22
mar
2019
Crítica: “Capitã Marvel”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

Capitã Marvel (Captain Marvel)

Anna Boden e Ryan Fleck, 2019
Roteiro: Anna Boden, Ryan Fleck, Nicole Perlman, Geneva Robertson-Dworet, Meg LeFauve, Liz Flahive e Carly Mensch
Marvel Studios

3

Capitã Marvel. O universo cósmico da Casa das Ideias começou a estar ligado no MCU desde Guardiões da Galáxia, culminando em Vingadores – Guerra Infinita. Agora, veremos uma nova personagem e com isso, outros peças que influenciarão os próximos passos da produtora. E nada mais justo do que fazer com uma das personagens mais poderosas da Casa.

Porém, antes de ir a crítica, acho válido falar da personagem e do material onde a mesma teve influência.

Antes de tudo, é preciso esclarecer. Capitã(o) Marvel é um título, assim como Lanterna Verde, Flash, Homem-Aranha. E devido as diferentes origens do personagem, vamos falar hoje das duas versões.

O primeiro Capitão Marvel foi criado pelo suprassumo (que neste novo filme recebeu uma abertura toda dedicada á si) Stan Lee e pelo desenhista Gene Colan na revista Marvel Super Heroes #12.

Pouco tempo depois, ganhou sua própria revista solo. Essas aparições estabeleceram o Capitão Marvel, ou “Mar-Vell”, como um alienígena da raça Kree que veio à Terra como espião antes de se identificar com seus vizinhos humanos.

O motivo de tal análise foi a visita do homem à Lua. Mas nesse grupo de observadores havia um kree, Yon-Rogg, que desejava a morte de Mar-Vell por ciúmes do amor que Una, também da raça Kree, nutria por ele. Yon-Rogg abriu fogo contra a nave do herói, que escapou ileso, mas tal ataque causou acidentalmente a morte de um humano, o Dr. Walter Lawson. Mar-Vell era muito parecido com ele e, assim, adotou a sua identidade, passou a viver na Terra e atuar como super-herói.

Como Lawson, Mar-Vell inicia seus trabalho em Cabo Canaveral (identificado em histórias iniciais apenas como “The Cape”) em estudos de progresso da humanidade no desenvolvimento de um meio de viajar no espaço. Quando o Exército dos Estados Unidos encontra e ativa acidentalmente um robô-sentinela Kree, Mar-Vell é forçado a vestir seu uniforme e derrotá-lo. Espectadores ouvem o Sentinela chamar Mar-Vell pelo seu nome e o confundem com “Marvel”, passando a chamar o herói assim

Um dos seres humanos que veem Mar-Vell é Carol Danvers, chefe de segurança no Cabo Canaveral, já desconfiada de “Walter Lawson” e imediatamente atraída pelo misterioso Mar-Vell.

Mar-Vell continua a observar os seres humanos e cade vez mais a amá-los, mas seu trabalho é dificultado por ciúmes de Yon-Rogg, a sua afeição crescente para com a humanidade, e seu passado criminoso de identidade falsa. Depois de ajudar a humanidade várias vezes, Mar-Vell é considerado culpado de traição contra o Império Kree e sentenciado à morte por fuzilamento em um plano bolado por Yon-Rogg, mas escapa em um foguete roubado, e se perde no espaço.

Depois de ficar 112 dias perdido, fraco e à beira da loucura, é manipulado por Ronan, o Acusador Kree, e pelo Ministro Zarek, que conspira em derrubar a Inteligência Suprema. Para melhor ajudá-los, Mar-Vell recebe um novo traje e suas capacidades são reforçadas. Após a conspiração, Mar-Vell tenta retornar à Terra, mas no caminho é atingido por uma explosão de radiação que o atrai à Zona Negativa.

Essa série falhou em se registrar com os leitores, e foi renovada pelo roteirista Roy Thomas e Gil Kane na edição 17 (outubro de 1969). O personagem ganhou um novo uniforme, projetado por Kane e a colorista Michelle Robinson, e maiores habilidades. Uma característica adicional da trama foi a introdução do sidekick Rick Jones.

De volta a história, a Inteligência Suprema permite que Mar-Vell contate telepaticamente Rick Jones, um antigo parceiro do Hulk. Guiado pelo herói, Jones encontra uma base Kree abandonada, na qual Rick encontra os braceletes, que, ao se unirem, o transportavam para a Zona Negativa, e traziam Mar-vell à Terra.

A dupla descobre que eles são capazes de manter contato telepático. Usando o método, Mar-Vell pode permanecer no universo positivo por um período de três horas.

Jones e Marvel “compartilharam moléculas”, permitindo que apenas um existisse no mundo real de cada vez. A mudança, no entanto, não teve sucesso, e a série foi publicada apenas intermitentemente desde 1969. Foi inicialmente cancelado na edição 21 (agosto de 1970), embora o personagem tenha aparecido no enredo da Guerra Kree-Skrull nas edições 89 a 97 da revista do Vingadores (junho de 1971 – março de 1972), também escrito por Thomas.

A série recomeçou com a edição 22 (setembro de 1972). O roteirista e desenhista Jim Starlin (sempre ele) decidiu renovar o personagem com o número 25 (março de 1973). A série spin-off, Ms. Marvel, foi lançada em 1977, mas as vendas permaneceram modestas, e a série foi publicada apenas bimestralmente até que foi finalmente cancelada em 1979.

O herói alienígena enfim se libertaria da Zona Negativa e ganhou novos poderes cósmicos. Nessa época, o Capitão Marvel enfrentaria, ao lado dos Vingadores, o maior vilão espacial da Marvel surgido após a era Lee/Kirby: o titã Thanos. É nesta saga que Mar-vell se liberta da Zona Negativa e ganha um novo uniforme e novos poderes. Se torna um ser extremamente poderoso e um dos heróis mais importantes do universo Marvel também intitulado de “o protetor do universo”.

Após inúmeras batalhas, Mar-Vell retorna para a Terra e tem o primeiro encontro com o vilão Nitro. Ao tentar conter uma explosão causada pelo vilão, ele é exposto a um poderoso gás que abala os nervos chamado “Composto 13”. Mar-Vell entra em colapso devido à exposição ao gás, mas se recupera e recebe um antídoto. O gás, no entanto acabaria por causar reações que colocariam um fim ao herói. A Morte do Capitão Marvel.

Quando a revista foi cancelada com a edição # 62 (maio de 1979), havia cinco edições ainda não publicadas já completas ou quase completas. A série Marvel Spotlight foi revivida com o propósito expresso de publicá-las (especificamente, nas edições # 1-4 e 8). Starlin escreveu a morte do personagem na primeira graphic novel da Marvel de titulo homônimo em 1982. Na graphic novel, o herói Kree surpreendentemente sucumbe a um câncer causado pela exposição ao citado gás após longa agonia. Mar-Vell falece de um modo tranquilo e silencioso.

Eis que surge Carol Danvers. Ela estreia na edição 13 da mesma revista em que Mar-Vell apareceu criada por Roy Thomas e Gene Colan. Ela era
uma oficial da Força Aérea dos Estados Unidos e Chefe de Segurança de uma base militar restrita, onde ela encontra o Dr. Walter Lawson, o apelido humano do herói alienígena da raça Kree, Capitão Marvel.

Em uma história posterior, Danvers é pega na explosão de um dispositivo Kree depois de tentar se aproximar do Capitão Marvel. Embora o Capitão Marvel consiga salvar sua vida, Danvers sofre ferimentos graves.

Danvers ressurge com habilidades sobre-humanas e se torna a super-heroína Ms. Marvel em uma revista própria em janeiro de 1977, capitaneada inicialmente por Gene Colan e John Buscema. Mais tarde, por Chris Claremont. Na série, é revelado que a exposição de energia da explosão de um dispositivo chamado “Psyche-Magnetron” fez com que a estrutura genética de Danvers se fundisse com a do Capitão Marvel, transformando-a efetivamente em um híbrido humano-Kree.

A Ms. Marvel teve uma série de aparições semi-regulares em Os Vingadores, com aparições adicionais em Defensores, Homem-Aranha, Coisa e Homem de Ferro. Em uma dessas histórias, a terrorista mutante Mística mata Michael Barnett, namorado da Ms. Marvel. Na época da publicação de Ms. Marvel #1 em 1977, o título era conscientemente socialmente e progressivo para a época. Isso se refletiu no uso da palavra “Ms.”, então associada ao movimento feminista, e em Danvers lutando por salário igual para trabalho igual em sua identidade civil.

Na edição 200 da revista dos Vingadores (outubro de 1980), escrito por Bob Layton, David Michelin, George Pérez e Jim Shooter, a Ms. Marvel é sequestrada por um personagem chamado Marcus (o aparente filho de Immortus, um inimigo dos Vingadores) e levado para um dimensão alternativa, onde ela é submetida a lavagem cerebral, estuprada e engravidada.

Ela dá à luz na Terra uma criança que rapidamente envelhece em outra versão de Marcus, que é incapaz de permanecer na Terra depois que Gavião Arqueiro erroneamente danifica sua máquina, leva a Ms. Marvel de volta à dimensão alternativa sem oposição dos Vingadores, que percebem ela e Marcus estão apaixonados.

Claremont efetivamente “desfez” a história de Marcus em Vingadores Anual #10 (1981). Nessa história, revela-se que Danvers retornou à Terra – cortesia da tecnologia de Immortus depois que Marcus continuou a envelhecer e morrer de velhice – mas é atacado pela mutante Vampira, que absorve permanentemente as habilidades e memórias da personagem. As memórias de Danvers são restauradas pelo Professor X, e um confronto furioso com os Vingadores sobre o fracasso em perceber que Marcus fez uma lavagem cerebral nela.

Claremont continuou a desenvolver a personagem em Uncanny X-Men. Danvers entra no Pentágono e, enquanto limpa os arquivos do governo sobre os X-Men, também apaga todos os registros de si mesma em uma ruptura simbólica com sua vida como a Ms. Marvel. Durante uma aventura no espaço com os X-Men, Danvers é mudado por cortesia da experimentação pela raça alienígena, a Ninhada, adotando o nome de “Binária”. Com base no poder de um fenômeno cósmico chamado buraco branco, Danvers se torna capaz de gerar o poder de uma estrela. Como Binária, a personagem tem uma série de encontros com os X-Men, Novos Mutantes, e a equipe britânica Excalibur, bem como uma aventura solo.[

Claremont expandiu o incidente com a personagem Vampira, fazendo com que a persona de Carol Danvers se manifestasse dentro da mente de Vampira, às vezes dominando a personalidade de Vampira. Isso acontece com Vampira em várias ocasiões, o que resulta em um armistício desconfortável entre as personalidades dentro da mente de Vampira.[ Depois que Vampira passa pelo portal antigo e sobrenatural chamado Portal do Destino, a persona Ms. Marvel é separada dela como uma entidade independente. Dentro da mesma edição, a persona Ms. Marvel é morta por Magneto.

A personagem continuou fazendo aparições esporádicas, e duas edições adicionais planejadas para o título original – impedidas pelo cancelamento da revista – foram impressas em uma antologia trimestral.  No mesmo ano, o personagem também foi usado extensivamente no enredo “Operação Tempestade Galática”. Até a conclusão da história, a personagem perdeu sua conexão com o buraco branco de onde ela tirava seus poderes, revertendo ao uso dos poderes originais da Ms. Marvel, mas retendo os poderes de manipulação e absorção de energia que ela tinha como Binária, embora em uma escala menor.[

Depois de várias aparições em equipe e solo, a personagem se junta novamente aos Vingadores com o apelido Warbird. O roteirista Kurt Busiek explorou a personagem fazendo-a desenvolver o alcoolismo, lutando para chegar a um acordo com a perda de seus poderes cósmicos e memórias. Danvers se desgraça durante o enredo “Live Kree or Die” e logo é suspensa da ativa.  

Depois de uma breve aparição no título de universos alternativos da Marvel, What If ?, a personagem apareceu em Homem de Ferro, Wolverine e Vingadores antes de fazer uma breve aparição em Mutant X.

Como Warbird, a personagem retorna aos Vingadores e desempenha um papel fundamental na trama “Dinastia Kang”. O filho de Kang, Marcus, o Centurião Escarlate, se apaixona por ela, mas ela o rejeita, em parte porque ele a lembra de Marcus, filho do alter ego mais velho de Kang, Immortus, que a estuprou. O Centurião Escarlate, no entanto, a ajuda a derrotar o Mestre do Mundo, um supervilão cuja tecnologia alienígena se torna a chave para derrotar Kang.

No decorrer da luta, ela mata o Mestre, e após a vitória final sobre Kang, ela exige uma corte marcial para rever suas ações. A corte marcial considera seu assassinato justificado como um ato de guerra, e Carol continua como uma Vingadora. Após a dissolução dos Vingadores, Warbird deixa o grupo, e, junto com outros antigos Vingadores como Vespa, Hank Pym, Falcão e Magnum, não está incluído no grupo Novos Vingadores, logo formado Homem de Ferro e Capitão América. 

A personagem foi então caracterizado como Capitã Marvel em uma falsa realidade criada pela mutante Feiticeira Escarlate na minissérie de 2005, Dinastia M. Essa realidade satisfez o desejo subconsciente de Danvers de ser aceita, já que ela provou ser a super-heroína mais popular da Terra. Ms. Marvel, em seguida, ganhou destaque novamente quando a personagem teve uma segunda revista própria.

Juntamente com seu colega Vingador Homem de Ferro, Danvers também se torna um dos principais defensores da Lei de Registro Sobre-Humano durante os eventos do enredo “Guerra Civil” de 2006-2007.[ A história também continua em Ms. Marvel, quando a personagem luta contra os heróis anti-registro liderados pelo Capitão América.[

O enredo tem grandes consequências para os Novos Vingadores, que estreia na série de 2007, Poderosos Vingadores, com Danvers como membro. Danvers entra em um relacionamento com o membro Magnum, aparece em uma série crossover com os Transformers, e se torna líder dos Poderosos Vingadores. A personagem faz um acordo com Tony Stark, diretor da S.H.I.E.L.D., para liderar uma equipe de ataque secreta chamada Operação: Tempestade Galáctica, cuja missão designada é a eliminação de supervilões antes que eles se tornem ameaças globais. 

Ms. Marvel é capturada pela Ninhada na Ilha Monstro, onde ela encontrou a Rainha Ninhada. Um confronto intenso seguiu durante o qual os poderes da Ms. Marvel são temporariamente desativados, forçando-a a lutar contra a Rainha Ninhada como Carol Danvers. Em um ponto, ela é despojada de suas roupas civis e foi forçada a vagar pelo espaço até que ela fosse capaz de acessar seus poderes. 

Ms. Marvel também desempenha um papel significativo no enredo Invasão Secreta, no qual os membros da raça alienígena Skrull, se revelaram ter se infiltrado secretamente na Terra ao se fazer passar por humanos. Ela faz amizade com o impostor Skrull do Capitão Marvel e prova para ele que ela não é uma Skrull, revelando detalhes íntimos sobre sua vida juntos. No final da guerra com os Skrulls, Norman Osborn é colocado no comando da equipe registrada dos Vingadores.

Recusando-se a servir sob as ordens de Osborn, a Ms. Marvel foge da Torre dos Vingadores e se junta aos Novos Vingadores e tornando-se a segunda em comando. Osborn nomeia a ex-membro dos Thunderbolts, Rocha Lunar (Karla Sofen) como a “nova” Ms. Marvel para sua equipe Vingadores Sombrios; Rocha Lunar usa uma variação do traje original de Marvel. Engenheiros de Osborn travam uma batalha que resulta em sobrecarga de poderes de Danvers, causando sua aparente morte.

A personagem Rocha Lunar assume o papel-título na série Ms. Marvel. Danvers retorna com a ajuda dos Novos Vingadores, um grupo de embriões MODOK (criações da organização Idéias Mecânicas Avançadas) e um personagem conhecido como o “Narrador” e reclama o título de Ms. Marvel de Karla Sofen. O uso crescente de Carol Danvers como uma personagem proeminente em muitos arcos da história ao longo desta década, eventualmente, levou um comentarista a notar que “ela é agora a heroína premier da Casa das Ideias”.

Na conclusão do segundo volume da Ms. Marvel, Carol Danvers luta contra sua antiga inimiga Mística e um clone do Capitão Marvel criado pelos Skrulls durante a Invasão Secreta, depois de realizarem uma série de tragédias em templos pertencentes à Igreja de Hala, uma igreja dedicada a Mar-Vell. Danvers depois ajuda as forças aliadas de Steve Rogers contra o Patriota de Ferro durante o Cerco de Asgard.

Danvers também começa a desenvolver uma amizade com o Homem-Aranha. Embora ele a enfureça na primeira vez que eles trabalham juntos os dois se aproximam quando ele a ajuda durante o enredo Reinado Sombrio, e mais tarde ela admite ter sentimentos por ele.[ Após a conclusão do enredo “O Cerco”, a Ms. Marvel retorna como personagem regular no segundo volume de The New Avengers. 

Em julho de 2012, Carol Danvers assumiu o manto de Capitã Marvel em uma série em andamento escrita por Kelly Sue DeConnick com arte de Dexter Soy. Danvers veste um macacão e explora seu próprio passado. Ao descrever seu argumento para a série, DeConnick disse que poderia ser “resumida em ‘Carol Danvers como Chuck Yeager'”. Ela disse que a série contemplaria o que a lenda do Capitão Marvel significa para Danvers, como ela a usar. e como o resto do Universo Marvel reage.[

Em 2013, Carol Danvers estrelou o enredo crossover Captain Marvel/Avengers Assemble, “The Enemy Within”. Na história, Danvers e seus companheiros de equipe Vingadores lutam contra Yon-Rogg, o comandante Kree que foi responsável pela explosão que causou Danvers para receber seus poderes,[ ao derrotar o Kree, Danvers perde suas memórias.[

Durante o enredo de 2015 de “Guerras Secretas”, Danvers encabeçou sua própria série de tie-in, Captain Marvel and the Carol Corps, co-escrita por DeConnick e Kelly Thompson e desenhada por López. Na série, Danvers lidera um esquadrão de elite de pilotos de caça femininas estacionados em uma base aérea chamada Hala Field, onde ela é a única a ter superpoderes.

Isso leva o grupo a ajudar Danvers a responder perguntas sobre sua origem, o que a coloca em conflito com as forças controladoras do Battleworlds. Durante o enredo, Danvers torna-se um membro da A-Force, a equipe feminina de Vingadores do Battleworld.

Agora que já falamos de tudo relacionado á entidade Capitã(o) Marvel, é preciso falar de outros responsáveis dessa história: os Kree e os Skrulls.

Os Krees são uma raça humanoide, criadora de um vasto império reunindo cerca de mil mundos da Grande Nuvem de Magalhães. Criados por Jack Kirby e Stan Lee, sua primeira aparição foi na edição 65 da revista do Quarteto Fantástico (Agosto (é agosto, ouviu Panini?) de 1967).

Originalmente de pele azulada, os krees iniciaram seu império há cerca de um milhão de anos, aproximadamente cem anos depois do seu império ter o primeiro contato com seus inimigos interestelares, os skrulls. Estes na época tentavam forjar um império galáctico com base no livre comércio, e pousaram em Hala para oferecer aos bárbaros nativos a oportunidade de avançarem até um ponto em que pudessem se unir ao seu sistema.

Descobrindo que Hala contava com duas formas de vida igualmente inteligentes – os humanoides krees e os vegetais Cotatis -, os skrulls propuseram um teste para determinar qual raça era mais dotada de méritos. Os krees perderam. Enfurecidos, seus delegados assassinaram os skrulls e os cotatis e tomaram posse da nave estelar skrull e de sua tecnologia avançada.

Depois de dominar toda a tecnologia, os krees lançaram um ataque ao Império de seus benfeitores e arremessaram os pacíficos skrulls em um conflito que já dura milhares de anos e persiste até os dias de hoje. Os Krees vivem uma ditadura militar regida por um computador orgânico, a “Inteligência Suprema” – um cérebro gigantesco que agrega as maiores mentes militares do povo kree.

A soberania da Inteligência Suprema foi posta em xeque quando a dinastia regente de Hala, a Casa Fiyero, passou a almejar o controle do império. A dinastia Fiyero conseguiu amealhar controle suficiente para tornar muitos oficiais foras-da-lei e dominar a Inteligência Suprema. Seu paradeiro e sua condição eram desconhecidos até a Onda de Aniquilação; após este evento, ela foi encontrada à beira da morte por Ronan, o Acusador, que se viu forçado a destruí-la para livrá-la do sofrimento. Ronan então declarou-se Imperador do que havia restado do Império Kree.

Os krees possuem tecnologia de camuflagem. Sendo uma sociedade militar, têm uma classe de soldados de elite chamados Acusadores, que atua como sistema judiciário e reúne combatentes superqualificados. Tais Acusadores são normalmente acompanhados, ou precedidos, por robôs vigilantes que mantêm os mundos krees sob controle. Tantos os Acusadores quanto os vigilantes não devem ser vistos como ameaças menores: para derrotá-los seria preciso inúmeros membros da Tropa Nova.

Os skrulls são aliens de aparência esverdeada, rosto enrugado e orelhas pontudas. Sua primeira aparição foi na 2ª edição do Quarteto (Janeiro 1962) pela mesma equipe criou os Kree.

Há muitos milhares de anos, os Celestiais, poderosos seres cósmicos, chegaram ao planeta Skrullos, da galáxia de Andrômeda, e começaram a fazer experimentos genéticos com raça inteligente nativa daquele planeta, os Skrulls, quando eles ainda eram apenas um povo bastante primitivo. Como resultado desse experimento, os Skrulls foram modificados até darem origem a três subgrupos: os primordiais (ou normais), os eternos e os desviantes.

Os Skrulls desviantes começaram a se considerar os melhores e mais evoluídos de sua espécie, por isso declararam guerra contra os dois outros tipos de Skrulls. Usando de seus poderes adquiridos pelos experimentos dos Celestiais, os desviantes rapidamente derrotaram os outros Skrulls, eliminando-os completamente, e se tornando o único tipo de Skrulls do planeta.

Um fator muito importante fez com que os Skrulls desviantes tivessem uma vantagem na guerra contra os outros tipos de Skrulls, eles possuíam superpoderes únicos. Eles possuem controle total sobre seu corpo, podendo rearranjá-lo da forma que quiserem. Isso significa que possuem o superpoder de mudar de forma, podendo assumir a aparência de qualquer pessoa, animal ou mesmo um objeto, sem nenhuma aparente restrição de tamanho. Esse poder de mudança corporal também é usado para criar membros extras e até mesmo asas para voarem.

Entre os Skrulls desviantes existem ainda alguns indivíduos com um outro poder, a telepatia. Esse seleto grupo costuma trabalhar diretamente para o Império Skrull, servindo em suas cortes, onde assumem o título de Sacerdotes da Mente, ou também servindo às forças armadas.

Os Skrulls não se contentaram em apenas subjugar as outras espécies de seu planeta natal e, assim que sua tecnologia passou a permitir viagens interestelares, começaram a conquistar outros planetas. Logo se tornaram conhecidos por ser uma raça guerreira e desleal, tendo um dos maiores impérios galácticos da história do universo. Conquistaram todos os planetas habitáveis da Galáxia de Andrômeda, tendo domínio sobre mais de 1000 raças alienígenas diferentes.

O avanço das forças Skrulls logo chegou ao planeta Hala, lar de duas raças inteligentes, os Kree e os Cotati, embora ambas no alvorecer de sua civilização. Ao entrar em contato com esses dois povos, os Skrulls decidiram favorecer apenas um deles, escolhendo os Cottati. Isso causou uma revolta nos Kree, que atacaram os Skrulls e tomaram para si suas naves e tecnologia.

Por causa das distâncias estelares, passaram-se décadas até que os Skrulls descobrissem o que aconteceu em Hala. Ao voltarem a esse planeta, os Krees já tinha se desenvolvido bastante usando a tecnologia capturada, conseguindo contra-atacar e repelir as forças Skrulls. Assim começou a Guerra entre Skrulls e Krees, um conflito secular que nunca foi resolvido e já envolveu vários planetas, inclusive a Terra.

Os Skrulls apresentam um interesse especial pela Terra, pois ela está localizada em uma região estratégica na guerra contra o Império Kree. No entanto, graças aos super-heróis, essa raça alienígena sempre encontrou muita resistência para dominar o planeta.

Esses alienígenas tentaram muitas outras vezes conquistar o planeta, mas nenhuma foi tão eficaz quanto a Invasão Secreta. Uma das estratégias usadas pelos Skrulls para combater o Quarteto Fantástico foi reproduzir os poderes do grupo e concedê-los a um membro de sua raça. O indivíduo escolhido foi um Skrull chamado Kl’rt, que adquiriu os poderes de cada um dos membros do Quarteto, tornando-se assim o primeiro Super-Skrull. Kl’rt foi enviado para Terra e, por mais que tenha gerado grandes problemas, foi derrotado pelo Quarteto.

Anos mais tarde, os Skrulls voltariam a utilizar os Super-Skrulls em uma invasão a Nova York. Mas dessa vez, não foi apenas um Skrull com superpoderes, mas sim um exército inteiro. Havia Super-Skrull com os poderes dos Vingadores originais,  Super-Krull com os poderes de Loki e uma réplica tecnológica do Mjolnir de Thor, Super-Skrull com garras de Wolverine e a pele intransponível de Luke Cage, entre muitos outros. Um exército verdadeiramente aterrorizante.

Agora que já expliquei tudo o que podia, vamos ao filme.

Estamos em 1989. Vemos uma cena de batalha onde Carol Danvers/Vers (Brie Larson) está lutando com uma tropa uniformizada. Eis que ela atira em uma nave e tudo ao seu redor explode. 7 anos se passam e agora, a mesma está em Hala, a capital do império Kree. Ela faz parte da força estelar. Devido aos acontecimentos traumáticos, a mesma sofre de amnésia.

Yon-Rogg (Jude Law) a treina, pois a mesma possui habilidades extraordinárias. Eles então partem em uma missão de resgatar um de seus operativos que se infiltrou no grupo dos Skrulls. Vers é capturada pelo líder dos aliens transmorfos Talos (Ben Mendelsohn), levada á nave e lá passa por um escaneamento de suas memórias. Os aliens descobrem que uma doutora chamada Lawson (Annette Bening) tem relação com o seu passado.

Ela luta com aliens e parte para o planeta C-53 (mais conhecido como Terra), onde a doutora está. Logo, ela acaba aterrissando numa Blockbuster (pra quem nunca viu essa loja, ela já foi um dos maiores símbolos na questão de aluguel de filme. Sim, antes de existir Netflix/Amazon/Hulu/Looke ou qualquer outro serviço de streaming que o valha, as pessoas só poderiam assistir os filmes depois que passavam nos cinemas em versões físicas chamadas VHS). Os aliens chegam ao nosso planetinha e logo se disfarçam como se fossem nós.

O roteiro é basicamente o mesmo de todos os já feitos quanto a questão de apresentação do personagem no MCU. Nosso personagem irá passar por várias desventuras, terão vários momentos cômicos, revelações surpreendentes, porém não terá um peso que mudará todo o entendimento do universo Marvel. A grande questão aqui é: o filme vai apresentar a personagem que muitos especulam ser a líder da próxima saga da Marvel,(sim, tenho de comentar que Fases 1-3 acabou, agora nós temos sagas, e a saga que será concluída com Vingadores: Ultimato é a Saga do Infinito, inspirada nas 3 sagas, orquestradas por Jim Starlin) conectar pontas soltas não tão cruciais assim e fundamentar o início do próximo filme. Apesar de conseguir resolver a questão de inserir a personagem, há vários furos de roteiro que são resolvidos de forma torpe e muito superficial.

A direção de arte no quesito espacial é fraco. Pouco se é visto do espaço, mesmo no interior de naves, não há detalhe que faça o espectador ficar embasbacado com o trabalho de composição. Porém, é na Terra que as coisas se salvam: devido ao clima nostálgico da década de 90, vemos várias referencias a década, desde os aparelhos, os estabelecimentos até as vestimentas. A paleta de cores foca principalmente no azul, no vermelho, no verde, no amarelo e no marrom.

Os efeitos visuais são impecáveis. São poucos os filmes da Marvel que deixam a desejar nesse quesito. O rejuvenescimento de Samuel L Jackson é de um nível intangível. Parece que voltamos a ver o mesmo ator que em 1994 em Pulp Fiction brilhava ao lado de John Travolta como o bad motherfucker Jules Winnfield. Quando Carol decide usar seus poderes, é algo estupefato e bem realizado. O mesmo não acontece com a transformação dos Skrulls. Sua transição de forma alien para outra pessoa parece similar ao feito em Power Rangers (2016).

A trilha sonora já é característica. Inclui grandes clássicos pop como Whatta Man, das cantoras En Vogue & Salt-n-Pepa, Come As You Are, da banda Nirvana (clássico do grunge), Please Mr. Postman, da banda The Marvelettes e etc.

As cenas de ação não são tão bem orquestradas. O recurso da câmera tremida embora dê um impacto de imersão no quesito tensão, não consegue atingir seu alvo, visto que recorre a cortes excessivos e planos fechados onde poucos entendemos a geografia de onde a cena está acontecendo. O 3D novamente é dispensável, porém recomendo assistir em IMAX se estiver disponível em sua cidade (sempre vale a pena assistir nesse formato).

As atuações são boas na medida do possível. Brie Larson corria o risco de se tornar sem carisma. Visto que passa a maior parte do tempo séria, focada e esboça poucos sorrisos, muitos talvez não comprariam a personagem. Samuel L. Jackson está como uma boa parte dos heróis nos recentes filmes. Não vejo problema em dar o protagonismo a uma mulher, porém este é o segundo filme onde o personagem masculino que antes tinha relevância passa a se tornar enfadonho, chato, pedante beirando ao ridículo. Já critiquei isso em Wifi Ralph, porém decidiram repetir a fórmula.

Jude Law, mesmo tendo momentos bons em tela, soa distante. Seus discursos remete aos líderes fanáticos de grupo supremacistas (Hitler aprova). Ben Mendelsohn consegue fazer um líder misterioso cujas verdadeiras intenções serão reveladas ao longo do filme. Annette Bening tem alguns momentos interessantes na questão diálogo, porém não demonstra muito potencial em tela. Djimon Hounsou e Lee Pace não demonstram quase nenhum potencial em tela e não fazem diferença na trama.

Lashana Lynch é a amiga de Carol Danvers que já dava a amiga como morta. Ela será de importância fundamental a trama da personagem. Gemma Chan como Minn-Erva não apresenta nada de peso a personagem e quando aparece não possui um único momento de protagonismo.

Capitã Marvel está anos luz de distancia do gosto ruim que os dois filmes do Thor e do Homem-Formiga deixaram na boca dos fãs. Porém, devido a estratégias falhas de roteiro. mal aproveitamento de vários personagens que poderiam ser vitais ao desenvolvimento da trama, o péssimo escalonamento de Samuel L. Jackson está levemente abaixo da média dos filmes deste universo. Longe de ser ruim, porém não será o melhor filme da história. Se tiver continuação, creio que ao corrigir os erros, fará a personagem ser mais relevante que que aquela que começou com protagonismo das mulheres nos quadrinhos: a Mulher Maravilha.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade.