09
maio
2019
Crítica: “Cemitério Maldito (2019)”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

Cemitério Maldito (Pet Sematary)

Kevin Kölsch e Dennis Widmyer, 2019

Roteiro: Jeff Buhler e Matt Greenberg
Paramount Pictures

3.5

Apesar de Cemitério Maldito ter feito um sucesso razoável de publico e crítica, gerando uma continuação que não teve a mão de King envolvida, poucos achavam que a obra receberia uma nova versão.

Eis que, do nada, chega mais uma adaptação da obra do maior nome do terror literário em atividade, agora dirigida pela mesma equipe responsável por Starry Eyes, filme que surpreendeu em 2014 por ser bem feito.

Vemos um plano sequencia onde sobrevoamos as residências de uma cidade. Uma delas está pegando fogo, enquanto a outra parece ter sido arrombada, visto que é possível notar um rastro de sangue que se segue pelo chão e escada.

Logo em seguida, vemos uma família de carro viajando. Eles chegam a uma casa na beira da estrada. Louis Creed (Jason Clarke), o pai decidiu se mudar com Rachel (Amy Seimetz), seus filhos Ellie (Jeté Laurence) e Gage (Hugo & Lucas Lavoie) e o gato Winston Churchill, ao qual preferem chamar de Church.

Ellie decide dar um passeio pelas redondezas da propriedade e vê um grupo de crianças vestindo máscaras de bichos peculiares fazendo uma procissão para enterrar um cachorro que morreu recentemente, sendo carregado num carrinho de mão. Rachel, aflita, procura e acha a filha. Logo, aparece Jud Crandall (John Lithgow) que alerta ambas que não devem se aventurar naquele local, pois é perigoso mais adiante.

Louis trabalhando na enfermaria da faculdade local acaba atendendo Victor Pascow que fora gravemente ferido por um caminhão. Na noite seguinte, Pascow lhe adverte em sonho que o cemitério de animais é perigoso. Louis não dá a mínima, porém, ao sair da cama, vê que seus pés estão cheios de terra e logo irá se preocupar com os eventos vindouros.

Aqui podemos notar uma grande diferença entre o apresentado em 1989. A tensão é construída de forma orgânica. Todos os personagens são apresentados de maneira convincente, seus medos e anseios são palpáveis. Mesmo que o filme siga, tintim por tintim, as regras estabelecidas na primeira produção, aqui vemos um controle maior tanto dos enquadramentos utilizados, como do caminho tênue que irá se seguir.

Para chocar as novas gerações, era necessário haver uma repaginação da trama. No caso, os jumpscares são mais elaborados e, eventualmente, um outro vai lhe pegar desprevenido. E claro, fazendo jus ao investimento um tanto maior, o gore é bem visível, ao contrario da produção oitentista. Mas não pense que veremos sangue jorrando até a tela ficar vermelha. Ele é tímido, mas está lá.

O maior defeito é a explicação ridícula dada para justificar a sobrenaturalidade do cemitério. Jud explica que o Wendigo (criatura sobrenatural mais usada na história recente para justificar elementos de mesmo estilo) espreita o local. Isso é a pior conversa para boi dormir. Agora qualquer produção chulé acha que colocando o Wendigo, logo é garantia de sobrenaturalidade. Se antes irritava se tratar de um cemitério indígena, hoje a simples menção a criatura selvagem irrita até o mais fanático da lenda.

O design de produção é bem feito. O cemitério é algo imponente e ameaçador, mas não esperem algo muito macabro. Esse tom é ditado pelas mascaras de bichos que as crianças vestem. Até uma cruz improvisada é carregada pelas mesmas, transformando essas cenas em ícones.

Porém, se acerta por um lado, por outro, soa bem redundante. Visto que como segue o mesmo caminho da produção anterior, até fumaça nos tornozelos é vista no momento em Louis enterrará as vitimas, se classificando com um nível de breguice beirando a produções trash.

As atuações são bem feitas. Jason Clarke, que já é veterano no campo do horror consegue segurar as pontas, sendo o pai que irá se tornar obsessivo com a ideia de não digerir a morte. Amy Seimetz brilha quando lembra de sua irmã e isso a faz ter constantes flashbacks de como a mesma queria que ela estivesse morta.

Alyssa Brooke Levine é Zelda, irmã de Rachel. Mesmo não tendo muitos momentos, é a responsável por um dos sustos mais apavorantes do longa. Diferentemente da versão anterior onde a mesma apavorava a irmã com visões, aqui a linguagem corporal é muito valorizada, a tornando uma visão asqueirosa.

John Lithgow é Jud. O velho parece inicialmente perigoso, porém vai ser um aliado crucial e definitivo, além de vermos o se deparar com seus próprios demônios.

Jeté Laurence é a filha da família. Mesmo sua participação não sendo tão grande quanto na versão antiga, ela ainda protagonizará cenas impactantes.

Cemitério Maldito (2019) praticamente jogou nos mesmos acertos da primeira versão. Pode-se dizer que conseguiu ser uma obra mais impactante em termos de terror, mas como um todo, continuou no mesmo caminho já estabelecido. É bom, mas não inexpugnável.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade.