23
fev
2019
Crítica: “Vice”
Categorias: Críticas, Maratona Oscar 2019 • Postado por: Luís Fernando Martins

Vice

Adam McKay, 2018
Roteiro:Adam McKay
Imagem Filmes

3.5

Vice, filme que apresenta a ascensão de Dick Cheney e como ele se tornou um dos homens mais poderosos do inicio desse seculo. Com roteiro e direção de Adam McKay e com Christian Balle, Amy Adams, Steve Carell e Sam Rockwell no elenco. O longa estreou nos cinemas nacionais no dia 29 de janeiro de 2019.

Provavelmente você conhece George W. Bush, presidente dos Estados Unidos que após o ataque terrorista de 11 de setembro iniciou a chamada “Guerra ao Terror” invadindo o Iraque, mas talvez, assim como eu, você jamais tenha ouvido falar o nome de Dick Cheney, o real homem de poder que arquitetou as incursões no Oriente Médio.

Vice, conta justamente a acessão, e de certa forma a queda, de Dick Cheney, um verdadeiro ninguém que após anos agindo nos bastidores, se torna um dos homens mais poderosos do planeta. O filme inicia mostrando Dick sendo preso ao ser encontrado alcoolizado na bera da estrada, sua esposa Lynne Cheney, interpretada de maneira excelente por Amy Adams, paga sua fiança, porém já cansada das bebedeiras do marido ela sentencia, ou Dick muda, ou ela o abandonará. O filme se desenvolve a partir desse ponto, com Dick decidindo entrar no partido Republicano dedicando a sua vida quase que inteiramente à política. Começando como um mero assessor e chegando a Casa Branca como quadragésimo sexto vice-presidente dos Estados Unidos da America.

Christian Balle novamente surpreende com sua transformação física dando maior veracidade ao seu personagem, além de apresentar uma ótima interpretação. Seu Dick Cheney é frio, compenetrado e perspicaz, porém pouco carismático algo que dificulta uma conexão maior com a historia, entretanto o filme apresenta bons coadjuvantes que tornam o desenvolvimento do filme mais interessante. Primeiro temos o Donald Rumsfeld, interpretado por Steve Carell, que serve não só como alivio cômico, mas também desempenhando um papel fundamental, quase como um mentor, no aprendizado de Dick sobre as nuances dos jogos de poder da politica republicana e segundo temos Sam Rockwell que interpreta um George W. Bush quase que caricato, porém com trejeitos que fazem lembrar o Bush real.

Vice poderia ser facilmente um drama biográfico massante, porem a direção peculiar de Adam McKay dá todo um tom cômico e sarcástico ao filme, principalmente ao conduzir a historia através de um narrador, que aparentemente não tem nenhum vinculo com o protagonista, quebrando a quarta parede em determinados momentos, deixando a narrativa do filme mais interessante ao subverter as expectativas do expectador, um bom exemplo disso é a aparição inusitada de Galactus.

Apesar de não ser uma historia marcante, a condução do diretor Adam McKay surpreende por sua sutiliza ao tratar os diversos temas polêmicos que envolveram a vida de Dick Cheney, em especial o seu envolvimento direto com a invasão do Iraque e os meios que Dick utilizou para justificar legalmente os atos de tortura cometidos pelo exercito e em um segundo plano, o fato de uma das suas filhas se revelar homossexual, fato que Dick aceita de forma surpreendente, mas que na primeira oportunidade esconde e nega, ao perceber que isso poderia prejudicar o seu legado politico.

O interesse é que o filme em nenhum momento se posiciona a favor ou contra esses dois temas, pelo menos não de forma clara e direta, pois não há nenhum discurso inflamado e passional sobre os atos condenáveis do governo, ou sobre os direitos civis dos homossexuais, mas a mensagem está lá de forma sutil e cabe ao expectador concordar ou não com ela e o discurso final de Dick Cheney afirmando que não pedirá desculpas pelos seus atos evidencia isso.

Vice é um bom filme, que mostra os bastidores do governo Norte Americano e como um homem perspicaz soube utilizar dos mecanismos da politica para se alçar ao poder. Um filme que faz uma nítida critica as manipulações do governo, mas sem nunca pesar no discurso, tornando a narrativa acessível e deixando a cargo do expectador julgar se a visão de mundo de Dick Cheney estava certa ou errada.



Gamer viciado, marvete confesso e apaixonado por tudo que a indústria do entretenimento tem a oferecer. Tenho a Fantasia como gênero predileto e por isso agradeço todas as noites a Ilúvatar pela vida de Peter Jackson e rogo aos deuses novos e antigos para que George R. R. Martin termine As Crônicas de Gelo e Fogo.