09
fev
2019
Crítica: “No Coração da Escuridão”
Categorias: Críticas, Maratona Oscar 2019 • Postado por: Maisa Carvalho

No Coração da Escuridão (First Reformed)

Paul Schrader, 2018
Roteiro: Paul Schrader
A24

4.5

Em um drama que materializa as ansiedades do século XXI, Paul Schrader equilibra fé e descrença no mundo de maneira delicada e preocupante. O longa rendeu a Schrader uma indicação ao Oscar de Melhor Roteiro Original.

O longa No Coração da Escuridão conta a história de Ernest Toller (Ethan Hawk), um ex-militar que após a perda de um filho se refugiou na fé. Toller é o líder de uma das mais antigas paróquias protestantes dos EUA. Ele se importa com a comunidade e dá espaço para seus fiéis se abrirem com ele.

Mary (Amanda Seyfried), uma das fieis mais devotas de sua congregação procura-o com algumas frustrações em seu casamento. Grávida, Mary se preocupa porque o marido está constantemente insinuando que não quer trazer uma criança ao mundo. Com isso, eles criam uma relação para tentar ajudar este homem que perdeu totalmente a fé no sentido da vida. As cenas entre as personagens do marido e do líder religioso são contrastantes e, ao mesmo tempo, complementares. A fé de um, a descrença do outro. As frustrações com os homens e a total confiança no divino.

É a partir de um acontecimento, no entanto, que Toller passa a ver com mais sentido os sentimentos de frustração e descrença do outro personagem, e começa a questionar a própria fé e o sentido de ter tanta fé em um mundo tão cruel, que aos poucos, está sendo destruído pelas próprias criaturas de Deus.

Os diálogos são certeiros e muito sutis, a introdução do tema principal, que gira em torno do que os humanos estão fazendo com o mundo. Os questionamentos de que mundo é esse que todos nós estamos deixando para as futuras gerações. Tudo isso sem mudar o tom do filme e do roteiro, sem sair do caminho delicado e íntimo que o filme estabelece logo no início.

É uma jornada, que espectador passa com Ethan Hawk, em uma das suas mais brilhantes interpretações até hoje. É um tipo de questionamento que acompanha o público por muito tempo depois do filme. Com um toque sutil de elementos fantásticos no fim, o longa é um daqueles que todo fã da sétima arte gostaria de ver sempre. Um filme questionador, mas não de forma agressiva, que aponta com a ficção, problemas muito reais, sem ser pretencioso.

O filme estreou em poucas salas no Brasil, infelizmente, mas é um daqueles que vale a pena procurar e, quem sabe, agora com a temporada de premiações, o acesso ao filme seja mais fácil, porque vale a pena.



Não gosto da palavra "cinéfila", então digo que apenas que amo assistir a filmes e não tenho essa de não gostar de um gênero, para mim, se o filme for bom, pouco importa onde ele se encaixa. As histórias têm esse poder de despertar um encantamento em mim, por isso eu sempre vou atrás de mais e é por isso que eu vim escrever sobre elas aqui.