14
maio
2019
7 grandes cineastas do século 21 para conferir!
Categorias: Listas Radioativas • Postado por: David Ehrlich

Todo cinéfilo já se perguntou que cineastas atuais serão lembrados no futuro. Que diretores melhor definem o cinema deste começo de século, e serão considerados os grandes autores de nossa época? É impossível de fato saber, mas ao menos é divertido especular. A seguir, apresento sete cineastas que acredito que entrarão no cânone do “cinema de autor” em anos por vir. Mesmo tendo começado suas carreiras no século passado, eles continuam atuando e atuais, cada novo filme sendo comentado por seu valor artístico. Vai haver cineastas faltando? Com certeza! E vocês estão livres para acrescentá-los.

Paul Thomas Anderson

Sempre extraindo o melhor de seus atores – desde Adam Sandler até Daniel-Day Lewis – em interpretações de personagens bastante falhos, Anderson não é do tipo que brinca em serviço, e seu filme Sangue Negro (2007) constantemente aparece em listas dos melhores filmes dos anos 2000. Suas obras lidam recorrentemente com famílias disfuncionais e/ou substitutas, alienação social e negação de responsabilidade – apenas conte quantas vezes em seus filmes personagens repetem a frase “Não fiz nada”. No aspecto técnico, ele também é um grande fã de longas tomadas em que a câmera move-se constantemente de um lado para o outro, e geralmente não pode faltar a trilha sonora assinada por Jonny Greenwood.

Joel e Ethan Coen

Com suas comédias de humor negro (Um Homem Sério, Inside Llewyn Davis), faroestes subversivos (Onde os Fracos não têm Vez, Bravura Indômita) e, por que não, misturas dos dois (A Balada de Buster Scruggs), os filmes dos irmãos Coen frequentemente lidam com protagonistas densos e temas como destino, consciência e circunstância, mostrando o lado “esplendorosamente horrível” da vida. Além de excelentes contadores de histórias, possuem também uma grande habilidade técnica, tendo sido entre os primeiros cineastas a utilizarem correção digital de cor para dar ambientação a seus filmes. Entre seus colaboradores recorrentes, estão o diretor de arte Roger Deakins e o produtor musical T. Bone Burnett.

David Fincher

O mestre do suspense dos tempos modernos, ele pode até por vezes se aventurar em outros gêneros (como em O Curioso Caso de Benjamin Button e A Rede Social), mas raramente foge do tom desanimador. Seus filmes chegam a passar longos meses em pré-produção, devido às pesquisas e análises intensas que Fincher insiste que sejam feitas durante a escrita do roteiro. O trabalho com os atores é igualmente intenso, mas quase sempre recompensador. Ao filmar, seus movimentos de câmera são meticulosos, muitas vezes traçados com imagens computadorizadas. Não bastasse tudo isso, o cineasta também gosta de se envolver em peso na pós-produção, e a edição é geralmente um dos pontos altos de seus filmes.

Christopher Nolan

Seja no cinema independente (Amnésia) ou nos blockbusters de super-herói (trilogia O Cavaleiro das Trevas), Nolan é sempre um autor – e bem ambicioso -, sendo fácil reconhecer seus filmes: Moralidade, memória, luto e identidade são temas recorrentes, explorados em suas possibilidades epistemológicas e metafísicas. A própria noção de tempo é posta em perspectiva, em narrativas não lineares. A narrativa, porém, não é um elemento isolado, relacionando-se com a linguagem visual de sua obra: O materialismo de seus filmes, assim, é acompanhado por uma preferência a efeitos especiais práticos. E a escala gigantesca de seus projetos só pode ser exibida com o uso frequente de câmeras 70 mm.

Nicolas Winding Refn

Trazendo uma nova abordagem estilística às histórias de crime, o diretor tornou-se famoso inicialmente por sua trilogia Pusher – uma das obras mais importantes do cinema dinamarquês recente -, mas foi quando chegou a Hollywood e dirigiu Drive que o mundo passou a de fato reconhece-lo como um cineasta a ser acompanhado. Embora recheados de violência gráfica, seus filmes geralmente narram histórias de superação, em que os protagonistas precisam se transformar devido às circunstâncias até tornarem-se o que realmente era para eles serem, algo maior. Visualmente, sua obra é marcada também por fortes contrastes de cor, devido principalmente ao daltonismo do próprio Refn, que não vê meios-tons.

Quentin Tarantino

Por mais imitadores que tenha, ninguém faz filmes como Tarantino: Violência estetizada, elencos numerosos, narrativas não lineares, trilhas sonoras selecionadas a dedo (principalmente músicas de Ennio Morricone), longos diálogos de alto teor satírico e recheados de referências à cultura pop… O cineasta é um dos poucos que conseguem eficientemente juntar arte com entretenimento. Seus filmes homenageiam diversos gêneros do cinema considerado B – blacksploitation, kung fu, faroestes italianos, filmes de guerra europeus e filmes baratos de vingança exibidos em salas do tipo Grindhouse -, mas sempre com uma qualidade narrativa e diretorial muito superior à maior parte dos filmes homenageados.

Lars von Trier

“Controverso” é provavelmente o adjetivo que melhor define Trier – e ele parece gostar de ser chamado assim. Um dos fundadores do movimento Dogma 95 – que estabeleceu regras para criar obras baseadas em história e temas mais do que em aspectos técnicos -, cada filme seu examina de forma inovadora questões como misericórdia (ou a falta dela), sacrifício e sofrimento, geralmente de um ponto de vista existencialista e trágico, explorando como seus personagens vitimam ou são vitimados em nome de uma suposta justiça. Nunca caindo na mesmice, sua filmografia abrange vários gêneros, desde o musical até o suspense, com protagonistas que vão desde mulheres com corações de ouro até serial killers.



Jornalista de 23 anos, cinéfilo confesso desde cedo, viciado em animes e apaixonado por todo tipo de narrativa visual, estando inclusive a fazer pós-graduação na área. Da fantasia ao documentário, se puder ser assistido é bem vindo. Sempre a explorar novas formas de fazer crítica.