30
maio
2019
Crítica: “Godzilla 2: Rei dos Monstros”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

Godzilla 2: Rei dos Monstros (Godzilla: King of the Monsters)

Michael Dougherty, 2019
Roteiro: Michael Dougherty, Zach Shields, Max Borenstein, Michael Dougherty e Zach Shields
Warner Bros. Pictures

3.5

Godzilla. Quem poderia dizer que um monstro gigante como esse teria uma vida longa e uma infinidade de produtos pop. Calma que eu vou fazer um especial de 60 anos do lagartinho porradeiro. Mas enquanto isso não sai, vamo falar dessa continuação.

O filme começa exatamente no ponto onde os fuzileiros executam o chamado Halo Jump (termo usado para descrever um salto de reconhecimento). No fundo vemos a Dra. Emma Russell (Vera Farmiga) chorando.

Alguns anos se passam e a doutora reconstrói sua vida. Ela é uma das funcionarias do grupo Monarca, um grupo responsável por descobrir e monitorar a atividades dos chamados Titãs (os monstrinhos gigantes que causam destruição no nosso planeta).

Ela e a equipe utilizam um aparelho chamado Orca, que possibilita a comunicação entre as criaturas. Na instalação, elas estão despertando Mothra, uma larva gigante. Porém, ela e sua filha Madison (Millie Bobby Brown) são sequestradas pelo Coronel Adam Jonah (Charles Dance) um ex-militar desertor que perdeu a fé na humanidade.

O Dr. Michael Russell (Kyle Chandler) acaba sabendo disso e parte para resgatar a sua família, mesmo sendo a contragosto, visto que seu outro filho morreu no incidente de Chicago.

Quem não havia curtido o filme anterior por falta de pancadaria dos bichões, nesse filme não há do que reclamar. As lutas empolgam demais e é possível crer que os bichos são verdadeiros. Cada monstro possui uma particularidade que o torna único e inesquecível.

A direção de arte é bem construída. Evidentemente, o design dos monstros são bem feitos e as diferenças são bem interessantes. King Ghidorah, a hidra, quando voa, deixa um rastro de nuvens ao seu redor, sendo uma espécie de tempestade quando vem e sua cor principal é o amarelo. O nosso querido lagartão sempre está encoberto nas sombras, porém quando decide lutar, seus espinhos do corpo começam a brilhar, simulando uma espécie de carregamento e sua cor é o azul.

Mothra, a larva que se transforma numa mariposa, aparece em poucos momentos, mas nos momentos que aparece, tem seu charme e sabe protagonizar ótimas cenas. Sua cor é o verde-azulado. Rodan parece a mistura de um pterodátilo e uma fênix, porém ainda mais ameaçadora. Sua cor é o vermelho-alaranjado.

Os efeitos são bem feitos. Chamo atenção as partículas, causadas principalmente por Mothra e Rodan. No caso da mariposa, quando ela voa, sobe uma nuvem de pó, algo particular desse inseto. Quanto ao pássaro, devido a aparência vulcânica, ele parece se desintegrar no ar, deixando um rastro de fumaça, fuligem e pequenas pedras.

O design de som é muito bem feito. Cada criatura emite um tipo de som diferente. Porém, os destaques são do lagartinho e da hidra. Quando os dois gritam alucinadamente, o som é elevado a última potência, fazendo até o mais distraído dos espectadores se atentar ao que é visto.

Existem referencias de vários monstros. Além dos já citados, vemos o adversário do lagartinho do filme anterior, o Muto, e até o macaco gigante mais pistolado da história. Visto que a produtora pretende fazer um embate entre o lagartinho e o gorilão da bola azul, nada mais justo que fazer uma menção. E é possível notar que há mais monstros que podem aparecer em futuras produções.

O roteiro quando foca nos monstros acerta e muito. Porém, no núcleo humano, dá umas derrapadas feias. Principalmente com o arco motivacional da Dra. Emma, que decide acordar as criaturas, pois acha que nosso mundo está corrompido e, se aproximando do fim, decide rever seu posicionamento (incoerência é pouco pra você, né querida?).

As atuações são medianas. Kyle Chandler é mais um soldado americano salvador da pátria genérico. Antes, o maior hater das criaturas, acaba simpatizando com as mesmas (Síndrome de Estocolmo mandou lembranças). Vera Farmiga não convence muito.

Millie Bobby Brown mesmo tendo um papel até importante, passa longe de ter o mesmo grau de importância que em Stranger Things. Na maior parte do tempo, fica com raiva da mãe por não agir em defesa das criaturas e quando decide agir, pouco mostra de especial. Ken Watanabe continua sendo o maior apoiador dos monstros e até possui um papel importante no inicio do 3º ato, porém não passa disso.

Godzilla 2: Rei dos Monstros consegue implacar um sucesso modesto em virtude do subaproveitamento das criaturas perante ao filme anterior. Porém, quando decide usar o núcleo humano, pouco faz e ainda usa os maiores clichês de todos. Há uma incrível falta de dosagem e que é preciso corrigir na batalha entre o gorilão e o lagartinho a fim de acertar em cheio.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade.