27
jan
2019
Crítica: “RBG”
Categorias: Críticas, Maratona Oscar 2019 • Postado por: Maisa Carvalho

RBG (RBG)

Julie Cohen e Betsy West, 2018
Roteiro: Julie Cohen e Betsy West
Magnolia Pictures

4

A história de Ruth Bader Ginsburg é fascinante para qualquer um, em 2018, além de render um filme estrelado por Felicity Jones (Suprema), também rendeu o incrível documentário indicado ao Oscar, RBG.

O ritmo é ótimo para um documentário, que muitas vezes podem ser maçantes, a história é boa, as entrevistas bem colocadas e, no geral, o filme consegue prender do começo ao fim.

Em RBG, as diretoras Julie Cohen e Betsy West contam a história da juíza, segunda mulher da história a ocupar uma cadeira na Suprema Corte dos EUA, desde sua graduação em direito por Harvard, até os seus casos mais famosos, que a levaram a posição que ocupa até hoje, aos 85 anos.

A juíza Ginsburg cresceu e estudou em uma época em que mulheres foram criadas para serem esposas e isso é o que esperavam dela. Com dedicação, perseverança e o apoio de seu falecido marido, Martin D. Ginsberg, ela conseguiu trilhar seu caminho no meio do mundo tão masculinizado do direito. Com muitos casos com um denominador comum, a discriminação com base no gênero, RBG criou uma carreira que abriu caminhos para jovens mulheres seguirem.

O documentário é um recorte de pouco mais de duas horas da carreira de Ginsberg. Do caso que lhe rendeu fama ao caminho da Suprema Corte, que foi ocupar em 1993, o filme também mostra a visão da família, dos estudantes que comparecem a suas palestras, a importância do trabalho da juíza e todos aqueles que admiram sua trajetória. Além de contribuir substancialmente para a legislação dos EUA, ela foi muito importante para conferir às mulheres direitos civis básicos.

Cohen e West conseguem trazer ao espectador muitas visões diferentes de pessoas cujas vidas se intercalaram com a da juíza. Além de mostrarem objetivamente casos que foram importantes para a história dos EUA e tudo o que seguiu estes acontecimentos.

Uma das melhores e mais interessantes partes do filme, é que elas também mostram como a internet e a cultura pop fizeram de Ginsberg um símbolo e um produto, com camisetas e frases da juíza transformadas em mercadoria. Neste trecho do filme, é dado destaque ao termo “Notorious RBG”, muito usado depois que um blog homônimo foi criado para dividir todas as conquistas da juíza para as mulheres e debater sobre seus casos. Além de com muito humor dividir memes e postagens inspiradas nas ações de Ruth.

Segundo o filme, Ruth Bader Ginsberg virou um ícone popular no país inteiro, inspirando feministas logo no começo de sua carreira e jovens calouras que pretendem seguir seus passos. O tema do filme é, definitivamente, muito importante e que este filme tenha sido feito, já é algo a ser celebrado, mas acima de tudo, é um bom filme, que acerta todas as notas certas do gênero documentário. Não é um filme perfeito, mas chega bem perto.



Não gosto da palavra "cinéfila", então digo que apenas que amo assistir a filmes e não tenho essa de não gostar de um gênero, para mim, se o filme for bom, pouco importa onde ele se encaixa. As histórias têm esse poder de despertar um encantamento em mim, por isso eu sempre vou atrás de mais e é por isso que eu vim escrever sobre elas aqui.