22
fev
2019
Crítica: “Wifi Ralph – Quebrando a Internet”
Categorias: Críticas, Maratona Oscar 2019 • Postado por: Rafael Hires

Wifi Ralph – Quebrando a Internet (Ralph Breaks the Internet: Wreck-it Ralph 2)

Rich Moore e Phil Johnston, 2019
Roteiro: Phil Johnston e Pamela Ribon
Disney

4

Detona Ralph. Um dos clássicos recentes da Disney que explorou o mundo dos videogames de uma maneira que poucos conseguiram fazer até hoje de forma satisfatória. Eis que, em 2017, somos surpreendidos por um trailer, onde nosso amigo destruidor volta para causar mais estardalhaço agora no mundo da internet.

Seis anos se passam desde a aventura que tiveram nos mundos do fliperama. Ralph (John C. Reilly/Tiago Abravanel) se deleita na presença de Vanellope (Sarah Silverman/Marimoon). Porém, a princesa da Corrida Doce acha sua vida monótona e sem graça.

Ralph decide animar as coisas, porém acaba ocasionando a quebra do console do jogo. Litwak, o dono do fliperama, diz que comprar um novo volante não compensa e diz que vai se livrar do jogo sexta. Em meio a isso, Litwak instala uma conexão de internet no árcade.

Ralph, junto de Vanellope, decide ir ao misterioso mundo da internet arranjar um novo volante para evitar do jogo ser desplugado.

O filme possui várias similaridades ao primeiro. Ao invés de Ralph sair da zona de conforto, quem sai é Vanellope, em busca de novos ares.

O roteiro, no primeiro ato, começa pouco inspirado. Mas assim que a dupla entra na internet pra causar confusão e destruição, o filme consegue se segurar, além de apresentar uma certa crítica quanto a tudo o que envolve a rede mundial de computadores: banners chatos e enfadonhos, desconexão de servidores, como diferentes gerações interagem com a internet e os famigerados haters.

A direção de arte é bem executada. Cada site tem um design único: o eBay (o Mercado Livre gringo) parece um supermercado em sua arquitetura, o BuzzzTube (referencia ao Buzzfeed) é uma rede de tv onde só que passa são vídeos de conteúdo massificado como gatos, bebes, remixes, tutorais, desafios, etc.

O Twitter é uma arvore onde os usuários são passarinhos (referenciando a logo) e cada mensagem, um balãozinho ilustrativo. O instagram, um museu de arte. O Google é o maior prédio de toda a internet (porque será?). O site Oh My Disney (sim, isso existe) parece uma versão miniatura dos parques da Disney, com cada mundo separado, incluindo Marvel e Star Wars. O filme até apresenta um pouco da dark web, porém não chega a explicitá-lo (gente, é filme de classificação livre).

O jogo Slaughter Race é uma mistura de GTA com Twisted Metal e um certo flerte com Velozes e Furiosos e, até em um certo nível, Carmageddon. Sombrio, cheio de poeira, sendo uma versão possante de Mad Max.

O filme está recheado de referencias a sites e filmes. Desde conexão discada, passando por todo o universo Disney, até mesmo outros filmes como King Kong, incluindo a participação de um certo senhorzinho grisalho de óculos aviador famoso por criar uns personagens que estão fazendo um sucesso relativo de bilheteria.

Um dos maiores problemas com o filme é a atitude grudenta de Ralph. Antes, um vilão acostumado a ser destratado por todos, hoje virou mais um personagem meloso e sem carisma. Quem acaba por segurar as pontas é Vanellope, onde a descoberta do novo a empolga, fazendo a ser uma das personagens mais memoráveis.

Outro aspecto incomodo é a pouca exploração de Félix (John McBrayer/Rafael Cortez) e Calhoun (Jane Lynch/Lúcia Helena). Inicialmente, o casal fica responsável pelas crianças da Corrida Doce, porém só aparecem faltando 15 minutos para o fim do filme.

O momento mais impressionante é o encontro das princesas. Se até pouco tempo atrás, parecia um sonho distante, agora, virou o momento de maior fan servisse de todo fã do universo Disney. Cada princesa possui sua cômoda com um símbolo particular. O que mais impressiona é como a Disney faz uma autocrítica de seu universo, além de fornecer outro momento muito especial num ponto futuro.

A trilha sonora, além dos temas originais, ainda apresenta um medley (junção) de todas as músicas instrumentais de todas as princesas. Uma das trilhas conhecidas são o tema de transição da série Batman de 1966. Além de uma versão totalmente insana de música para princesas Disney por Vanellope.

Há cenas pós créditos (já tá virando rotina), sendo uma delas já presente em um dos trailers e a outra, não será dita para não estragar a surpresa.

A dublagem continua no mesmo nível. John C. Reilly/Tiago Abravanel voltam como Ralph numa versão mais exagerada e manhosa do personagem. Sarah Silverman/Marimoon voltam como Vanellope numa versão melhorada e amadurecida. Gal Gadot/Giovanna Lancellotti interpretam Shank, personagem que servirá de fio condutor durante os 2º e 3º atos. Uma mulher cheia de atitude que faz inveja até o mais durão dos heróis.

Taraji P. Henson/Fernanda Keller interpretam Yesss, a chefe do BuzzzTube. Inicialmente, só dá bola para Ralph, pois o mesmo virou sensação do momento, mas logo se dedica a ajuda-los a levantar grana para a compra do acessório.

Wifi Ralph – Quebrando a Internet é um versão 1.5 de Detona Ralph. Apesar de tornar maior o mundo que os personagens exploram, desanda na descaracterização do personagem titulo, colocando o filme todo nas costas da outra protagonista, desperdiçando personagens antes tão importantes para inserir outros novos. Mesmo não possuindo o mesmo brilho da primeira versão, ainda assim se sai bem apresentando uma trama cheia de diversão e encantamento.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade.