofusca a personagem como um todo.

A segunda temporada de Punho de Ferro não é ruim, mas devido ao número de tramas paralelas desinteressantes, um protagonista que ainda precisa convencer que é o herói icônico, um constante número de personagem secundários sem motivação e uma amarração forçada ao MCU faz com a série seja dispensável. Veremos se o protetor de K’un-Lun ainda terá uma sobrevida, seja como membro dos Defensores ou como parceiro de Luke Cage, podendo ser a salvação ou a ruína das duas séries.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.