13
dez
2018
Crítica: “Aquaman”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

Aquaman

James Wan, 2018
Roteiro: Will Beall e David Leslie Johnson
Warner Bros. Pictures

4.5

Aquaman. O príncipe dos setes mares da DC sempre fora tratado como piada, seja nos próprios quadrinhos, mesmo sendo um membro fundador da Liga da Justiça. Agora, vem uma chuva de comentários, dizendo “Rafael, você pirou? Aquaman é foda, um personagem incrível, de mitologia complexa, interpretado por um dos atores de grande renome hoje em dia”. Pode ser hoje em dia, porém, vocês não fazem ideia do quanto o personagem virou sinônimo de coisa ruim.

Antes de falar do filme, vamos falar do personagem.

Aquaman foi criado por Paul Norris e Mort Weisinger, o personagem estreou na More Fun Comics #73 de novembro de 1941 (apesar de a capa dizer novembro, a revista chegou às bancas dos EUA em 25 de setembro de 1941). Na história, o próprio herói narra sua origem. Em suas primeiras aparições na Era de Ouro, Aquaman podia respirar debaixo d’água com brânquias, tinha força sobre-humana que lhe permitiam nadar em altas velocidades e podia se comunicar com vida do mar e mandá-los fazer o que quisesse. Inicialmente, ele foi descrito com a capacidade de falar com as criaturas do mar “na sua própria língua” ao invés de telepatia, e só quando estavam perto o bastante para ouvi-lo.

Embora ele fosse muitas vezes descrito como o “soberano do mar”, com as águas do mundo inteiro em seu “domínio” e quase todas as criaturas do mar com seus “súditos leais”, o título nunca foi oficial. As aventuras de Aquaman aconteceram em todo o mundo, e sua base era “um antigo templo na Atlântida perdida, mantido dentro d’água”, onde ele mantinha um trono solitário. Durante suas aventuras de guerra, a maioria dos inimigos do Aquaman eram comandantes nazistas de U-boot e vários vilões do Eixo.

O resto de suas aventuras nos anos 1940 e 1950, tinham ele lidando com vários vilões aquáticos, incluindo os piratas dos tempos modernos, como o seu arqui-inimigo de longa data Jack Black, bem como com as diferentes ameaças à vida aquática, às rotas marítimas e aos marinheiros. A última aparição do herói na More Fun Comics foi na edição 107. Depois disso, as aventuras do herói foram movidas junto com as do Superboy e Arqueiro Verde para a Adventure Comics, começando na edição 103 em 1946.

As aventuras do Aquaman continuaram na Adventure Comics durante os anos 1940 e 1950, como um dos poucos super-heróis que duraram até os anos de 1950 em publicação contínua. A partir do final da década de 1950, foram introduzidos novos elementos para a história do Aquaman, com vários personagens coadjuvantes adicionados e vários ajustes feitos ao personagem, suas origens, seus poderes e personalidade. O primeiro destes elementos foi na história Aquaman’s Undersea Partner em Adventure Comics #229 (Outubro de 1956), onde seu aliado polvo, Topo, foi apresentado pela primeira vez. Este e os elementos seguintes foram posteriormente, após o estabelecimento do Multiverso da DC na década de 1960, atribuído ao Aquaman da Terra-Um.

Na Adventure Comics #260 (Maio de 1959) e quadrinhos posteriores da Era de Prata, foi revelado que Aquaman era Arthur Curry, o filho de Tom Curry, um faroleiro, e Atlanna, uma exilada da cidade que respira embaixo d’água, na cidade submarina perdida de Atlântida. Devido à sua herança, Aquaman descobriu-se como um jovem que possuía várias habilidades sobre-humanas, incluindo poderes de sobrevivência embaixo d’água, comunicação subaquática, natação e valentia tremenda. Eventualmente, Arthur decidiu usar seu talento para se tornar o defensor dos oceanos da Terra. Em Superboy #171 (Janeiro de 1971), foi revelado que ele tinha, em sua juventude, se aventurado como Aquaboy e conhecido Superboy em uma ocasião. Quando Arthur cresceu, ele se chamou de Aquaman.

Mais tarde foi revelado em Aquaman #29 que após a morte de Atlanna, Tom Curry conheceu e casou com uma mulher humana normal e teve um filho chamado Orm Curry, meio-irmão de Aquaman. Orm cresceu como um jovem problemático na sombra de seu irmão, que sempre o socorreu dos problemas com a lei. Ele começou a odiar Aquaman não apenas pelos poderes que ele nunca poderia ter, mas também porque acreditava que seu pai sempre preferiu Aquaman. Orm desapareceu depois e se ficou com amnésia e voltaria à tona anos depois como o arqui-inimigo de Aquaman, o Mestre do Oceano.

