01
abr
2019
Crítica: “Dumbo (1941)”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

Dumbo

Ben Sharpsteen, 1941
Roteiro: Joe Grant e Dick Huemer
Disney

5

E lá se vão mais de 70 anos desde que Dumbo estreou pela primeira vez. E como tudo ou quase tudo hoje em dia está ganhando remake, fiquei um mês sem poder falar ao ver que o elefantinho de orelhas gigantes está prestes a ganhar uma nova versão a cargo de Tim Burton.

Porém, antes de falar dessa nova versão, vamos ao original.

Durante a noite, as cegonhas vem trazendo vários bebês. Porém, a sra. Jumbo, esperançosa, não tem seu desejo atendido. Na manhã seguinte, uma cegonha muito atrapalhada chega até o vagão e traz um elefantinho muito gracioso.

Porém, logo se nota que o pequeno paquiderme é um tanto diferente dos outros: ao espirrar, a força é tanta que suas orelhas abrem se revelando ser maiores que o normal. Logo, o bebê sofre bullying por parte das colegas da mãe e recebe o apelido degradante de Dumbo (traduzindo do inglês “dumb” que significa burro).

Eis que durante uma das apresentações, Dumbo é constantemente abusado por crianças desordeiras. Isso faz com que a sra. Jumbo perca o controle e revide contra todos que façam mal ao seu filho, ocasionando em seu aprisionamento.

Devido a atitude da sra. Jumbo em proteger o seu filho, todas as aliás acabam relegando Dumbo a solidão. O único que não tem preconceitos ali é Timóteo, que decide assustar as aliás e tentar ajudar Dumbo a recuperar sua autoestima e mãe.

O roteiro trata de certa forma como é a maneira que os donos cuidam desses animais num circo itinerante, fazendo uso deles para lucrar e vez ou outra ignorar que os mesmos podem sofrer abusos por parte dos visitantes. E de uma maneira mais velada, o racismo. Visto que um dos personagens é Jim Crow, um personagem abertamente segregacionista que servia como deboche a maneira de andar e falar dos negros americanos, onde os brancos faziam blackface, porém ou deixavam a área dos lábios branca ou vermelha, a fim de insultar a fisionomia desse grupo étnico.

A animação é muito fluida, mesmo para a época. A Disney, desde Branca de Neve, sempre fora perfeccionista. Aqui, o movimento dos animais, em especial, dos elefantes, é de uma naturalidade plástica, suave e bem encaixada.

Porém, a cena de maior destaque no quesito de animação é a sequência dos elefantes rosas. Não apenas o estilo da animação é drasticamente alterado, como o ritmo é completamente independente do resto do filme. Devido ao estado de percepção alterada devido ao consumo de álcool. Sim, isso aconteceu. Eram os anos 40, a televisão ainda não existia, nem mesmo havia um código de regulamentação do que poderia ser mostrado em tela numa animação, visto que o publico era majoritariamente adulto. Essa cena já foi colocada na lista das cenas mais impactantes do universo Disney.

A música segue o tradicional estilo das produções. Sempre usando músicas próprias. Os destaques da trilha vão para When I See An Elephant Fly, onde os corvos cantam que ficam impressionados com a ideia de que um elefante possa voar, a já mencionada Pink Elephants On Parade, que dá um tom sinistro e ao mesmo tempo agradável, culminando numa viagem de ácido ensandecida. Frank Churchill retorna a produção já tendo feito um trabalho magistral em Branca de Neve.

A dublagem aqui no Brasil sofreu diversas alterações com o passar dos anos. A primeira dublagem aqui foi feita ainda quando o filme estreou nos cinemas. Depois nos anos 80, o SBT acabou comprando o filme e fazendo uma nova dublagem que não se tem acesso até hoje. E a última dublagem feita em 1996 para o lançamento em VHS. Porém, como este é um dos filmes com menor número de falas, não há muito o que comentar sobre a atuação.

O desenho de som é magistralmente bem feito. O trabalho para fazer com que o trem parecesse falar algo através dos apitos é genial. As correias na sequência onde se arma o circo é bem feita, unindo chuva, lama, vento e tudo mais numa cena de grande harmonia sonora.

A direção de arte dispensa comentários. Desde os ambientes internos dos vagões até o circo na parada, tudo é feito nos mínimos detalhes, fazendo com que o universo, mesmo que reduzido, seja vivo e único. A paleta de cores usa de cores muito vivas em destaque o vermelho, o laranja, o amarelo, o verde e o cinza sendo a segunda cor de maior importância.

Dumbo é cativante, divertido e muito emocionante. Deve-se levar em contas que tais cenas polêmicas foram feitas em tempos mais politicamente despreocupados. Porém, não são suficientes para apagar o charme que a tornou uma obra prima querida do estúdio que hoje compra até pessoas se quiser.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade.