12
mar
2019
Crítica: “Desventuras em Série” (3ª Temporada)
Categorias: Críticas, Pipoca Seriados • Postado por: Rafael Hires

Desventuras em Série (Lemony Snicket’s A Series of Unfornate Events)

Barry Sonnenfield, 2019
Roteiro: Daniel Handler, Joshua Conkel, Sigrid Gilmer e Joe Tracz
7 episódios (36-55 min.)
Netflix

4.5

Conclusão. Palavra que aqui define um encerramento de algo que já havia sido proposto anteriormente. Eis que a vemos a última temporada de desventuras dos órfãos Baudelaire, encarando mais uma série de desafios que irão lhes colocar de frente com atitudes que serão verdadeiras epopeias a serem travadas.

Essa temporada começa de onde parou na segunda. Violet (Malina Weissman) e Klaus (Louis Hynes) estão caindo de um desfiladeiro, pois sua identidade fora descoberta, além do vagão ter sido desconectado e Sunny (Presley Smith) estar nas garras de Olaf (Neil Patrick Harris), Esmé (Lucy Punch) e a trupe, incluindo os empregados do circo.

Eles conseguem se safar, improvisando um paraquedas. Eles conseguem abrigo, junto de um bando de escoteiros e vêem mais um de seus desafetos: a endiabrada/mimada/irritante Carmelita Spats (Kitana Turnbull). Logo, os irmãos descobrem que um dos escoteiros é Quigley Quagmire, irmão desaparecido dos gêmeos. Também vemos Kit Snicket (Allison Williams) escapando com o açucareiro e sendo perseguida pelo Homem Com Barba, Mas Sem Cabelo (Richard E. Grant) e a Mulher Com Cabelo, Mas Sem Barba (Beth Grant), que serviram de influencia para Olaf cometer seus terríveis atos escandalosos.

Os roteiros da temporada irão adaptar os últimos 4 livros: O Escorregador de Gelo, A Gruta Gorgônea, O Penúltimo Perigo e O Fim. Um dos pontos mais altos é a ausência dos números musicais que são inapropriados, desnecessários e só serviam para encher linguiça. Aqui, vemos vários desdobramentos como a trupe deixando Olaf, a estranha aliança de Carmelita a Olaf e mais desenrolar das histórias pouco explicadas do passado sobre a C.S.C e outra coisas mais.

O tom desta temporada é mais sombrio que na temporada anterior. Enquanto que, na 2ª temporada, estávamos descobrindo aos poucos sobre a C.S.C, aqui vemos um aprofundamento sobre o que se sabe e que possivelmente a C.S.C não seja tão idônea assim.

A direção de arte novamente faz um trabalho incrível. A caracterização do Homem Com Barba, Mas Sem Cabelo e da Mulher Com Cabelo, Mas Sem Barba é muito bem feito. O Hotel Desenlace é um lugar repleto de cômodos, cada um mais misterioso que o outro e a ilha onde os órfãos naufragam a principio, se mostra um lugar paradisíaco e inenarrável, porem logo vira algo a ser temido. Os submarinos são bem feitos e mostram um contraste como cada equipe é. Isso também é visto na pilha de livros gigante que Kit usa como barco. Algo fora do comum, mas original e bem arquitetado. Outro grande destaque são nas vestes de Esmé. Seus figurinos sempre remetem a algo da trama seja simples casaco de pele ou mesmo um vestido com direito a tentáculos.

Os efeitos visuais são um tanto desconcertantes. O fungo miscélio medusoide, descrito como letal, deve crescer exponencialmente quando desperta, porém o CGI é feito de maneira estranha, dando um ar muito artificial, tirando o impacto da cena. Outro problema vemos na escalada pelo escorregador de gelo. O visual tem aspecto mal feito e improvisado.

O maior destaque vão para as relações interpessoais. Isso já vemos com a equipe do circo sendo abandonada para morte por Olaf e sua turma nem se importando com o fato. A dinâmica entre Olaf e a dupla Homem e Mulher é magnetizante. Cada um se complementa de forma precisa, enquanto Olaf tem como objetivo ser o centro das atenções e pegar a fortuna dos Baudelaire, a dupla tem como objetivo agir nas sombras e fazer coisas ainda mais escabrosas, servindo de contraponto perfeito para o Conde e suas atitudes espevitadas. Até mesmo, estranhas alianças sendo feitas como Sunny e Fernald (Usman Ally), o homem-gancho da trupe de Olaf.

As atuações são boas. Neil Patrick Harris volta como Olaf, ainda mais sedento de ódio, Lucy Punch volta como Esmé, jurando vingança aos Baudelaire e Kitana Turnbull volta como a imatura Carmelita, sendo um pesadelo para quem estiver com ela. Louis Haynes, Malina Weissman e Presley Smith voltando como os irmãos Baudelaire, que estão em busca de justiça para finalmente acabar com a ameaça de Olaf, a dupla Homem e Mulher, Esmé e Carmelita.

Patrick Warburton volta a fazer as vezes de Lemony Snicket, sendo o interlocutor e agindo na presença dos Baudelaire. Max Greenfield interpreta os trigêmeos Frank, Ernest e Dewey Denouement, os donos do hotel, porém este último estava escondido. Uma performance bem interessante, pois correria o risco de um dos personagens estar mais apagado que o outro. Seu tempo em tela é algo muito bem pontuado. Kassius Nelson é Fiona Widdersshins, a capitã do submarino Queequeg, que está a procura do Capitão Anwhistle e irmã de Fernald,

Uma participação a ser destacada é de Morena Baccarin, que interpreta Beatrice Baudelaire, a mãe dos órfãos. Mesmo em poucos momentos, consegue se fazer presente. Peter MacNicol faz as vezes de Ishmael, o diretor da Escola Preparatória Prufrock e o líder da ilha. Apesar de ser calmo e sábio, esconde segredos que serão desvendados.

A última temporada de Desventuras em Série consegue fechar a série de maneira satisfatória e bem interessante. Deixa um gostinho de quero mais, porém, não será possível haver novos capítulos. Pelo menos, não até Daniel Handler escreve mais livros ou o mesmo decidir fechar as pontas soltas deixadas na cronologia, mas creio que não acontecerá.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade.