23
maio
2019
Crítica: “Brightburn: Filho das Trevas”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

Brightburn: Filho das Trevas (Brightburn)

David Yarovesky, 2019
Roteiro: Brian Gunn e Mark Gunn
Sony Pictures

3.5

Filhos. Uma tarefa hercúlea e incansável, os filhos sempre darão preocupação os seus pais, mães, avós, tios, guardiões legais, enfim. Criar um filho nunca é fácil, se você não educar direito a criança, a mesma fará coisas inomináveis. Se você não ensinar o que deve e o que não deve, ele poderá enveredar para o caminho mais esdrúxulo possível. Enfim, não é mole. E já existem n exemplos de crianças cruéis e endiabradas na cultura pop. Eis que, James Gunn, o sr. Guardiões da Galáxia, decide produzir mais um rebento mal encarnado. Vemos um casal em busca de tentar ter a experiência de serem pais de primeira viagem. Porém, as luzes da casa começam a falhar e logo vemos uma espécie de meteoro aterrissando numa floresta perto dali. Eis que o casal finalmente é agraciado com um bebe. Com o passar dos anos, o garoto demonstra ser um tanto mais inteligente que a maioria das crianças. Numa noite, algo no porão começa a brilhar e chama a atenção do garoto. A partir daí, ele passa a agir um tanto mais introspectivo e mais reativo. Creio que muitos de vocês já devem ter notado um certo grau de semelhança com outra história igualmente interessante com um dos personagens mais famosos da cultura pop. Caso você não tenha, já lhe adianto que é inspirado de forma evidente na origem do Ultimo Filho de Krypton: o Super-Homem, ou Superman (o especial de 80 anos tá saindo). E evidentemente, o roteiro vai se galgar nisso. Tanto que o garoto possui as mesmas habilidades que o herói icônico. Desde a habilidade de voar e a superforça até os raios dos olhos. Uma referencia que pode ter sido de vital influencia na narrativa é o quadrinho/game Injustiça, onde o icônico personagem envereda pelo caminho cruel após inconscientemente ter matado sua esposa Lois, seu filho prestes a nascer e Metrópoles por uma artimanha orquestrada pelo Coringa (outro também que vai ter especial). Porém, só leve a parte de ficar cruel, pois o filme não explica ou dá razoes suficientes para o protagonista virar o clone maligno de Kal-el. Tenta justificar com amadurecimento, porém não é convincente. Os jumpscares são muito fúteis. Acontecem até em momentos esdrúxulos e quando os verdadeiros ocorrem, acabam, no panorama geral, diluindo esses momentos, transformando-os em piada. Porém, devo dizer que as cenas de violência explicita são bem executadas e são chocantes. A direção tem seus momentos inspirados. Uma das vitimas acaba tendo seu olho perfurado por um caco de vidro e, ao tirar, a câmera reflete essa deficiência com uma seção do enquadramento vermelha pelo sangue e um preto. Um truque bem feito e que deixa o espectador bem impressionado. Porém, nem tudo são flores. Nem preciso dizer que existem momentos que o Superboy do mal voa. Porém, quando é necessário mostrar o capeta poderoso mirim com outra pessoa voando, soa tosco, quase num nível Superman IV – Em Busca da Paz, tido para muitos como o pior filme do herói de todos os tempos. A direção de arte é bem feita. Desde o símbolo que o moleque escolhe até a vestimenta. O mesmo quando veste seu traje, parece uma mistura do Espantalho com o ser com o S de esperança em seu peito. A nave onde o garoto é trazido é um tanto interessante, porém logo é deixado de lado. A paleta de cores inicialmente é clara. Porém, vai variando conforme o filme avança e logo vemos aquilo que o personagem é capaz. As cores mais focadas são o vermelho, o preto, o azul escuro e o branco. As atuações são bem feitas. Elizabeth Banks é mãe superprotetora. Ignora tudo o que os outros dizem, mesmo que seja verdade, até a mesma constatar por seus próprios olhos. David Denman é o pai desconfiado. Mesmo que ame seu filho, sabe que o mesmo é diferente e começa a se questionar o motivo de seu filho agir daquela maneira. Jackson A. Dunn é o diabo em forma de criança com poderes. Será seduzido por sua herança maldita e fará o que quiser, sem que aja alguém que possa detê-lo. Porém, o que mais irrita é a presença de cenas pós créditos, indicando que teremos mais desse universo. Brightburn tenta fazer a repaginação da origem de Clark Kent, tanto que até o estado onde se passa o filme é o mesmo que o personagem criado por Siegel e Shuster aterrissa. Porém, não é apenas fazendo violência explicita e um moleque psicopata superpoderoso que farão diferença num subgênero que está tendo uma avalanche de filmes com pegadas das mais variadas que o configurarão na maior revolução do mesmo.


Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade.