22
fev
2019
Crítica: “Os Incríveis 2”
Categorias: Críticas, Maratona Oscar 2019 • Postado por: Rafael Hires

Os Incríveis 2 (Incredibles 2)

Brad Bird, 2018
Roteiro: Brad Bird
Disney/Pixar

3.5

Os Incríveis. A família de super heróis mais amada do mundo fez o mundo perceber que poderia haver qualidade em filmes de super herói, além de Homem-Aranha e X-Men. Todos aguardavam ansiosos desde então por uma sequencia. Eis que ela chega 14 anos depois do primeiro.

Toninho Rodrigues (Michael Bird/Charles Emmanuel) é abordado por Ricardo (Jonathan Banks/Ricardo Rossatto), que logo o interroga a cerca do que ele viu quando a família Pera enfrentava o Escavador (John Ratzenberger/Gutemberg Barros). Ricardo apaga a memória de Tony e logo vemos o desfecho, onde o Escavador foge, causando danos e caos a cidade, fazendo com que o Programa de Recolocação dos Super Heróis seja cancelado.

Gelado (Samuel L. Jackson/Márcio Simões) aparece com uma proposta da DevTech, propriedade de Winston Deavor (Bob Odenkirk/Otaviano Costa). Ele e a sua irmã Evelyn (Catherine Keener/Flávia Alessandra) pretendem fazer um plano de marketing para que o povo volte a se acostumar com os super heróis. Para tanto, Helena (Holly Hunter/Márcia Coutinho) fica responsável por ser a porta voz, enquanto que Beto (Craig T. Nelson/Luiz Feier Motta) lidará com as atribulações de dona de casa, cuidando das crianças.

O roteiro faz uma inversão dos papeis do primeiro filme. Helena será a heroína e Beto cuidará dos problemas com Flecha (Huck Milner/Victor Hugo Fagundes), Violeta (Sarah Vowell/Lina Mendes) e Zezé (Eli Fucile). O filme ainda explora mais sobre os heróis do passado, antes da lei de proibição dos super poderes e traz um vilão que, a principio, quer fazer a pessoas pararem de aceitar o sedentarismo como solução para tudo.

Além disso, a trama fala sobre o amadurecimento da personalidade de Beto tendo de agir como pai mais diretamente e Helena tendo a liberdade que Beto sempre experimentava quando agia como fora da lei.

A direção de arte é bem feita. Os cenários são maiores, além de vermos uma gama maior de poderes, visto que somos apresentados a novos heróis, cada um com poderes diversos. Vemos também a real extensão dos poderes de Zezé. No fim do primeiro filme e no curta extra, vemos alguns como fogo, teleporte, lasers, virar um demônio, etc. Aqui, os poderes do bebê são responsáveis pela maior parte das situações engraçadas do longa, garantindo risos até do mais carrancudo dos espectadores.

Os momentos em que o vilão aparece são bem interessantes. Seus anúncios são cheios de luzes estroboscópias, num clima totalmente anárquico, o tornando um algoz tão imponente quanto os grandes vilões da história, porém a mais nesse vilão que os olhos conseguem enxergar.

As cenas de ação são impactantes. Bird volta a fazer nas animações o que realizou em Missão Impossível – Protocolo Fantasma. O visual das mesmas é bem construído, os cenários viram verdadeiros palcos para a destruição e uso de poderes como poucos filmes fazem. Em dado momento, cada um dos heróis parece uma faceta de Ethan Hunt, personagem icônico de Tom Cruise, que o diretor decide explorar como poucos.

A trilha sonora é impactante. Michael Giacchino que já havia feito uma das trilhas mais empolgantes do universo Pixar com o primeiro filme, volta a repetir a fórmula, trazendo os mesmos temas icônicos e algumas trilhas inéditas.

A dublagem está impecável. Craig T. Nelson/Luiz Feier Motta voltam a interpretar o herói mais forte do mundo. Agora, o mesmo sendo responsável pela família irá perceber que o trabalho de sua esposa é tão árduo quanto salvar o mundo, mas ainda tão importante quanto. Holly Hunter/Márcia Coutinho volta a fazer Helena, que assume um maior protagonismo, sendo a nova porta voz da nova tentativa de recolocação dos super heróis.

Bob Odenkirk/Otaviano Costa é Winston, um magnata que cresceu amando os super heróis, além de ter sido contra a iniciativa de inibição dos mesmos. O mesmo esconde um passado sombrio, onde seus pais foram mortos, pois os heróis não puderam ajuda-los. Catherine Keener/Flávia Alessandra é Evelyn, a cabeça por trás da operação. Seu visual cansado aparente a torna frágil, mas a mesma se revelará importante a trama.

Huck Milner/Victor Hugo Fagundes volta a interpretar Flecha. O garoto continua espevitado, porém vai causar confusão ao seu pai o fazendo redescobrir matemática. Sarah Vowell/Lina Mendes volta a interpretar Violeta, que passa por sua fase mais difícil. Desde que seu pai disse a Ricardo que Tony viu os Pêra em ação, a mesma está desolada e tenta fazer o garoto se apaixonar por ela de novo. Zezé continua mais impossível que nunca. Quando sua família descobre seus poderes, a vida deles é virada de cabeça pra baixo, até Edna Moda (Brad Bird/Nádia Carvalho) ajuda-los e produzir um novo traje.

Os Incríveis 2 é uma versão alterada do primeiro filme. Ele expande o universo de heróis, mas não inova. Tem ótimas cenas de ação e empolga, mas não possui o mesmo charme do primeiro. Vai divertir adultos e crianças, porém não impulsionará um terceiro capítulo. Teria empolgado mais se tivesse vindo quase na mesma esteira quando o gênero de heróis estava se popularizando, porém ainda tem seu valor.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade.