02
fev
2019
Lama e rock: Livro de Luiz Felipe Carneiro traz formato de revista ao contar história do Rock in Rio!
Categorias: Biblioteca Radioativa • Postado por: Matheus Benjamin

Além de curiosidades sobre o festival nascido no Brasil, Carneiro ainda desenvolve uma aula de história com altos e baixos do mundo da música.

Rock in Rio: A história do maior festival de música do mundo

Luiz Felipe Carneiro
Editora Globo 383 páginas
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2019 é ano de Rock in Rio. O festival que, em 2011, voltou com tudo, promete fazer edições intercaladas: ano sim, ano não. Essa é uma ótima oportunidade para conhecer os bastidores de um dos maiores festivais de música do mundo. O livro traz entrevistas, fotos e diversas curiosidades sobre a música dos anos que antecederam e sucederam o festival. Sendo assim, Rock in Rio: A História do Maior Festival de Música do Mundo deveria ser obrigatório para todos os amantes da música. 

Nesse livro, conhecemos a história das três primeiras edições do Rock in Rio, desde sua concepção à contratação de artistas, passando pelo que ocorreu com cada apresentação no palco principal e falando também dos bastidores, entre brigas, exigências extravagantes e reclamações dos artistas. Durante os relatos há de se ficar bem decepcionado com Freddie Mercury. Sua história está bem em alta ultimamente devido às indicações de Bohemian Radpsody ao Oscar 2019. Não se imagina que o artista fosse tão fútil e chato em relação a outros artistas. Uma curiosidade dos integrantes de sua banda Queen: todos deveriam trafegar por veículos separados, tanto por conta do relacionamento difícil dos membros quanto para que se houvesse um acidente, a banda não acabasse. Os marcos dessa primeira edição, sem dúvidas, estiveram atrelados ao amadorismo da produção com relação ao som, bastante criticado e a estrutura que se acabou em lama; além disso diversos artistas brasileiros relatam terem sido injustiçados por conta desses problemas e também pela escalação de horários de seus shows.

Amin Khader, que trabalhou nessas três primeiras edições como coordenador de Backstage, fazendo todas (ou quase todas) as vontades dos artistas que participaram do festival, é um nome a ser lembrado, justamente por ter aguentado diversos desaforos. Foi muito bacana saber que graças a três rapazes em um Passat branco que o festival não foi cancelado na sua primeira edição, depois de tantos problemas arrumados para a cabeça de Roberto Medina, seu criador, com as obras na cidade do rock. E ele também já havia quase desistido de seu sonho em outras ocasiões. Notável também foi saber como se deu cada show e as entrevistas que ocorreram depois. Alguns artistas, como Erasmo Carlos e Eduardo Dussek foram mal escalados e vaiados, sem falar que alguns truques da produção para driblar as exigências absurdas dos artistas foram engraçadas e criativas. Além disso, o livro também traz em tópicos separadinhos as cinco exigências mais inusitadas, os cinco maiores micos e também os cinco momentos mais inesquecíveis, além dos números de cada edição.

O leitor poderá se emocionar com algumas páginas na qual falava-se da morte de Cazuza por Renato Russo, durante a quase segunda edição do Rock in Rio em 1990 que teve que ser adiada para 1991 no Maracanã, por conta do sequestro de Medina. Além disso, é nessa parte do livro que pode-se ler perceber historicamente o sucesso das melhores bandas do BRock da época como Paralamas do Sucesso, Titãs, Barão Vermelho e Legião Urbana. Essa segunda edição teve várias brigas marcantes entre elas, novamente, as extravagâncias de certos artistas internacionais que impediram a passagem do Roupa Nova ao camarim; o egocêntrico e icônico Prince com suas “travessuras”; Axl Rose com várias frescuras e loucuras, entre elas, exigir uma macarronada antes do show e depois dividi-la com todos os membros da organização do festival; algo que outros artistas, que haviam pedido vinte pratos de comida e só comeram metade de um (deixando todo o resto pra trás), não fizeram.

Já a terceira edição ficou conhecida como uma das mais estruturadas, superando problemas antigos como som e cenografia. Cássia Eller fizera um dos seus melhores shows, sendo elogiada até mesmo por Dave Ghrol que tocaria mais tarde naquela noite com seu Foo Fighters após interpretar a famosa canção Smells Like Teen Spirit. Essa edição também foi marcada pelas vaias à Carlinhos Brown; o design de porco espinho no Palco Principal e um slogan “Por um Mundo Melhor”; a noite Teen que contou com um gosto unânime por Sandy&Júnior e uma Britney Spears cheia de playbacks; além do baixista do Queens of the Stone Age peladão, o R.E.M. sendo incrível como sempre, o Oasis fazendo graça por tocar antes do Guns N’ Roses e o Axl Rose mais doido que nunca!

Além de contar em detalhes tudo o que rolou nos bastidores e em cada show do palco principal (e inúmeras fotos, inesperadas pra mim quando comprei) o leitor também é contextualizado na situação política e histórica do país, além de um pouco do que se tocava nas rádios e fazia sucesso, sobretudo o rock. Há pouquíssimos detalhes das tendas Brasil e Raízes, que surgiram no terceiro Rock in Rio; o foco estava mesmo em contar o que acontecera no palco principal. O sentimento após encerrar a leitura é a esperança de que o autor continue na pesquisa sobre o festival, tendo em vista que já temos outras quatro edições realizadas aqui no Brasil.

Um leitor esforçado, ainda, fará o dever de casa e se aventurará em procurar por vídeos e músicas dos artistas que já passaram pelo Palco Mundo.



Fã de Miyazaki, Villeneuve, Aïnouz e Bergman. Estudante de Cinema e Audiovisual pela Universidade Estadual do Paraná. Produzi alguns filmes, entre eles "Alice.", pela Pessoas na Van Preta.