16
maio
2019
Crítica: “Kardec: A História por Trás do Nome”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

Kardec: A História por Trás do Nome

Wagner de Assis, 2019
Roteiro: L.G. Bayão e Wagner de Assis
Sony Pictures

3.5

Allan Kardec. Considerado o pai da doutrina espirita, foi um professor que foi contra o ensino religioso em matérias cientificas. Ao ser contra, o pobre professor ficou desnorteado em relação ao que fazer. Ao ver as mesas flutuantes (um tipo de truque de circo), acabou sendo levado a racionalizar que espíritos se comunicavam através das mesmas. E foi o responsável por ser o escritor de O Livro dos Espíritos, um tratado sobre as normas do que viria a se tornar a doutrina.

Vemos Hypolite Leon Denizard Rivail (o verdadeiro nome de Kardec) (Leonardo Medeiros) onde o mesmo está ensinando crianças. Porém, eis que chega um padre e o notifica que o ensino religioso irá interferir nas matérias escolares. Rivail fica furioso com essa decisão e decide se aposentar.

Com o passar dos dias, Rivail decide dar aulas particulares as crianças. Porém, um de seus amigos fala sobre as mesas girantes e como elas podem se comunicar com os espíritos. A principio, Rivail ironiza, porém logo acaba vendo provas de que o está vendo é real. E os espíritos incumbem o professor com uma missão: divulgar a existência do espiritismo.

O roteiro é inspirado no livro Kardec – A Biografia, de Marcel Souto Maior. Ele traz questionamentos que, ironicamente, acabam sendo um tanto atuais como o ensino religioso nas escolas, pessoas só começam a crer em coisas só quando possuem provas e etc. Apesar de fazer uma certa alfinetada nas decisões equivocadas do governo atual, o núcleo da história é um tanto arrastado. Há também um dado momento do filme onde se há uma alusão á Inquisição, porém soa um tanto brega e exacerbado além da conta.

Há vários momentos interessantes como os tais relatos que ele obteve das psicografias, porém ao tentar focar no relacionamento pessoal de Kardec ou na dificuldade de espalhar os conhecimentos, o desenvolvimento em vários aspectos vira um dramalhão exagerado e pouco proposital, similar a um roteiro de novela.

A direção de fotografia é bem feita. O cuidado que a equipe teve em recriar a iluminação dos ambientes sendo feita quase que inteiramente à luz de velas ajuda ao espectador imergir na trama. Há até um momento em que fazem experimentos com luz elétrica e quando a lâmpada acende, há um efeito muito similar ao estalar de dedos de Thanos. Algo bacana, porém não há como relacionar o efeito e logo pensar que é repetitivo. As cores mais focadas são o preto, o branco, o amarelo e o laranja.

O figurino também condiz com a época. Os vestidos são cheios de detalhes e volumosos. Os ternos são sóbrios e também volumosos.

Os efeitos das mesas que levitam ou as canetas que escrevem sozinhas são interessantes. Porém, são poucos esses momentos e logo o roteiro volta a focar na dificuldade de Rivail de espalhar a doutrina.

As atuações são boas. Leonardo Medeiros é Kardec. Depois de ver que a religião está dominando as escolas, o mesmo decide buscar um método de entender a religião. Seus momentos de incredulidade o tornariam um protagonista inconveniente, mas quando decide se abrir ao conhecimento, sua jornada acaba fazendo com que o espectador torça pelo mesmo.

Genezio de Barros é Padre Boutin, o padre responsável pelos embates ideológicos e o responsável principal pela perseguição ao qual os amigos de Kardec irão passar. Sandra Corveloni é Amélie-Gabrielle Baudet, a esposa de Rivail. Inicialmente, é a mais crente da dupla. Porém, ao ver que o marido está se desgastando a toa, tenta dissuadi-lo a desistir de seus objetivos.

Kardec: A História por Trás do Nome é um filme que fala mais do pai do espiritismo do que propriamente da religião. Tem um desenvolvimento arrastado e parece um episodio longo de uma novela, porém consegue se salvar em alguns momentos, mas ainda assim, apresenta pontos que podem fazer os mais exigentes quanto a tramas achando pouco inspirado e um tanto panfletário.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade.