17
abr
2019
Tudo sobre Chorona: a mãe mais desnaturada da história!
Categorias: Artigos • Postado por: Rafael Hires

O Invocaverso (universo de Invocação do Mal) este ano, terá 2 filmes que expandirão o nosso entendimento sobre os fatos que já foram apresentados e o primeiro é sobre a fantasma chamada Chorona. Mas, como sempre, é preciso perguntar: você conhece essa lenda?

Origens

Como toda lenda popular, La Llorona deu origem a diversas variantes, misturando simples histórias e relatos de pessoas que afirmam ter visto a mulher com os próprios olhos, mas o relato mais conhecido remonta ao século XVI. Esse relato específico conta que quando chegava a noite e os moradores da Cidade do México se acolhiam em seus lares para dormir, eram sempre acordados no meio da noite pelo choro de uma mulher que andava sob a luz da lua cheia. Daí o nome “A Chorona”.

Poucos tiveram a coragem de ir até lá fora e ver o motivo do choro da mulher, e os que o fizeram dizem que apenas conseguiam ver uma neblina espessa sobre o solo e no meio estava a mulher, vestida de branco e com um véu cobrindo seu rosto – o que a tornava quase indistinta em meio à neblina. Ela percorria a cidade em todas as direções e desaparecia quando chegava às margens do lago Texcoco.

Contam os relatos que aqueles que se arriscaram a chegar mais perto da Chorona morreram ou passaram o resto da vida perturbados com as visões chocantes que ela lhes fazia ver.

Mas, você deve estar se perguntando, quem é essa mulher misteriosa e porquê ela chora?

Primeira versão alternativa

Diz a lenda que, há muitos anos atrás, ela veio para Xochimilco com seus dois filhos: Ollin e Tonatiuh. Era mãe solteira, trabalhava duro vendendo as flores que ela cultivava em sua chinampa (um canteiro de cultivo). Graças a sua generosidade e camaradagem, ela ganhou a simpatia de todo o povoado e sua chinampa logo começou a dar frutos. Até que em uma má noite tudo mudou.

Por um descuido, a casa de Yoltzin pegou fogo quando ela voltava de um dia de trabalho. Desesperada, Yoltzin tentou apagar o fogo, mas ela não reparou que a balsa onde estavam seus filhos ficou à deriva. Quando notou a sua ausência, já era tarde demais. Eles sumiram sem deixar rastros. Yoltzin e todo o povoado os procuraram durante vários dias. No fim, alguém achou as crianças do lado do canal. Yoltzin enlouqueceu de dor.

Ela não conseguiu aceitar a morte de seus filhos. Com o coração destroçado e cheio de dor, Yoltzin não conseguiu resistir  e foi se apagando lentamente entre choros e lamentos. Durante muitos anos, o povoado estava triste e sofrendo. Mas quando a história de Yoltzin estava ficando esquecida, começaram a se ouvir lamentos no meio da noite.

Dizem que la Llorona é a bela Yoltzin que vagueia pela vila á procura de seus filhos. Ela busca vingança pegando crianças que não são suas. Nunca encontrará a paz que tanto anseia a menos que encontre seus filhos há muito perdidos.Versão mais conhecida

Segunda versão alternativa

Há mais de 500 anos atrás, havia uma moça que era não apenas bonita mas, sim, a mais linda de toda a cidade em que vivia. Todos os homens daquela cidade queriam casar-se com ela, mas apenas um conseguiu ganhar o coração da garota.

Ele se aproximou dela aos poucos, fez amizade com sua família e alguns anos depois, eles estavam apaixonados um pelo outro e enfim se casaram. Como fruto do casamento, tiveram um belo filho ao qual amavam muito e faziam tudo ao seu alcance para vê-lo feliz. O tempo passou e chegou o dia do 3º aniversário do garoto e seu pai foi à cidade para comprar um presente.

Mas, ele nunca mais voltou e nem sequer foi visto por ninguém da cidade.

Começaram a circular boatos de todo tipo, que iam da suposta morte do homem até uma amante pela qual ele havia trocado a família, mas independente do real motivo do desaparecimento, sua esposa ficou arrasada e teve de criar seu filho sozinha.

Mas o tempo passou e, enfim, a mulher conseguiu superar a falta de seu marido desaparecido. Ela aprendeu a aceitar o fato de que ele jamais voltaria para casa. E por fim, ela acabou se apaixonando novamente, dessa vez por um fazendeiro rico. Ela contou ao fazendeiro que gostaria de casar-se com ele, mas o homem disse que não aceitaria por causa do filho que ela tinha. Ele não queria se casar com uma mulher que já havia sido casada e que tinha um filho.

A mulher ficou muito irada e foi embora apressada para casa. Algo havia acontecido em sua mente – ela já não era mais a mesma. E logo isso se tornaria evidente, com os acontecimentos que viriam a seguir.

Chegando em casa, a mulher disse ao seu filho que eles iriam tomar um banho no lago Texcoco e o menino, feliz por saber que iriam até o lago, se apressou em se preparar para o passeio.

Chegando ao lago, o garoto que ainda não era muito alto, ficou brincando na parte mais rasa do lago, enquanto sua mãe entrava até o meio do lago, onde era mais fundo. Ela então disse ao filho que ele já era grande o suficiente para ir até a parte mais funda, e ele foi até perto da mãe.

A água chegava até a cintura do menino. Conforme ele ia mais para o centro do lago, a água começava a cobrir-lhe cada vez mais o corpo. Primeiro chegou até peito, depois até os ombros e quando chegou perto da mãe, a água já estava na altura de seu pescoço e ele se apoiava com as pontas dos pés no fundo para não afundar.

Foi então que, cegada pelo ódio que sentia pelas palavras do fazendeiro, a mulher disse a seu filho que iria lavar os cabelos dele, mas aproveitou-se disso para empurrar a cabeça do garoto para baixo da água. O menino começou a se debater em desespero e agarrou o braço da mãe. Mas ela fazia ainda mais força para não deixar que ele voltasse à superfície. Logo, os braços do menino que se agarravam à mãe se afrouxaram e ele parou de se mover. A mulher havia matado seu próprio filho.

Depois disso, ela deixou que a correnteza do lago levasse o corpo do garoto em direção ao mar e ficou observando até que o filho desapareceu no horizonte. Logo em seguida, ela correu até a casa do fazendeiro e lhe contou o que ela havia feito – agora ela não tinha mais filho, agora eles poderiam se casar.

A princípio, o fazendeiro se recusou a acreditar naquela história, mas logo ele percebeu que o que a mulher contava era a verdade. Ele sentiu uma profunda tristeza e repulsa pelo que ela havia feito e lhe disse que jamais poderia amar uma assassina que matara o próprio filho. Ele lhe ameaçou dizendo que ela não deveria nunca mais chegar perto dele ou de sua propriedade.

Nesse momento, como se estivesse acordando de um sono profundo, a mulher se deu conta da coisa terrível que ela havia feito. Havia matado o próprio filho, a única pessoa no mundo que a amava e nunca a abandonara.

Ela voltou correndo até o lago e chorou amargamente pelo filho. O tempo passava e ela continuava chorando à beira do lago. Ninguém sabe dizer ao certo quanto tempo se passou, mas um dia enfim encontraram o corpo da mulher à beira do lago. Ela passara tanto tempo chorando, que não mais se alimentou ou dormiu, e por fim sua tristeza causou sua morte e, desde então, começaram os relatos de gente que viu a mulher vagando pela região, chorando eternamente pelo mal que causara.

Versão mais aceita (e usada no filme)

Diz a lenda que em uma aldeia rural vivia uma jovem chamada Maria. Ela veio de uma família pobre, mas era conhecida em sua aldeia por sua beleza. Um dia, um nobre extremamente rico viajou por sua aldeia. Ele parou quando viu Maria.

Maria ficou encantada com ele e ele ficou encantado com a beleza dela, então quando ele propôs a ela, ela imediatamente aceitou. A família de Maria estava entusiasmada por ela estar se casando com uma família rica, mas o pai do nobre ficou extremamente desapontado porque seu filho estava se casando na pobreza.

Maria e seu novo marido construíram uma casa na aldeia para ficar longe de seu pai desaprovador. Eventualmente, ela deu à luz dois filhos. Seu marido estava sempre viajando e começou a parar de passar tempo com sua família. Quando ele chegou em casa, ele só prestou atenção aos filhos e Maria sabia que seu marido estava perdendo amor por ela. Um dia, ele voltou para a aldeia com uma mulher mais jovem e disse a seus filhos adeus, ignorando Maria.

Maria, zangada e magoada, levou seus filhos a um rio e afogou-os em uma fúria cega. Ela percebeu o que havia feito e procurou por eles, mas o rio já os levara embora. Dias depois, ela foi encontrada morta na margem do rio. Desafiada às portas do céu pelo paradeiro de seus filhos, não lhe foi permitido entrar na vida após a morte até encontrá-los.

Preso entre a terra dos vivos e os mortos, ela passa a eternidade procurando por seus filhos perdidos. Ela sempre é ouvida chorando por seus filhos, ganhando o nome dela “La Llorona”. Dizem que se você a ouve chorar, você deve seguir o caminho oposto. Se você ouvir seus gritos, eles podem trazer desgraça ou até a morte. Muitos pais na América Latina usam essa história para assustar seus filhos de ficarem fora até tarde.

La Llorona sequestra crianças vagantes à noite, confundindo-as com as suas. Ela pede perdão aos céus e afoga os filhos que ela sequestra. As pessoas que afirmam tê-la visto dizem que ela aparece à noite ou no final da noite por rios ou lagos, usando um vestido branco ou preto com um véu. Alguns acreditam que aqueles que ouvem os lamentos de La Llorona estão marcados por morte ou infortúnio.

Entre seus lamentos, ela é notada como chorando “¡Ay, mi hijos!” que se traduz em “Oh, meus filhos!” ou “Oh, meus filhos!” Ela raspa o fundo dos rios e lagos, procurando por seus filhos. Dizem que quando seus gemidos soam perto, ela está realmente distante e quando ela parece distante, ela está realmente muito próxima.

Mais versões alternativas mexicanas

Como é de costume em tudo quanto é lenda urbana, nossa querida fantasminha matadora de criança, não poderia deixar de ter versões ainda mais estranhas. Aqui estão as mais conhecidas:

  • La Llorona também é às vezes identificada com La Malinche a mulher Nahua que serviu como intérprete e amante de Cortés que deu à luz seus filhos e, que, alguns dizem ter sido traída pelos conquistadores espanhóis. Em uma história folclórica de La Malinche, ela se tornou amante de Hernán Cortés e lhe deu um filho, apenas para ser abandonada para que ele pudesse se casar com uma senhora espanhola (embora não haja evidências de que La Malinche tenha matado seus filhos). O orgulho asteca levou La Malinche a atos de vingança. Neste contexto, o conto compara a descoberta espanhola do Novo Mundo e o desaparecimento da cultura indígena após a conquista com a perda de La Llorona.
  • O povo Chumash (povo latino costeiro) do sul da Califórnia tem sua própria conexão com La Llorona. A mitologia chumash menciona La Llorona ao explicar as nunašɨš (criaturas do outro mundo) chamadas de “maxulaw” ou “mamismis”. A mitologia diz que os Chumash acreditam tanto nos nunašɨš quanto nos de La Llorona e especificamente ouvem o maxulaw chorar nas árvores. O grito maxulaw é considerado um presságio de morte. O Maxulaw é descrito como parecendo um gato com pele de couro cru (Leatherface ligou. Ele quer sua história de origem de volta).
  • Fora das Américas, La Llorona tem uma semelhança com o antigo conto grego da demoníaca semideusa Lamia. Hera, a esposa de Zeus, soube de seu caso com Lamia e, com raiva, matou todas as crianças que Lamia tinha com Zeus. Por inveja da perda de seus próprios filhos, Lamia rouba os filhos de outras mulheres. Na mitologia grega, Medea matou os dois filhos de Jasão (um dos Argonautas) depois que ele a deixou por outra mulher.

Versão Brasileira…

An actor dresses as La Llorona at a celebration Oct. 31, 2015 in Guatemala Ci

…Herbert Richers (Desculpa, não deu pra resistir). Algumas das versões existentes aqui no país onde a ministra diz que rosa é pra menina e azul é pra menino são:

  • Uma mulher grávida de 2 filhos, prestes a dar à luz, logo após o casamento, foi abandonada pelo marido. Quando os filhos nasceram, ela os matou e fugiu de casa. Mais tarde, percebeu o erro que cometera. Uma das maneiras de destruí-la seria faze-la ir até onde estão enterrados os filhos.
  • Uma bela jovem que aparece em estradas e pede carona para os homens. Muito bela e sedutora, tenta seduzi-los e fazê-los cometer traição. Se ele realmente trair, ela podera matá-lo; caso contrário, ela apenas irá feri-lo.
  • Uma mulher que anda pelo cemitério madrugada adentro, vagando pelas lacunas e sepulturas. Ouve-se o choro pelos filhos que ela mesma estrangulou.

A mesma é também associada com outras lendas como a Loira do Banheiro, a Loira do Caéte, a Loira do Bonfim, a Mulher de Branco e a Maria Degolada.

Nos veremos muito em breve com textos nesse estilo falando sobre o Universo Marvel (e algo me diz que um certo demônio também estará rodeando nosso site no próximo mês). Fiquem ligados!



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade.