24
fev
2019
Crítica: “Se a Rua Beale Falasse”
Categorias: Críticas, Maratona Oscar 2019 • Postado por: Maisa Carvalho

Se a Rua Beale Falasse (If Beale Street Could Talk)

Barry Jenkins, 2018
Roteiro: Barry Jenkins
Annapurna Pictures

4

Indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Trilha Sonora, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Atriz Coajuvante, Se a Rua Beale Falasse é um olhar delicado de um romance épico.

O filme, baseado no livro homônimo de James Baldwin, foi trazido às telonas através do olhar de Barry Jenkins. O diretor também adaptou o roteiro e já tem um Oscar de Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Filme por Moonlight – Sob a Luz do Luar. Mas Se a Rua Beale Falasse é um filme diferente, não tão pessoal, mas que com certeza traz todas as características do estilo de Jenkins.

O filme segue a história de um casal, Tish e Fonny, que são melhores amigos desde a infância e se amam profundamente. Depois que os dois começam uma relação romântica mais série, Fonny é acusado de estupro por uma mulher, que não chegou a ver o homem que a violou, mas identificou Fonny como o suposto culpado pelas descrições que deu à polícia.

O longae é extremamente delicado e em momento algum mostra qualquer sinal de violência, muito parecido com Moonlight, o longa se preocupa mais em mostrar a repercussão dos acontecimentos e as reações das personagens. As famílias de Tish e Fonny são muito próximas e nunca duvidam da inocência do rapaz, toda essa certeza sobre seu caráter, faz com que o espectador também tenha certeza de que é impossível que ele seja culpado.

As famílias têm como missão provar a inocência de Fonny e impedi-lo de ser condenado à morte. Para piorar a situação, logo no começo do filme é revelado que Tish está grávida e a história vai se desenvolvendo a partir daí.

Com comentários sobre a marginalização das pessoas negras e das minorias nos EUA, o filme é tem um olhar delicado sobre como esses problemas afetam a vida das pessoas, usando movimentos de câmera lentos e longas tomadas, a edição serve à história, as cores (característica marcante no trabalho do diretor) têm um papel importante e, acima de tudo, a música é espetacular. O longa pode não ter ganhado tanto amor no Oscar como nas premiações independentes, mas deveria.

Se a Rua Beale Falasse é um retrato devastador de como algumas atitudes podem mudar as vidas das pessoas para sempre. É um romance lindo e de partir o coração, um comentário social pertinente e sutil, um filme de esteticamente lindo, recheado de diálogos fortes sem cair nos exageros e muita química entre o elenco na tela. Em especial, Regina King e Brian Tyree Henry, que têm as duas cenas mais impactantes do filme. Tyree em uma conversa com Fonny (Stephen James), e Regina King, em uma cena de tirar o fôlego com a atriz Emily Rios, que interpreta a mulher que acusou Fonny de violenta-la. King é a favorita para levar o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, muito merecidamente.



Não gosto da palavra "cinéfila", então digo que apenas que amo assistir a filmes e não tenho essa de não gostar de um gênero, para mim, se o filme for bom, pouco importa onde ele se encaixa. As histórias têm esse poder de despertar um encantamento em mim, por isso eu sempre vou atrás de mais e é por isso que eu vim escrever sobre elas aqui.