Até o final dos anos 1950, a capacidade de Aquaman de falar com os peixes tinha sido expandida para pleno direito a comunicação telepática com criaturas do mar, mesmo a grandes distâncias, mas na Adventure Comics #256 (Janeiro de 1959), lhe foi também retroativamente dado uma fraqueza específica semelhante à vulnerabilidade de Superman com a criptonita ou a vulnerabilidade do Lanterna Verde com a cor amarela: Aquaman tinha que entrar em contato com água pelo menos uma vez por hora, ou ele morreria (antes disso, Aquaman poderia existir dentro e fora da água por tempo indeterminado). Este problema foi mais tarde explicado como uma característica de todos os atlantes.

Aquaman foi incluído na série de quadrinhos da Liga da Justiça, aparecendo com a equipe na sua primeira aventura em The Brave and the Bold #28 (Fevereiro-Março de 1960). Foi membro fundador da equipe, como mostrado em um flashback em Justice League #9 (Fevereiro de 1962). Aquaman participou da maioria das aventuras da equipe dos anos 1960. Com a Adventure Comics #269 (Fevereiro de 1960), o elenco de apoio de Aquaman e galeria de vilões começaram a crescer com a adição de Aqualad, um exilado jovem órfão de uma colônia atlante que Aquaman adota e de quem se torna mentor.

A Adventure Comics #264 (Setembro de 1959) introduziu a cidade submersa fictícia de Nova Veneza, que mais tarde foi revelada sendo baseada na Flórida, e que também se tornou a base de operações de Aquaman por um tempo no início de 1980, começando com a World’s Finest Comics #263 (Junho-Julho de 1980). Aquaman, eventualmente, encontra os atlantes e torna-se seu aliado. Ele foi reconhecido como filho de Atlanna e posteriormente eleito para ser o rei após a morte do ex-regente, que não tinha herdeiros.

Por esta altura, Aquaman tinha encontrado Mera, uma rainha de uma dimensão submarina, e ele se casou com ela ao mesmo tempo que era coroado rei de Atlântida, Aquaman #18 (Novembro-Dezembro de 1964). Eles logo tiveram um filho, Arthur Jr. (apelidado de “Aquababy”) na edição 23. A série dos anos 1960 apresenta outros arqui-inimigos, como o Mestre do Oceano (o meio-irmão com amnésia de Aquaman, Orm), Arraia Negra, o Pescador, o Corsário e a organização terrorista conhecida como O.G.R.E.

Outros membros recorrente do elenco de Aquaman introduzidos nesta série incluem o bem-intencionado, mas irritante Qwsp (um duende da água); Dr. Vulko, um cientista confiável atlante que se tornou conselheiro real de Aquaman e a quem, eventualmente, nomeia para ser o rei depois de deixar o trono, e Tula (conhecida como Aquagirl), uma princesa atlante que tinha interesse em Aqualad.

Depois de se tornar rei de Atlântida, Aquaman iniciou uma política de lenta reintrodução da Atlântida outrora secreta para o mundo da superfície. Depois de ser temporariamente afastado do trono pelo Tubarão (a quem ele derrotou), Aquaman tomou a decisão de deixar o trono para se tornar um super-herói mais tradicional, e Dr. Vulko foi eleito como o novo rei. Em meados da década de 1980, após o cancelamento de sua série própria, Aquaman foi brevemente feito líder da Liga da Justiça.

Em uma história contada em Justice League #228-230, uma invasão na Terra por uma raça de marcianos ocorreu em um momento em que os membros principais estavam sumidos. Aquaman foi assim forçado a defender a Terra com uma Liga tão empobrecida em potência e capacidade, e levou-a a se desmantelar completamente em Justice League Annual #2, depois de reformá-la com novos estatutos, impondo aos membros participação plena nos casos da Liga.

Com a ajuda do Caçador de Marte, Zatanna e Homem-Elástico, veteranos membros da Liga da Justiça dispostos a se comprometerem completamente com a equipe, Aquaman recrutou e treinou quatro membros novos e inexperientes, Cigana, Vibro, Vixen e Comandante Gládio. Também mudou a sede da equipe para um lugar reforçado em Detroit, Michigan, após a destruição da sede do satélite da LJ durante a invasão. A participação de Aquaman nesta nova versão da Liga terminou na edição 243 (Outubro 1985), quando renunciou para reatar seu casamento com Mera.

Depois da série limitada Crise nas Infinitas Terras de 1985, várias minisséries foram produzidos no final dos anos 1980 e início dos anos 1990, começando em 1986, com Aquaman de quatro edições (Fevereiro-Maio de 1986), escrita por Neal Pozner, com o herói em um novo uniforme azul-marinho. A série foi bem recebida e uma continuação veio a ser trabalhada, mas acabou por ser cancelada devido a problemas criativos.

A série também expandiu em vários detalhes a origem do Aquaman da Era de Prata, bem como a relação de Aquaman com seu meio-irmão, Mestre do Oceano, cuja origem foi recontada em detalhes completos. A série também adicionou elementos místicos para mitologia de Aquaman e reinventou o Mestre do Oceano como um feiticeiro. Aquaman reapareceu em seu traje azul na Aquaman Special #1 (1988). Em finais de 1988, o personagem apareceu no crossover Invasão!, co-estrelando com a Patrulha do Destino, novamente no traje laranja e verde.

Em 1989, a revista Legend of Aquaman Special (oficialmente intitulada como Aquaman Special #1 em indícios legais dos quadrinhos) reescreveu a mitologia e a origem de Aquaman, embora mantendo a maioria de sua história da Era de Prata intacta. O especial foi escrito por Robert Loren Fleming, com arte da trama de Keith Giffen e esboços por Curt Swan. O Aquaman da Era Moderna nasce como Orin da rainha Atlanna e do misterioso feiticeiro Atlan na cidade atlante de Poseidonis.

Como um bebê, ele foi abandonado em Mercy Reef (que está acima do nível do mar na maré baixa, fazendo-o ficar exposto ao ar, o que seria fatal para os atlantes) por causa de seu cabelo loiro, o que foi visto pelos supersticiosos atlantes como um sinal de uma maldição que eles chamavam de “a Marca de Kordax”. O único que falou que estava do lado de Orin foi Vulko, um cientista que não tinha paciência com mitos ou superstições. Enquanto seus fundamentos caíram em ouvidos surdos, Vulko mais tarde se tornaria um grande amigo e conselheiro do jovem Orin.

Como uma criança selvagem que se criou sozinha nos confins do oceano com somente as criaturas do mar para lhe fazer companhia, Orin foi encontrado e recolhido por um faroleiro chamado Arthur Curry, que colocou o nome de “Arthur Curry Jr.” em Orin. Um dia, Orin voltou para casa e descobriu que seu pai adotivo havia desaparecido, então ele partiu sozinho. No início da adolescência, Orin aventurou-se no extremo norte, onde conheceu e se apaixonou por uma garota Inupiat chamada Kako. Ele ganhou o ódio de Orm, o futuro Mestre do Oceano, que mais tarde foi revelado ser meio-irmão de Arthur, sendo filho de Atlan com uma mulher Inupiat. Orin foi expulso antes que ele pudesse descobrir que Kako estava grávida de seu filho, Koryak.

Orin voltou para os mares permanecendo fora da vista da humanidade por um tempo, até que descobrir Poseidonis. Ele foi capturado pelo então governo ditatorial da cidade e colocado em uma prisão, onde conheceu Vulko, também um prisioneiro do estado, que ensinou Orin o idioma e os modos dos atlantes. Enquanto Orin estava lá, percebeu que sua mãe também estava sendo mantida em cativeiro, mas depois de sua morte, ele saiu e fugiu. Eventualmente, ele seguiu para a superfície, onde, sob o nome de Aquaman, se tornou um dos vários super-heróis emergentes para a opinião pública da época. Após seu retorno à Poseidonis, foi feito rei, e um tempo depois ele conheceu e se casou com Mera. A história de Aquaman da Era Moderna é quase idêntica à da Era de Prata a partir deste ponto.

Conforme detalhado na série limitada de cinco edições Aquaman (Junho-Outubro de 1989), que continuou alguns dos temas da Legend of Aquaman Special, Mera acabou sendo levada à loucura pela dor da morte de Arthur Jr., e foi internada em um hospício em Poseidonis. Pouco depois, uma força alienígena conquistou Atlântida. Arthur foi obrigado a salvar a cidade, mas foi impedido por Mera, que escapou, que pessoalmente culpou Arthur pela morte de seu filho. Em um acesso de raiva, Mera deixou a dimensão de Aquaman.

A publicação do escritor Peter David As Crônicas de Atlantis #1-7 (Jan-Ago de 1990), com Peter David e Esteban Maroto, que contou a história da Atlântida dos tempos antediluvianos até o nascimento de Aquaman, obteve sucesso e reviveu o interesse pelo personagem. Significativamente, foi nesta série limitada que os personagens antigos atlantes Orin e Atlan (que foi revelado ser o pai de Aquaman) foram introduzidos.

Uma nova série Aquaman, posteriormente durou de dezembro de 1991 a dezembro de 1992, e retratava a decisão relutante de Aquaman em permanecer em Poseidonis como seu protetor, mais uma vez. Por um tempo, atuou como representante do Atlantis nas Nações Unidas, mas sempre se viu empurrado de volta para o papel de super-herói. Tornando-se cada vez mais uma figura solitária e workaholic, Aquaman acabou retornando aos oceanos. Ele logo ficou enrolado em mais uma tentativa de Arraia Negra de destruir Atlantis, arrastando-a em uma guerra com uma nação da superfície.

Peter David retornou ao personagem em outra série limitada, Aquaman: Time and Tide, uma série de quatro edições de 1993–1994 que explicava ainda as origens de Aquaman, quando ele finalmente aprendeu tudo sobre a história do seu povo através das Crónicas de Atlantis (apresentados como textos históricos transmitidos e atualizados através dos séculos).

Aquaman descobriu que seu nome de nascimento era Orin e que ele e seu inimigo Mestre do Oceano compartilhavam o mesmo pai, “um antigo feiticeiro de Atlântida”, chamado Atlan. Esta revelação enviou Orin a um ataque de raiva e depressão, preparando o palco para os confrontos entre os dois mais tarde, como foi dito nas crônicas que “dois irmãos também batalham pelo controle de Atlântida” (o Aquaman da Era de Prata sempre soube que o Mestre do Oceano era seu meio-irmão Orm, embora a amnésia de Orm tenha o impedido de lembrar esse fato há algum tempo).

Aquaman ganhou sua própria série novamente com a publicação de Aquaman #1 (Agosto de 1994), inicialmente escrito por Peter David, no seguimento de Aquaman: Time and Tide. Esta série nova foi a mais longa do personagem, que durou até sua edição de 75. David deixou a série após a edição #46 (julho de 1998), depois de trabalhar nela por quase quatro anos. David começou dando uma aparência a Aquaman inteiramente nova, abandonando a sua aparência escrupulosa anterior.

Após suas descobertas com a leitura das Crônicas de Atlântida durante a série anterior, Aquaman se retirou do mundo por um tempo. Garth o encontra semanas mais tarde, com seus cabelos longos e barba crescida, meditando em sua caverna. Logo após, Aquaman perde a mão esquerda, quando o louco Charybdis rouba sua capacidade de se comunicar com a vida marinha e coloca a mão de Arthur em uma piscina infestada de piranhas.

Isso faz com que Aquaman se torne um pouco desequilibrado, e ele começa a ter sonhos proféticos e, em seguida, na necessidade de um “símbolo”, coloca uma ponta de arpão na mão esquerda no lugar da mão ausente. Sua camisa laranja clássica é rasgada em uma batalha com Lobo, e ao invés de substituí-la ele fica sem camisa durante um tempo antes de vestir uma manica de gladiadores. Após a destruição do arpão, Aquaman o substituiu por uma prótese cibernética dos Laboratórios S.T.A.R. Este novo arpão tem um carretel retrátil que ele pode controlar totalmente.

A trama principal, culminando na edição 25, afeta as Cinco Cidades Perdidas de Atlântida. Diante de uma espécie invasora sobrenatural ligada à origem dos atlantes, Aquaman tem que procurar e unir as cidades perdidas. Essa história o estabelece como um Rei Guerreiro, e ele se torna uma grande potência política, dominando amplamente sem controvérsia todas as cidades de Atlântida. O restante da série de David focou-se em Orin chegar a um acordo com o seu patrimônio genético e seu papel como um rei.

Durante esse tempo, ele descobre os restos de uma nave alienígena senciente sob Poseidonis, e consegue assumir o controle da mesma, retornando Poseidonis à superfície e trazendo Atlântida em maior contato com o mundo exterior. As mudanças culturais que este traz, incluindo o turismo aumentado, bem como seus deveres conflitantes como super-herói e rei, levam ele a aumentar a tensão com o poder político em sua cidade. Após uma breve passagem de Dan Abnett e Andy Lanning, David foi substituído como escritor por Erik Larsen na edição 50 (Dezembro de 1998) e novamente por Dan Jurgens na edição 63 (Janeiro de 2000). A série terminou com a edição 75 (janeiro 2001).

Durante esse tempo, sua esposa Mera volta, da dimensão sobrenatural onde ela tinha sido presa, agora sã novamente, e Aquaman estritamente evita um golpe de Estado orquestrado por seu filho Koryak e seu assessor Vulko. Seu segundo arpão é também destruído, dessa vez em uma batalha com Noble, rei dos Lurkers; ele o substitui com uma mão dourada protética desenvolvida por cientistas de Atlântida, que pode mudar de forma ao seu comando, mantendo assim os poderes do arpão, mas sendo mais universal. Depois de uma breve guerra com uma nação insular, Aquaman expande a superfície de Atlântida anexando tal país à Atlântida.

Aquaman não teve sua própria série regular de 2001 a 2003, mas sua trama passou por vários acontecimentos através de suas pequena aparições em vários outros títulos. Aquaman tinha voltado à Liga da Justiça quando ela se reformou e continua ativo, embora por vezes sendo um membro relutante dessa equipe até a saga Mundos em Guerra em 2001 (logo após o cancelamento da quinta série do herói), durante o qual Aquaman e a cidade de Poseidonis desaparecem e são presumidos como destruídos. Em seu lugar, estava simplesmente uma fenda enorme na água do oceano, com uma grande estátua espectral de Aquaman em pé sobre ela.

A Liga da Justiça, eventualmente, descobre que a cidade ainda estava lá, magicamente protegida, mas em ruínas e aparentemente desabitada. Os atlantes foram presos no passado antigo, onde Aquaman tinha tomado eles como última medida, quando parecia que a cidade seria destruída. Lá, no entanto, eles foram escravizados por seus próprios antepassados atlantes, liderados por uma feiticeira poderosa chamada Gamemnae, e Aquaman foi transformado em água viva e preso em uma piscina ornamental. Com o tempo, essa civilização havia caído até que só Gamemnae, agora imensamente poderosa, habitava as ruínas.

Depois de alguns meses de seu tempo – mas 15 anos para os atlantes – a Liga liberta o herói no enredo da Era Obsidiana. Com a ajuda de Asa Noturna, Mulher-Gavião, Nuclear, Zatanna e Manitu Raven, – sendo os quatro primeiros membros da “Liga da Justiça reserva”, que tinham sido reunidos por um programa automático criado por Batman, que mandou depois a Liga desaparecer no passado – Aquaman é libertado de sua prisão na piscina, Nuclear ligando a piscina ao mar e Zatanna aumentando os seus poderes de forma que ele pudesse agora controlar todo o oceano como um espectro da água.

Com este poder, Aquaman conseguiu cortar a conexão de Gamemnae com a cidade afundando-a no mar outra vez. Enquanto ele lutava com Gamemnae, os membros da Liga trouxeram os atlantes modernos para o presente, onde eles poderiam começar a reconstruir a cidade, que no presente também estava mais uma vez no fundo do mar. Uma sexta série começou pouco depois, inicialmente escrita por Rick Veitch, que procurou colocar Aquaman em uma direção mais mística. Escritores posteriores que contribuíram para a série incluem John Ostrander, Will Pfeifer, Tad Williams e John Arcudi.

Esta série teve 57 edições a partir de fevereiro de 2003; começando com a edição 39 (abril de 2006), após os acontecimentos da Crise Infinita, ela foi renomeada para Aquaman: A Espada de Atlântida. Aquaman foi responsabilizado pelo seu povo pela decisão inicial de levá-los de volta no tempo, e o condenaram à morte. Ele fugiu, e encontrou a Dama do Lago, que lhe deu uma nova mão protética composta de água mística com propriedades incomuns. De lá, ele retornou gradualmente à sua aparência normal – camisa laranja, cabelo curto e sem barba – mas não retornou à sua cidade por vários anos.

Mais tarde, Aquaman foi para San Diego depois de um terremoto jogar metade da cidade no Oceano Pacífico. Ele descobriu que muitas pessoas tinham sobrevivido à catástrofe, de alguma forma ganhando a capacidade de respirar debaixo d’água, e ele começou a ajudá-los a reconstruir a parte submersa da cidade que agora se chamava “Sub Diego”. Durante este tempo, Aquaman pegou uma nova companheira chamada Lorena, que se tornou a nova Aquagirl: ela foi a única do povo de Sub Diego que reteve a capacidade de respirar o ar, assim como a água.

O exílio de Aquaman acabou por ter sido orquestrado por uma classe de feiticeiros que havia chegado ao poder usando os conhecimentos adquiridos na Era Obsidiana. Como uma distração hipertextual para a recepção positiva da nova série, uma cena de Sete Soldados de Grant Morrison, mostra Aquaman ganhando o prêmio “Melhor Regresso” em uma convenção popular de super-heróis.

Pouco tempo depois, durante a Crise Infinita, Atlântida foi destruída pelo Espectro, e muitos de seus cidadãos foram mortos, incluindo o filho de Aquaman, Koryak, e seu amigo mais antigo (e figura paterna), Vulko. Aquaman levou os sobreviventes para Sub Diego na esperança de que os dois povos pudessem ajudar uns aos outros. Quando Arraia Negra atacou a cidade submersa, Aquaman o derrotou e o deixou para morrer, cercado por peixes carnívoros (que mais tarde foi revelado que Arraia sobreviveu, embora não ficasse claro que Aquaman tivesse a intenção de assassiná-lo).

Seguindo os eventos de Um Ano Depois (começando com Aquaman #40) a série foi rebatizada Aquaman: Espada de Atlântida e levada a uma direção totalmente diferente pelo escritor Kurt Busiek. Aquaman está desaparecido e dado como morto. Um jovem com o nome de Arthur Joseph Curry é convocado pelo misterioso Morador das Profundezas para assumir o manto do Aquaman, mas gradualmente o Morador aparece sendo Aquaman, tendo perdido muito de sua memória e foi estranhamente transformado, ao ganhar poderes mágicos.

Essas mudanças foram explicadas só mais tarde: durante o “ano perdido” retratado na série de quadrinhos semanais 52, Aquaman faz uma breve aparição no memorial ao Superboy. Um tempo depois, Ralph Dibny, aparentemente acompanhado pelo capacete do Sr. Destino, conhece Orin barbudo, de cabelos compridos e com amnésia nas ruínas de Atlântida.

Orin tinha feito um pacto com os deuses do mar, numa tentativa desesperada de ganhar o poder para salvar a vida de vários habitantes de Sub Diego, que haviam perdido a capacidade de viver na água. Usando os ossos de sua mão decepada em um ritual mágico, os deuses do mar deram a Orin o poder de elevar Sub Diego para terra firme. No entanto, Orin se transformou no Morador das Profundezas como um efeito colateral por obter suas novas habilidades e perdeu sua memória como resultado. O destino que ele previu para Arthur Joseph Curry era uma lembrança confusa de seu próprio passado. Tentando ajudar o seu sucessor, Orin foi assassinado por Narwhal.

Após a recepção do corpo de Orin, os membros da Liga incluindo Superman, Batman, Lanterna Verde e o Flash, verificaram o corpo em Atlântida e desejaram o melhor para Mera e o novo Aquaman. O Aquaman Orin aparentemente reaparece em Atlântida durante a Crise Final para afastar as forças de Darkseid, mas o Aquaman que surgiu foi revelado sendo de outra Terra no multiverso. O aparecimento deste Aquaman foi percebido mais tarde por Hal Jordan e Barry Allen como um boato sem fundamento, já que o Aquaman nunca foi visto nem ouvido novamente.

Algum tempo entre sua morte e o início de A Noite Mais Densa, o corpo de Orin foi mudado e enterrado na terra em Mercy Reef ao lado de Tom Curry, de acordo com seus últimos desejos. Em Blackest Night #1, Garth retorna à Atlântida e diz à Mera, esposa de Orin, que ele está irritado com a ideia do corpo de Aquaman estar enterrado na terra. Mera conta para Tempest que Orin se sentia seguro em terra e que é realmente o que ele queria. Um tempo depois, um anel de poder negro é visto entrando no túmulo de Orin, lhe ordenando a se levantar.

Aquaman levanta com Tula e Delfim, exigindo que Mera se encontre com ele na morte (mesmo oferecendo uma chance de ver seu filho novamente). Garth é assassinado e se junta à Tropa dos Lanternas Negros. Mera luta contra o cadáver reanimado de Orin (negando que ele é seu marido) antes de fugir. Em Coast City, depois de Mera se tornar uma Lanterna Vermelha, Orin diz à Mera que eles poderiam ser uma família e mostra a ela seu filho. Mera diz que nunca quis filhos e queima o corpo do filho. Ela então persegue Aquaman.

No clímax de A Noite Mais Densa, Aquaman e os outros membros da Tropa dos Lanternas Negros são chamados para enfrentar a Tropa da Luz combinada. Quando a Entidade Branca recupera os heróis que haviam sido ressuscitados, ela corta ligações com os doze Lanternas Negros e os ressuscita. Aquaman estava entre os ressuscitados, e ele estava junto a sua esposa. Porque o anel do poder negro ajudou a reconstruir o corpo de Orin, quando ele ressuscitou, sua mão lhe foi devolvida.

Aquaman e Mera passaram a noite juntos no farol da Baía da Anistia, mas de manhã, Mera encontra Arthur no cais, olhando o mar e perguntando por que ele foi ressuscitado. Mera conforta o marido e o convida para nadar com ela, mas Arthur hesita, vendo apenas a sua forma de Lanterna Negro refletida de volta para ele na água. Mais tarde, ele e Mera interceptam um navio pirata que havia sequestrado crianças de um navio de cruzeiro. O casal domina os criminosos, mas um outro barco surge e abre fogo contra eles.

Aquaman chama a vida marítima para ajudá-lo e uma lula gigante responde a chamada, mas quando a criatura chega á superfície, tanto Aquaman quanto Mera ficam horrorizados ao ver que a lula tinha sido morta há muito tempo. A lula morta-viva começa a destruir o barco e mata todos os marinheiros a bordo, apesar de Aquaman lhe dizer para parar. Quando um dos piratas tenta atacá-los, um tubarão morto-vivo salta para fora da água e arrasta o homem para o mar. Desafiador estava assistindo usando o seu anel do poder branco e era incapaz de explicar como Aquaman conseguiu manter uma de suas habilidades de Lanterna Negro.

Para piorar as coisas, Aquaman causa (por de meios não esclarecidos) a morte de toda a vida marinha nas áreas em que ele nada. Aquaman vai aparecer em uma praia tentando controlar a vida marinha ao lado de sua esposa. Ele lança um feixe de telepatia e uma baleia-assassina morta-viva, já apodrecendo, salta para fora da água e o ataca. Ele é puxado para debaixo d’água, mas logo derrota a fera. Mera traz à tona que os cientistas de Atlântida poderiam ajudá-lo com a sua “habilidade” de convocar vida marinha morta mas ele rapidamente rejeita. Ele diz que as pessoas só vem a ele quando precisam de ajuda, mas logo o expulsam depois dele fazer o combinado.

Mera diz que ela vai para casa quando Aquaman fala sobre seu povo e a casa dela. Eles se abraçam, mas parece que Mera duvida sobre o que ele se transformou. Enquanto limpava um derramamento de óleo, ele e Mera são atacados por soldados do mundo natal de Mera e os liderando estava Sereia. Enquanto Mera puxa Aquaman para longe deles, ela revela que foi enviada para matá-lo.

Ela também sugere que, apesar do exílio de longa duração de seu povo, os soldados de Xebel tinham sido inimigos do Arraia Negra por um tempo, antes mesmo da primeira aparição pública do Aquaman, e afirma que, apesar da missão original de Mera ser sozinha, Sereia está agora apoiada por todo o Esquadrão da Morte, soldados de elite de Xebel às ordens da princesa. Mera explica depois que Sereia é sua irmã mais nova.

É dito a Aquaman pela Entidade para encontrar Jackson Hyde antes de um segundo grupo não identificado. Enquanto isso, Desafiador e Columba aparecem, teleportado pelo anel do poder branco, depois de enfrentar Deadman com esse conhecimento. Aquaman começou a pesquisar sobre a aparência de Jackson, porém sua esposa Mera alega que ela sabe quem é o Jackson. Enquanto isso, Aquaman encontra o próprio Jackson. Quando Arraia Negra e Sereia tentam matar o pai adotivo de Jackson, Aquaman chega a tempo, defendendo a família de Jackson de seus ataques.

Aquaman pega Jackson e seu pai adotivo e o leva em segurança onde tudo pode ser explicado. Usando o mapa, os dois descobrem uma caixa trancada que só Jackson pode abrir. É revelado em uma conversa entre os dois que a origem do Aquaman da Era de Prata foi restabelecida e ele é mais uma vez o filho meio-humano de Tom Curry e de uma rainha atlante. Depois disso, a caixa é aberta, uns itens que Mera havia deixado para Jackson, principalmente um uniforme de soldado xebeliano e um par de “Portadores da Água”, construções metálicas que o ajudam a controlar suas habilidades de manipulação de água.

Sendo parte de Os Novos 52, o relançamento de toda a linha de super-heróis da DC em 2011, a equipe criativa inicial era formada por Geoff Johns, Ivan Reis e Joe Prado na nova série Aquaman, cuja primeira edição foi lançada em 28 de Setembro de 2011. Os três criadores permaneceram no título nas 16 primeiras edições. Que subsequentemente levaram ao primeiro crossover ligado ao Aquaman em anos, “O Trono da Atlântida”. A série relançada cimenta o status de Aquaman como o filho meio-humano de Tom Curry e Atlanna, onde o vemos retornar à Baía da Anistia com Mera.

Sentido-se angustiado pelo tratamento severo dado aos oceanos durante seu reinado em Atlântida, Aquaman decide abdicar do trono e retorna ao heroísmo em tempo integral. No entanto, ele agora tem que lidar com sua pouca reputação com o grande público, que o vê como um meta-humano “menor” com poderes menos impressionantes do que seus pares. Ele também é novamente um dos mebros fundadores da Liga da Justiça e membro principal da equipe.

É mostrado em Aquaman #7 que no início da sua carreira, Aquaman se uniu com um misterioso grupo conhecido como Os Outros, formado pelo próprio Aquaman, a garota indígena brasileira Ya’Wara e sua pantera, um russo conhecido como Vostok, um ex-veterano do exército chamado Prisioneiro de Guerra, O Agente e uma iraniana chamado Kahina, A Vidente. Todos Os Outros têm com si uma relíqua encanta da Atlântida. De 2014 a 2015, foi lançada a série independente Aquaman and the Others.

Após a saga de 2015, Convergência, Aquaman recebeu um novo visual na edição 41. Ele foi deposto do trono por Mera, nova Rainha da Atlântida, que agora está caçando Aquaman como um fugitivo, ao longo do caminho, Arthut adquire novos poderes e novos equipamenos que lhe dão acesso a poderes místicos. Em sequência, mostra-se que Atlântida está agora administrada pela irmã de Mera, Sereia, que a mantêm prisioneira.

Agora que você sabe melhor sobre o personagem, vamos ao filme.

Durante uma tempestade no Maine, o faroleiro Thomas Curry resgata uma mulher (Nicole Kidman) na baía. Logo descobrimos que ela se chama Atlanna, princesa do reino submerso de Atlântida. Os dois se apaixonam e acabam tendo um filho. Ela é perseguida pela guarda real e acaba tendo de voltar para o mar, pois havia saído de um casamento arranjado. E como resultado, ela é sacrificada para o Fosso. Thomas passa a criar Arthur sozinho. Arthur começa a desenvolver seus poderes e logo o vemos num confronto com piratas.

O líder dos piratas Jesse Cain acaba sendo morto e seu filho David (Yahya Abdul-Mateen II)jura Arthur de vingança. Depois de um ano da invasão do Lobo da Estepe em Liga da Justiça, Arthur agora lida com sua vida, além de ser reconhecido pelos humanos como Aquaman. Cansado dos humanos atacando o mundo submarino Orm (Patrick Wilson) tenta convencer Nereu (Dolph Lundgren) a se unir para atacar a superfície, principalmente depois de um ataque de David ao seu local de reunião. Eis que Mera (Amber Heard) descobre e alerta Arthur, porém o mesmo a ignora e sai com o seu pai. Uma onda gigante aparece causando caos e destruição e Aquaman parte com Mera para impedir os planos de Orm.

O roteiro tem muitas influencias da fase de Geoff Johns do personagem. Não apenas na questão de tornar o personagem grandioso, mas sim em apresentar Atlântida como um lugar rico de diversidade tanto em fauna como em flora. É fácil comparar a primeira cena onde vemos Atlântida com a lua Pandora de Avatar, só mudando a questão de ser no espaço para ser embaixo d’água. Além disso, é o filme mais livre da Casa das Lendas, repleto de piadas (algumas engraçadas, outras nem tanto).

Outro ponto válido a ser apontado é a direção de arte. Muito rica em detalhes, não apenas na questão do cenário, mas também nos adereços, nos veículos, nos objetos, nas armaduras. Tudo tem inspiração marinha e cheio de neons a se perder de vista.

A trilha sonora é boa. Vemos nas cenas iniciais o tema do personagem sendo tocado de uma maneira bem ponderada. Há algumas faixas de outros cantores como Depeche Mode, Roy Orbison, etc.

A direção é bem executada. James Wan se mostra presente em cada enquadramento do filme, sempre se utilizando de seu recurso estilístico mais reconhecido: a câmera fluída. Ela passeia nas cenas de ação por todos os lados, a fim de trazer ao espectador uma sensação de acompanhamento e imersão. O que Wan já havia feito em Invocação do Mal e Velozes e Furiosos 7, aqui é colocado no nível máximo.

As atuações são na medida. Jason Momoa dá um show. Rouba as cenas sempre que possível e seu carisma é magnético e faz o espectador esquecer do passado tenebroso do personagem mais zoado do mundo dos quadrinhos. Imponente, heroico e contundente. Amber Heard é o interesse amoroso de Momoa, mas não é a típica donzela em perigo. Ela é inteligente, forte, decidida e sabe se virar quando é preciso. Patrick Wilson é o típico vilão que quer dominar o mundo. Mesmo possuindo uma certa razão, tentando alertar sobre os perigos que os humanos acabam fazendo com os mares, ainda assim parece uma desculpa forçada com o intuito de mascarar sua inveja perante ao atlante da superfície.

Dolph Lundgren até possui uma certa importância inicialmente, mas logo é deixado para segundo plano. Willem Dafoe atua como o conselheiro do rei/tutor de Arthur. O ator consegue lidar com essa dupla personalidade, não deixando transparecer o lado de auxiliar de Arthur. Suas cenas de combate e ensinamentos com Aquaman são boas e bem exploradas. Nicole Kidman, mesmo não tendo muito tempo de tela, consegue se fazer presente. Yahya Abdul-Mateen II é o vilão quer vingança por ter visto Aquaman deixar seu pai morrer. Sua motivação soa mais convincente que a de Patrick Wilson, porém o mesmo é uma espécie de aperitivo para vermos as cenas onde Orm massacra os atlantes para poder ter o poder total.

Aquaman está longe de ser o filme perfeito, porém consegue ser mais uma redenção ao personagem que mesmo tendo sido estabelecido na Era de Prata e fora um dos membros fundadores do maior grupo de super heróis do mundo, ainda carregava uma certa aura de preconceito, além de ter sido relegado ao ostracismo. Esperemos que agora a DC comece a engrenar o seu universo de filmes da maneira certa.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade.