05
maio
2019
7 Filmes que Foram Cancelados por Motivos Inusitados
Categorias: Listas Radioativas • Postado por: David Ehrlich

Não é segredo que às vezes filmes não dão certo. Afinal, em projetos multimilionários envolvendo dezenas de profissionais com suas próprias ideias criativas, tudo pode acontecer: Brigas de ego, desavenças quanto aos rumos do filme, erros de planejamento, falecimentos, ou até o lançamento de uma ideia semelhante que faz a produção recuar. Alguns desses filmes se tornaram clássicos do “Cinema-Que-Nunca-Foi”, como Duna de Alejandro Jodorowski e Superman Vive de Tim Burton. Mas às vezes a realidade de um filme pode ser mais estranha que a ficção que ele iria contar, como veremos a seguir.

Slipstream

Steven Spielberg tinha apenas 20 anos quando resolveu dirigir um curta-metragem sobre corridas de bicicleta em 1967. Na época, porém, o futuro gigante de Hollywood era ainda inexperiente, e achou que seria possível fazer o filme com apenas US$ 5 mil, uma vez que lhe foi doada boa parte dos equipamentos e rolos de filme. Como é de se imaginar, isso se mostrou impossível, e após algumas semanas Spielberg viu-se sem dinheiro e com apenas algumas cenas prontas. O filme foi abortado, mas pelo menos foi enquanto procurava por uma equipe que Spielberg conheceu o diretor de fotografia Allen Daviau, com quem veio a trabalhar em filmes como E.T. – O Extraterreste, A Cor Púrpura e Império do Sol.

Crusade

Nos anos 90, Paul Verhoeven, no auge de seu sucesso, resolveu dirigir um grande épico sobre as Cruzadas, misturando ação com crítica social. Com Arnold Schwarzenegger no papel principal e o estúdio Carolco oferecendo US$ 100 milhões para produzi-lo, o filme seria o projeto mais ambicioso do cineasta até então. Havia só um problema: O próprio Verhoeven. Quando em uma reunião os produtores perguntaram se havia como garantir que o orçamento seria suficiente, o diretor surtou e começou a gritar que não havia como garantir nada – a ponto de Schwarzenegger chutá-lo por baixo da mesa para tentar faze-lo calar a boca, mas sem efeito. Vendo com quem estavam lidando, os produtores cancelaram tudo.

Halo

Em 2005, a Microsoft estava determinada em adaptar seu jogo Halo para o cinema. E com um roteiro de US$ 1 milhão, Peter Jackson na produção e dirigido pelo então novato Neil Blomkamp, parecia que iria dar certo. Os problemas começaram quando a Microsoft usou atores vestidos como personagens do jogo para enviar cópias do roteiro a estúdios, exigindo controle criativo, um orçamento gigante e apenas 24 horas para decidir. Eventualmente a 20th Century Fox aceitou o trato, mas não demorou a todos os envolvidos começarem a se odiar, cada um querendo que o filme fosse feito do seu jeito. O projeto ruiu, mas ao menos Jackson e Blomkamp tornaram-se amigos, resultando na produção de Distrito 9.

Nas Montanhas da Loucura

Uma adaptação de uma novela de terror de H.P. Lovecraft dirigida por Guillermo del Toro soa como uma combinação perfeita. Porém ainda durante a pré-produção o diretor entrou em conflito com a DreamWorks por um simples motivo: A classificação indicativa. O estúdio queria que o filme tivesse classificação PG-13 (14 anos), enquanto del Toro insistia que tinha que ter classificação R (16 anos). A briga se estendeu por tanto tempo que nesse interim Ridley Scott lançou Prometheus em 2012, que, embora faça parte da franquia Alien, é fortemente inspirado na dita novela. Percebendo isso, del Toro desanimou e declarou que não havia mais sentido em fazer o filme, focando-se então em outros projetos.

10 Coisas que Odeio na Vida

10 Coisas que Odeio em Você teve sucesso moderado quando estreou em 1999, mas com os anos conquistou uma legião de fãs. Percebendo um apelo nostálgico, em 2012 o produtor Andrew Lazar e o diretor Gil Junger bolaram uma continuação, estrelando Evan Rachel Wood, Thomas McDonell e Billy Campbell. Filmagens começaram em novembro até pararem em fevereiro, supostamente devido à gravidez de Wood, e iriam ser retomadas em setembro. Setembro passou, e nada. Em 2014 foi revelado que Wood se recusou a voltar ao filme, e estava sendo processada por quebra de contrato. Por sua vez, ela afirmou que a produção não tinha dinheiro para paga-la. Independentemente de quem está certo, o filme foi cancelado.

Hellraiser: Origens

Percebendo que há anos a franquia Hellraiser ia mal, o diretor Mike Le Han e o produtor Paul Gerrard resolveram melhorá-la por conta própria, desenvolvendo um filme independente que serviria de reboot para a série. Em 2013 lançaram um trailer como pitching para atrair investidores para a produção do filme. Fãs ficaram empolgados, pois parecia que o filme seria legitimamente bom. Pouco depois, porém, Clive Barker, o criador de Hellraiser, revelou estar trabalhando em seu próprio reboot junto à Dimension Films, e Hellraiser: Origens foi por água abaixo. A reviravolta é que esse reboot também nunca aconteceu: Em 2018 Hellraiser: Judgement foi lançado, sem qualquer envolvimento de Barker.

Midnight Rider

Infelizmente, a história por trás da biografia do cantor de blues Gregg Allman é mais trágica que inusitada: Em 2014, no primeiro dia de filmagem, a produção cometeu uma grave negligência ao filmar em uma ponte de cavalete ativa sem qualquer permissão. Um trem passou pela ponte durante a gravação, matando uma pessoa e ferindo outros sete membros da equipe. O diretor Randall Miller e o produtor executivo Jay Sedrish foram acusados de homicídio culposo e invasão de propriedade, com sentenças de 10 anos. Miller passou um ano na prisão e não poderá atuar como diretor, diretor assistente ou supervisor de segurança até 2025; Sedrish também conseguiu reduzir sua pena para 10 anos de condicional.



Jornalista de 23 anos, cinéfilo confesso desde cedo, viciado em animes e apaixonado por todo tipo de narrativa visual, estando inclusive a fazer pós-graduação na área. Da fantasia ao documentário, se puder ser assistido é bem vindo. Sempre a explorar novas formas de fazer crítica.