08
fev
2019
Crítica: “Boneca Russa”
Categorias: Netflix Radioativa, Pipoca Seriados • Postado por: Ana Gambale

Boneca Russa

Natasha Lyonne, Amy Poehler, Leslye Headland 2018
Roteiro: Natasha Lyonne, Amy Poehler, Leslye Headland, Allison Silverman, Cirocco Dunlap, Jocelyn Bioh e Flora Birnbaum.
8 episódios (25-30 min.)
Netflix

4

Boneca Russa, a série que estreou na última sexta-feira na Netflix e já conquistou 100% de aprovação do Rotten Tomatoes, tem Natasha Lyonne como a protagonista Nadia, uma mulher que morre na sua festa de aniversário de 36 anos, só pra acordar novamente no começo dela, no melhor estilo Feitiço do Tempo, ou, um filme que se aproxima ainda mais da premissa, A Morte de Dá Parabéns. Foi criada pela Natasha Lyonne junto a Amy Poehler e Leslye Headland.

Apesar de ser uma comédia de 8 episódios, a série consegue manter a repetição interessante. Antes de ver a série, pode-se pensar que Nadia morreria uma vez a cada episódio. Mas logo no piloto ela já morre duas vezes e termina no meio de sua terceira vida. Os episódios seguintes são então dedicados à protagonista procurando uma explicação do porque ela se encontra naquela situação. Novamente a série te leva a pensar que ela vai seguir por esse caminho, desviando do que foi eternamente criticado pelo grande público em Bird Box, e buscar uma revelação para o que está acontecendo. De fato, mesmo que esse fosse o propósito da personagem durante o resto da temporada, ela é divertida e não havia decepcionado até então. O que a série estava fazendo na verdade, era aproveitar o momento inevitável de Nadia procurando por respostas para apresentar diversos conflitos internos que ela tinha através dos personagens que iam aparecendo, além de jogar muito easter eggs que faziam um foreshadowing do que a série ainda preparava para a segunda metade da temporada. Eis que aparece Alan, uma pessoa que está vivendo a mesma coisa que Nadia, morrendo e resetando ao mesmo tempo que ela.

Alan é um personagem que aparece como um oposto de Nadia. Ela não gosta de criar intimidade, teve problemas no relacionamento com a sua mãe, e tem um ex-namorado que desesperadamente quer voltar enquanto ela relutantemente tenta se esquivar. Enquanto isso, Alan revive o momento em que sua namorada de oito anos termina com ele por não aguentar mais viver com suas neuroses. São dois extremos que enfrentam uma mesma consequência: têm uma vida solitária. Essa solidão, nos dois casos, se converte para uma personalidade um tanto egocêntrica. É meio difícil não se relacionar com algum aspecto desses dois personagens em algum momento da temporada. E é justamente essa relação entre os dois e a relação deles consigo mesmos que torna Boneca Russa tão diferente que tudo que tem sido lançado no mundo das séries.

Ao longo dos episódios, além de os dois protagonistas irem lidando com o que está acontecendo naquele momento da vida deles que se repete infinitamente, eles começam também a lidar com questões que estão com eles há muito tempo e eles nem tinham percebido até então. Quase como uma nova camada de suas personalidades é descoberta a cada morte. O que faz uma alusão ao que dá o nome à série (ou o que dá o nome à série faz uma alusão ao seu roteiro?).

Boneca Russa tem tudo pra ganhar uma segunda temporada. Segundo as criadoras, há um leque de opções para o que pode ser feito caso a série continue, falando até sobre a possibilidade de uma antologia. Essa última, com certeza é o que parece mais lógico, já que a temporada teve uma conclusão, e não é de hoje que mexer numa história concluída deu errado. Apesar disso, o primeiro ano foi bastante focado nos conflitos de Nadia, enquanto Alan definitivamente merecia um pouco mais de tempo de tela.

Independente disso, a série traz reflexões que são muito bem construídas e com as quais qualquer um pode se identificar e provavelmente o fez. O roteiro aqui faz um ótimo trabalho em criar uma tensão envolvendo o mistério principal, um drama para dar profundidade, momentos cômico – porque obviamente, é uma comédia –, além de manter o espectador querendo mais a cada fim de episódio. Boneca Russa é o típico seriado da Netflix pra passar um fim de semana maratonando (talvez até um dia, já que é bem curtinha).



Maratoneira oficial. Doida das séries e dos musicais. Apaixonada por Disney e apreciadora do terror fantástico. Tudo o que me fizer sair das leis da realidade eu to aceitando. Estudo cinema 7 dias por semana. Ainda há de chegar o dia que terei criatividade com palavras.