05
fev
2019
Crítica: “O Retorno de Mary Poppins”
Categorias: Críticas, Maratona Oscar 2019 • Postado por: Ana Gambale

O Retorno de Mary Poppins (Mary Poppins Returns)

Rob Marshall, 2018
Roteiro: David Magee
Walt Disney Studios

4

Em setembro de 2015 a Walt Disney Pictures anunciou a produção de um novo filme de Mary Poppins. Eis que 54 anos depois do original, a babá voadora volta às telonas depois do maior período de tempo entre um filme e sua sequência em O Retorno de Mary Poppins. Trazendo Emily Blunt no papel principal e Lin-Manuel Miranda como seu sidekick – papel que era feito pelo personagem do Dick Van Dyke no primeiro filme –, Mary Poppins Returns foi produzido por Marc Platt, produtor responsável por La La Land, Into the Woods, e pelos próximos aguardadíssimos remakes de Aladdin e A Pequena Sereia (junto com Lin-Manuel Miranda), além de estar envolvido na adaptação do aclamado musical Wicked pro cinema. Ou seja, o cara é bastante envolvido tanto com musicais quanto com a Disney.

Livremente baseado no livro Mary Poppins Comes Back, de Pamela Lyndon Travers, segundo na série de livros da babá mágica, a continuação é tão visualmente incrível quanto o primeiro filme. Os efeitos visuais são extremamente bem feitos, principalmente nos momentos que mistura os personagens reais com as animações, repetindo-se o que foi feito em 1964 de maneira excelente. A sequência da animação ainda traz um dos melhores números musicais de todo o filme, a música “A Cover is Not the Book”, que é literalmente um show dado por Emily Blunt e Lin-Manuel Miranda para uma plateia de um circo.

Antes de falar das atuações, lideradas por dois dos melhores intérpretes que Hollywood poderia ter escolhido para esse filme, é importante destacar o design de produção e o figurino de O Retorno de Mary Poppins. Voltando à cena da animação do filme, a partir do momento em que os personagens entram no cenário animado, as roupas dos personagens mudam para um figurino que imita a textura que a tinta tem numa pintura e dá a impressão de ter sido pintado à mão. Esse detalhe mostra a dedicação que a produção desse filme teve para trazer de volta a mesma energia da Mary Poppins que o primeiro filme tem, imprimindo o mesmo ar que tem as aventuras para as quais Mary Poppins levava as crianças. Além disso, a Rua das Cerejeiras não mudou nada desde 1964. Essas categorias (design de produção e figurino), inclusive, são duas para as quais Mary Poppins Returns está indicada no Oscar 2019, além das categorias musicais, e que são de fato pontos fortíssimos do filme.

A atuação de Emily Blunt teve como base os livros, ao contrário de tomar inspiração na Poppins original, Julie Andrews. Essa escolha de Blunt foi bastante elogiada pela crítica e rendeu a ela uma indicação ao Globo de Ouro de Melhor Atriz em Musical ou Comédia e de Melhor Atriz Principal no SAG Awards, além de ter sido apoiada pela própria Julie Andrews, que recusou fazer uma participação no filme pra não roubar o foco do trabalho de Blunt.

Lin-Manuel Miranda, por sua vez, traz uma interpretação enérgica e expressiva, bem teatral, como Jack, um aprendiz de Bert, que faz jus ao personagem de Dick Van Dyke no filme original, mas ao mesmo tempo traz o estilo inconfundível de Miranda, que tomou o mundo da Broadway com Hamilton. Ele rouba a cena diversas vezes com sua performance profusa e uma voz que se encaixa impecavelmente com o sentimento das músicas.

O filme conta com várias participações especiais de atores que estiveram em Mary Poppins de 1964. Uma delas é o próprio Dick Van Dyke, que aparece no final como Mr. Dawes Jr., aos 93 anos dançando e pulando em mesas com mais energia do que as crianças do filme. Outra participação é de Karen Dotrice, a Jane Banks original, que se você não prestar atenção nem percebe ela aparecer. Além disso, o filme conta com papéis pequenos para Colin Firth e Maryl Streep (que estão nesse filme por motivos de em qual filme eles não estão?).

Mary Poppins de 1964 é um filme que tem como tema a relação entre pais e filhos. Como a própria personagem título diz no início, ela vai trabalhar para os Banks até que “os ventos mudem”. Isso acontece no longa quando acontece uma mudança no pai da família, e isso traz uma mensagem de que a disciplina dos pais em relação à família vem antes da disciplina dos filhos. Esse assunto é novamente abordado em Mary Poppins Returns, porém com uma vertente mais aventureira – vide terceiro ato – e um final mais emotivo, atualizando o estilo de roteiro de uma maneira geral, mas ainda sem perder a essência de um filme da babá mágica.



Maratoneira oficial. Doida das séries e dos musicais. Apaixonada por Disney e apreciadora do terror fantástico. Tudo o que me fizer sair das leis da realidade eu to aceitando. Estudo cinema 7 dias por semana. Ainda há de chegar o dia que terei criatividade com palavras.