18
abr
2019
Crítica: “A Maldição da Chorona”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

A Maldição da Chorona (The Curse of La Llorona)

Michael Chaves, 2019
Roteiro: Mikki Daughtry e Tobias Iaconis
Warner Bros. Pictures

3

A Chorona. Uma lenda mexicana tão instigante e tão misteriosa cujas origens são incertas e possui tantas versões que parece com outra grande lenda: a Loira do Banheiro, também conhecida como Bloody Mary.

E como o Invocaverso está sendo a maior franquia de filmes de terror da história atual com filmes com sucesso de público, não demoraria muito até um filme dessa assombração ser feito.

Estamos em 1673. Uma família feliz está num campo aberto, comemorando algo. Porém, um dos filhos menores se distrai e vê sua mãe afogando seu irmão num lago. O garoto foge, mas acaba sendo alcançado.

Agora, estamos em 1973. Anna (Linda Cardelini) é uma assistente social que cuida do caso de Patricia Alvarez (Patricia Velásquez), pois os filhos já não vão a aula há algum tempo.

Linda entra na casa e se depara com um local todo enclausurado, com janelas pregadas, velas espalhadas e um comodo trancado com símbolos estranhos. Patrícia pede para que Anna não abra e lá estão seus filhos.

Patricia diz que seus filhos agora estarão expostos a Llorona (Marisol Ramirez). Anna titubeia, mas nem se preocupa. Os garotos são levados a assistência social. Anna nota marcas nos braços dos garotos e os mesmos dizem que a Chorona fez isso. À noite, o irmão mais velho sai do quarto e vaga pelo local. O irmão mais novo tenta chamar sua atenção, porém repara no espelho que uma mulher de vestido branco está se aproximando.

Anna é chamada e logo se percebe que dois corpos estão às margens do rio e seus dois filhos Chris (Roman Christou) e Sam (Jaynee-Lynne Kinchen). São os dois filhos de Patricia. A mãe chega e fica pasma com o que vê e briga com Anna. Chris ouve choros e decide sair do carro. Ele vê uma mulher chorando e chama a sua atenção. A mulher se aproxima subitamente e pega no braço de Chris, o machucando e marcando-o assim como os filhos de Patrícia.

O roteiro tenta fazer ligação com o universo de Invocação do Mal, porém a única ligação que tem é com o personagem Padre Perez (Tony Amendola), que fora visto em Annabelle, mas o mesmo não possui um peso na trama. A história chega a explorar a mitologia da assombração, porém é brevemente visto e não é feito de maneira proveitosa. O filme até desenvolve uma certa dificuldade com Anna de administrar a família após a morte de seu companheiro, mas logo coloca de escanteio.

O desenho de som é bastante óbvio. Quando a assombração chora, sabe-se que um susto está engatilhado para acontecer em pouco tempo. O som emitido quando a fantasma marca suas vítimas parece como algo sendo frito ou carbonizado.

A maquiagem da monstra é do mesmo nível apresentado em A Freira. O rosto é pálido para dar um aspecto cadavérico e seus olhos apresentam um sombreado para deixar ainda mais impactante. Mas não chega a ser arrepiante.

O figurino é bem feito. A personagem principal possui um vestido, todo cheio de franzidos, babados, com direito a um véu, parecendo uma versão demoníaca de uma noiva. As roupas dos outros personagens condizem com a época, em especial, o figurino de Anna, onde os jeans tem uma cintura mais alta.

Os jump-scares são muito fáceis de advinhar. Se você ver algum tipo de vestido, em poucos segundos, a monstra estará na sua frente para lhe dar um susto. O mesmo é pontuado pelo choro. O único susto realmente inventivo é numa sequencia onde a translucidez de um guarda-chuva é explorada. De resto, são poucos os momentos onde os sustos lhe pegarão de guarda baixa.

A batalha final é resolvida no maior estilo deus ex-machina. Tudo muito clichê, sem profundidade e sendo uma das piores mortes de vilões da saga até então. Consegue ser ainda mais desproporcional que A Freira, onde a freira demoníaca leva uma cusparada de sangue e derrete na água, ao pior estilo O Mágico de Oz.

As atuações são medianas. Linda Cardelini é a mãe com problemas na casa, tentando administrar tudo. Raymond Cruz faz as vezes do casal Warren, porém usa de métodos pouco ortodoxos para obter seus resultados. Marisol Ramirez é a entidade Chorona. Até consegue cumprir bem o seu papel, porém quando é necessário agir como uma pessoa normal, não convence.

Patricia Velasquez é a mãe perturbada. Desde que seus filhos foram tocados pela entidade, zela pela segurança dos dois. Ao ser forçada a deixar seus filhos sem proteção, decide se vingar da responsável por seu luto. Jaynee-Lynne Kinchen é a filha esperta e vivaz. Mesmo que se distraia de vez em quando, ainda assim possui seus momentos.

Roman Christou é o filho corajoso. Porém, assim que a Chorona lhe toca, fica apreensivo, mas no terceiro ato, mostra sua real capacidade. Tony Amendola é a tentativa de ligação do filme com a franquia de James Wan, porém não é feito de maneira orgânica e só faz lembrar o quanto os fãs destam o primeiro Annabelle.

A Maldição da Chorona pode render uns sustos aqui e ali à aqueles que não viram nenhum filme desses universo. Porém, devido as inconsistências no roteiro, CGI forçado e poucos momentos incríveis, se torna apenas mais um capítulo sem graça dessa franquia, cujos os únicos filmes mais adorados são os realizados pelo responsável que conseguiu a façanha de fazer o personagem mais ironizado da história a virar a maior sensação do fim do ano.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade.