01
fev
2019
Crítica: “O Primeiro Homem”
Categorias: Críticas, Maratona Oscar 2019 • Postado por: Maisa Carvalho

O Primeiro Homem (First Man)

Damien Chazelle, 2018
Roteiro: Josh Singer
Universal Pictures

4

O mais novo garoto prodígio de Hollywood, Damien Chazzelle, lançou seu novo filme em 2018, “O Primeiro Homem” chegou sem fazer muito barulho e passou batido nas telonas.

Chazelle é considerado um grande talento, já que desde seu primeiro longa Wiplash (2014) foi muito considerado nas maiores premiações do cinema. Em 2015 o filme venceu 3 Oscars: Melhor Mixagem de Som, Melhor Montagem e Melhor Ator Coadjuvante, para J. K. Simmons. Dois anos depois, La la land (2016) conseguiu 14 nomeações, das quais levou 5, incluindo Melhor Direção para Chazelle. Quando foi anunciado seu filme biográfico sobre Neil Armstrong, com a colaboração de Ryan Gosling, era esperado que o filme fosse mais reconhecido.

Baseado na biografia de James R. Hansen, sobre o primeiro homem a pisar na lua, o filme é um drama cuidadoso e íntimo, que não segue os clichês de filmes biográficos. A história é contada a partir da perspectiva de Armstrong e sua família. Basicamente uma história conhecida por quase todo o mundo, que poderia ter caído na fórmula pronta de filmes com grandes atos heroicos e uma superexaltação de uma conquista histórica para os EUA, se tornando mais um clichê no meio de tantos outros por aí.

O Primeiro Homem é, na verdade, acima de tudo um filme sobre personagens, e como todo o processo da missão Apolo 11 afetou essas pessoas. É mostrado como foi uma conquista perigosa, que tirou muitas vidas de astronautas exemplares da Nasa. Foi um trabalho duro e difícil, mas o foco não é a conquista, é o caminho. O espectador é levado em uma trajetória emocional da vida e dos traumas de Armstrong, com uma atuação delicada e muito certeira de Ryan Gosling, além da excelente Claire Foy, que vive Janet Armstrong e carrega uma das melhores cenas de 2018 nesse filme.

O longa não fez sucesso nas bilheterias e sua estreia, em outubro passo batida pelo público geral, apesar de ter recebido uma nota positiva da crítica nacional e internacional. O filme recebeu algumas indicações técnicas ao Oscar (Melhores Efeitos Visuais, Melhor Edição de Som, Melhor Mixagem de Som e Melhor Direção de Arte).

Contudo, o filme é emocionante, bem escrito e dirigido, um trabalho cuidadoso (como todo filme de Chazelle), além de ter cenas visualmente lindas, de tirar o fôlego. É uma história conhecida, contada de maneira íntima e sem qualquer pretensão de destacar o heroísmo norte-americano, é um filme na base pessoal, quieta, interna. É uma grande pena que a maior parte do público não foi apreciar em uma tela grande, para se emocionar com a história e as realizações técnicas, que realmente são muito bem executadas.



Não gosto da palavra "cinéfila", então digo que apenas que amo assistir a filmes e não tenho essa de não gostar de um gênero, para mim, se o filme for bom, pouco importa onde ele se encaixa. As histórias têm esse poder de despertar um encantamento em mim, por isso eu sempre vou atrás de mais e é por isso que eu vim escrever sobre elas aqui.