18
fev
2019
Crítica: “Poderia Me Perdoar?”
Categorias: Críticas, Maratona Oscar 2019 • Postado por: Maisa Carvalho

Poderia Me Perdoar?(Can You Ever Forgive Me?)

Marielle Heller, 2018
Roteiro: Nicole Holofcener e Jeff Whitty
Fox Searchlight Pictures

4.5

O longa que estreia Melissa McCarthy e Richard E. Grant foi indicado a três Oscars (melhor Atriz, Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Roteiro Adaptado). Adaptado do livro homônimo de Lee Israel, o filme tem um olhar empático e delicado sobre a solidão.

A autobiografia da autora, conta sua história, no começo da década de 1990, quando passou a forjar cartas de escritores famosos para vender. Israel era uma biógrafa muito conceituada, mas há tempos não escrevia um best-seller. Quando passou a forjar cartas de escritores famosos, ela passou a se sentir melhor com sua escrita e ficou de fato orgulhosa de seu trabalho, mesmo tratando-se de um crime. Ela enganou grandes intelectuais do país inteiro e se divertiu enquanto o fazia.

Pouco é falado sobre o passado da personagem, mas a ambientação do espectador no dia a dia da vida de Lee Israel, já é o suficiente para entender que ela é uma pessoa brilhante, difícil e extremamente solitária. Quando a personagem de Richard E. Grant, Jack Hock, entra em cena, os elementos cômicos também começam a aparecer na tela. Melissa MacCarthy se transforma completamente na personagem, e a dinâmica da atriz com Richard E. Grant é incrível, um dos filmes mais bonitos e sutis do ano.

Poderia Me Perdoar? é um filme delicado. Não tem grandes discursos ou diálogos épicos, é um filme cujas duas personagens principais são homossexuais, mas em momento algum isso se torna o enredo da história, é apenas mais um elemento da vida deles. Não é cheio de ação, ou de drama e nem mesmo a comédia é exagerada. A melhor palavra para descrever o filme é sutil. É um filme sutil e esse é o diferencial.

Na corrida pelo Oscar, a maioria dos filmes fala sobre grandes temas, ou tem aqueles discursos memoráveis, que parecem terem sido escritos para isso. Mas Poderia Me Perdoar? é um filme que sutil e delicado, mas muito competente. A mensagem fica com o espectador, isso por conta de toda a delicadeza e sutileza do trabalho de Marielle Heller, de como a solidão pode ser cruel.

Em momento algum, o longa tenta justificar as ações criminosas da personagem, em momento algum tenta passar a mão na cabeça dela. Pelo contrário, as consequências foram mostradas, mas mesmo se tratando dessa época da vida de Lee, o filme parece ser mais a materialização do lado interno da escritora na época, do que sobre os fatos em si.

Mesmo indicado a vários prêmios, incluindo o Oscar, e bem falado pela crítica em geral, Poderia Me Perdoar? parece não ter sido o centro de grandes conversas, e outros filmes, com uma temática importante, mas roteiros claramente inferiores, infelizmente têm dominado todo o buzz da temporada de premiações. O filme é, sem dúvidas, um dos melhores de 2018 – apesar de ter estreado no Brasil apenas no dia 07 de fevereiro, de 2019, e merece muito mais atenção da crítica e, principalmente, do público.



Não gosto da palavra "cinéfila", então digo que apenas que amo assistir a filmes e não tenho essa de não gostar de um gênero, para mim, se o filme for bom, pouco importa onde ele se encaixa. As histórias têm esse poder de despertar um encantamento em mim, por isso eu sempre vou atrás de mais e é por isso que eu vim escrever sobre elas aqui.