07
abr
2019
Crítica: “Shazam!”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

Shazam!

David F. Sandberg, 2019
Roteiro: Henry Gayden
Warner Bros. Pictures

5

Lá se vão mais de 75 anos desde que o Shazam foi criado. E quem diria que, depois de vários anos no ostracismo, ele voltaria a ser relevante num cenário onde a DC decide reformular seu universo cinematográfico e tentar reverter os erros cometidos em boa parte das produções recentes da casa.

O filme começa em 1974. O jovem Thaddeus Silvana (Ethan Pugiotto)está num carro, junto de seu irmão e pai (John Glover). Porém, é magicamente transportado a Pedra da Eternidade, onde um mago chamado Shazam (Djimon Hounson) busca alguém de coração puro para ser o novo campeão. Porém, as estatuas na caverna, que se denominam os Sete Pecados Capitais tentam dissuadir o jovem garoto a libertá-los com o uso do Olho do Pecado. Shazam vê, interfere e diz que o mesmo não é digno e o manda de volta para a sua realidade.

O garoto se enfurece e faz seu pai cometer um acidente de carro, o paralisando. Anos se passam e nos encontramos nos dias atuais. O jovem Billy Batson (Asher Angel) acaba fazendo muitas coisas inconsequentes e anota o nome de uma mulher que possa ser sua mãe. Logo, Billy se muda para uma casa onde é acolhido por Victor (Cooper Andrews) e Rosa Vazquez (Marta Milans). E logo conhece seus novos irmãos: Eugene (Ian Chen), Pedro (Jovan Armand), Mary (Grace Fulton), Darla (Faithe Herman) e seu colega de quarto Freddy Freeman (Jack Dylan Grazer), um tetraplégico.

Enquanto isso, Thaddeus Silvana (Mark Strong), agora mais velho, ouve relatos de pessoas que foram procuradas por Shazam. Silvana descobre como chegar a Pedra e vai tirar satisfação com o velho mago. Ele rouba o Olho e com seus novos poderes, o derrota e decide se vingar de seu pai e irmão. Enquanto, alguns valentões abusam de Freddy que é defendido por Billy. Logo, Billy os despista em um metrô e é invocado por Shazam. O mesmo é escolhido por Shazam e, ao dizer o nome do mago segurando em seu cajado, vira um super herói multipoderoso (Zachary Levi).

O roteiro do filme foca nos elementos cômicos. Isso é possível perceber desde a primeira cena onde Billy é introduzido. Mesmo que a pegadinha com os policiais seja algo um tanto absurdo de uma criança fazer, isso só reflete a imaturidade e a inconsequência de um rapaz que perdeu tudo e só faz o quer sem haver consequências maiores. Obvio que, por ser um filme de super herói, vai ter cenas de ação ultra estupendas, porém não esperem nada no nível de Guerra Infinita ou mesmo o vindouro Ultimato, que vai chegar logo mais.

Tanto que o foco é a interação de cada personagem. A química entre Billy e Freddy ou Shazam e Freddy é onde o filme se paga. Seja os dois falando sobre super heróis, seja um dando lição de moral no outro, ambos se seguem em pé de igualdade, apesar de vez ou outra, Billy parecer mais distante.

O desenho de som é bem feito. Os ruídos das criaturas são bem escolhidos, tentando deixa-las intimidadoras. Nota-se também os sons dos raios que são bem feitos.

A direção de arte é bem feita. Apesar do traje do Shazam parecer deixar o herói um tanto mais musculoso do que aparenta ser, não chega a ser algo que possa arruinar ou lhe distrair muito. A paleta de cores é alternante, porém suas cores mais proeminentes são o vermelho, o branco e o amarelo.

São feitas várias referencias, não apenas a cultura pop, como também os heróis da DC. Freddy possui um grande amalgama de pertences dos heróis da casa como Batman, Superman, etc. Até sobra pro Aquaman. Da cultura pop, um dos elementos a serem destacados é Quero Ser Grande, filme onde Tom Hanks é uma criança em corpo de adulto. Isso reflete bastante a aura cômica do filme.

A trilha sonora é muito boa. Das faixas conhecidas, contem alguns clássicos como Eye of the Tiger, da banda Scorpions (até fazem referencia a Rocky), Don’t Stop Me Now, da banda Queen, I Don’t Wanna Grow Up, da banda Ramones. Da parte instrumental, o tema do personagem é épico e muito bem feito.

As cenas de luta não são melhor parte. Mesmo que haja efeitos práticos para fazer com que o personagem pareça alçar voo, ainda assim, as lutas são muito robóticas, pouco desenvolvidas, além de terem um uso excessivo de CGI. Os verdadeiros vilões, os Sete Pecados, pouco fazem em tela e se fossem retirados, não teriam a mínima importância a trama.

As atuações são boas. Asher Angel é Billy Batson. Sua aura de garoto problema esconde, no fundo, um garoto solitário em busca de um lugar para poder chamar de lar. Zachary Levi é Shazam. Um herói bastante imaturo, sem saber da suas responsabilidades ou mesmo tendo entendimento de que seus poderes acarretam grandes tarefas. Porém, logo se transforma de um completo bobão a um grande herói.

Mark Strong é o típico vilão de filme de herói. Possui momentos inspirados, porém sua motivação é a de um garoto que só quer atenção. Jack Dylan Grazer é Freddy. Seu papel de nerd rende ótimos momentos e serve como um Tio Bem para manter Billy/Shazam dentro da realidade. Ele já tinha surpreendido em IT – A Coisa como Eddie, o garoto hipocondríaco. Aqui, seu timing de comédia é mais afiado é mostra que faz coisas tão boas quanto gente grande.

Faithe Herman é Darla. Seu papel de garotinha fofa e simpática vai derreter corações gelados, porém não há um grande momento onde a pequena mostre sua desenvoltura.

Shazam! é um bom resultado, vindo da DC que até 2017 só entregava bomba atrás de bomba. Esse filme restaura o potencial que o estúdio tem de fazer filmes interessantes. Porém, só o tempo dirá se tal atenção é merecida.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade.