09
maio
2019
Crítica: “Cemitério Maldito (1989)”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

Cemitério Maldito (Pet Sematary)

Mary Lambert, 1989
Roteiro: Stephen King
Paramount Pictures

3.5

Todos sabemos que Stephen King é o mestre quando se trata de sustos no ramo literário. E com essa popularidade, invariavelmente, seus livros virariam alvo da indústria do cinema de terror.

Vários desses filmes foram divisores de águas: ou foram bem recebidos pelo público e crítica ou foram produções mambembes e, portanto, rechaçados pelos mesmos.

Louis Creed (Dale Midkiff), um médico junto de sua mulher Rachel (Denise Crosby) e seus filhos Ellie (Blaze Berdahl) e Gage (Miko Hughes) e o gato da família Winston Churchill (apelidado de Church saem da tumultuada Chicago para a pequena Ludlow, no Maine.

A casa onde a família mora agora está na beira de uma estrada, por onde vários carros e caminhões passam todos os dias, longe de qualquer outro rastro de civilização.

O único vizinho ali por perto é Jud Crandall (Fred Gwynne). Na nova morada, Ellie nota um caminho estranho anexo a casa. Jud os leva lá e diz que aquele lugar é um cemitério de animais, onde os pobrezinhos que morrem acabam sendo enterrados naquele local.

Quando Louis sai para trabalhar, ele acaba tendo de socorrer um garoto que foi atingido por um caminhão na estrada. O garoto acaba morrendo, porém volta a vida a tempo de alertar Louis sobre o cemitério, dizendo que o mesmo possui uma vibe estranha.

O roteiro do filme irá apresentar a difícil tarefa de aceitar a morte, visto que a pequena Ellie possui relutância em aceitar. Isso logo será representado pelo patriarca que, ao perder o gato, seu mundo começará a desmoronar aos poucos e seu sentimento de perda tentará ser aplacado. Essa atitude trará sérias consequências. O roteiro segue o livro da forma mais fiel, visto que o mesmo fora feito pelo próprio escritor. Mesmo sendo uma trama bem enxuta, ainda assim, é feito de maneira inteligente.

A maquiagem para a irmã de Rachel, Zelda, que sofre de meningite raquidiana é eficiente, porém deixa a desejar em certos pontos. A aparência sugere um morto-vivo, visto que vemos suas costas retorcidas de maneira arrepiante. Porém, o mesmo não pode ser dito da parte do rosto onde nota-se uma certa artificialidade, visto que usaram uma mascara para esconder as feições, pois a mesma é interpretada por um homem, tanto que, quando vemos seu rosto bem aproximado, a discrepância é notável em pouco tempo.

Evidentemente, nota-se os famosos jumpscares. Porém, uma boa parte deles quase não tem impacto. Quando é necessário chocar a audiência, demora um bom tempo até o susto acontecer e, mesmo quando acontece, o impacto se dilui com facilidade.

Os sustos mais intensos são aqueles que ainda prometem uma esperança de salvação ou os flashbacks de Rachel onde a mesma demonstra que já não tinha mais paciência para lidar com sua irmã e preferia que ela morresse, por não saber como lidar com uma pessoa problemática, fazendo-a ter de amadurecer cedo demais. Zelda incomoda a mente de Rachel que, mesmo tendo se passado várias décadas, ainda remói sentimento de perda, não tendo se adaptado com o triste fato de que todos um dia morrerão.

Antes mesmo de nosso querido amigão da vizinhança Stan Lee (R.I.P.) estar envolvido com participações especiais, King já estava a frente. Visto que, além de roteirizar, faz uma ponta no velório da empregada doméstica da casa como padre.

Outro elemento marcante é o som. No primeiro plano do filme, as vozes de crianças falando a respeito de seus animaizinhos perdidos são tenebrosas. Isso se deve ao fato de misturar a mesma com uma trilha que evoca melancolia, desalento e perturbação.

Apenas uma música do filme é realmente um grande destaque. A famosa faixa Pet Sematary da banda Ramones que toca ao fim dos créditos é bem feita.

Cemitério Maldito (1989) está longe de ser um primor de filme, porém tem seus momentos inspirados e certamente vale a pena ser conferido. Devido aos sustos ficarem concentrados na maior parte do terceiro ato, fica um tanto complicado defender o filme, visto que o ritmo se torna porventura arrastado e melodramático, mas evita cair nessas armadilhas que poderiam ser tornar mais nocivas.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade.