28
maio
2019
7 grandes Figurinos de Filmes de Época!
Categorias: Artigos • Postado por: David Ehrlich

O figurino de um filme é sempre importante, sem dúvida. Mas é em filmes de época que ele brilha, assumindo quase as proporções de um personagem em si. Um bom figurino não nos dá apenas uma ideia do período em que o filme deve se passar: Ele nos deixa fantasiando sobre outro tempo, um passado que nunca vivemos. Diante disso, é difícil escolher quais filmes de época possuem os melhores figurinos: Mais do que serem historicamente corretos – embora isso seja bom -, precisam ter impacto visual, algo que nos faz querer estar na pele dos personagens. Mas tentaremos mesmo assim fazer uma seleção.

Elizabeth (1998), Figurino: Alexandra Byrne

Muitas das roupas, joias e acessórios que Cate Blanchet veste no filme foram inspirados diretamente em retratos do século XVI, que, junto com um trabalho de maquiagem que rendeu um Oscar ao filme, tornam a atriz uma encarnação viva da rainha Elizabeth I – sempre retratada como uma mulher de classe e estilo distintos até mesmo para a época. De acordo, os figurinos dela no filme são extremamente elaborados, o que curiosamente contrasta com as vestes de Robert Dudley (Joseph Fiennes), cujos retratos o mostram como um homem que, embora nobre, se vestia de forma bem casual para sua posição. Elizabeth foi indicado ao Oscar de Melhor Figurino, mas acabou perdendo para o próximo filme nesta lista…

Shakespeare Apaixonado (1998), Figurino: Sandy Powell

Embora não sejam tão historicamente corretos quanto os de Elizabeth, os figurinos de Shakespeare Apaixonado são parte essencial da caracterização dos personagens: William Shakespeare (Joseph Fiennes), embora quase só use a mesma roupa, parece adequadamente vestido não importa a situação em que se encontre; e Viola (Gwyneth Paltrow) se veste de forma mais leve do que as tradicionais roupas elisabetanas, combinando com a personalidade livre da personagem. Quando vestida de homem, sua roupa possui detalhes femininos que a câmera só mostra quando ela está diante de Shakespeare. E fazer com que os personagens sejam eles próprios atores torna seus figurinos ainda mais impactantes quando no palco.

Belle (2013), Figurino: Anushia Nieradzik

Focado na vida da aristocrata inglesa de ascendência africana Dido Elizabeth Belle (Gugu Mbatha-Raw) e na relação com sua prima Lady Elizabeth Murray (Sarah Gadon) – menos rica, porém mais privilegiada -, o filme tomou cuidado para que o figurino georgiano transmitisse igual sensação de poder a ambas, sem deixar de torna-las diferentes. Suas roupas também refletem o ambiente em que se encontram: No começo, enquanto vivem no campo, as personagens usam vestidos em tons pastel; e conforme a trama se muda para o ambiente áspero da cidade, estes se tornam mais escuros. Da mesma forma, suas vestes são mais coloridas e suas joias maiores sempre que estão fora de casa, para o mundo ver seus status.

Amadeus (1984), Figurino: Theodor Pištěk

O artista tcheco Theodor Pištěk afirma não gostar de fazer figurinos – mas vendo seu trabalho em Amadeus, não dá para negar que ele tem talento para isso. Tendo crescido em meio à arquitetura rococó de Praga, Pištěk conseguiu reproduzir o estilo em cerca de 100 figurinos elegantes e diferentes para os personagens do filme, além de enormes e extravagantes perucas que afetam inclusive a forma como as atrizes andam em cena. Para dar um ar mais autêntico, os tecidos usados são originários de Viena e Salzburg, cidades onde a trama é ambientada. Especial atenção para as roupas de Salieri (F. Murray Abraham), algumas das quais são peças originais preservadas do verdadeiro Salieri (morto em 1825).

Orgulho & Preconceito (2005), Figurino: Jacqueline Durran

Para diferenciar o filme visualmente de adaptações anteriores do livro de Jane Austen, Durran situou os figurinos em um período de transição na moda inglesa. Assim, as personagens mais velhas e/ou de maior status usam indumentária em estilo imperial (saia começando no busto, popular entre 1790 e 1820), enquanto as mais jovens e pobres, como a protagonista Elizabeth Bennet (Keira Knightley), usam vestidos com a saia mais próxima da cintura (que entrariam em moda mais tarde). A figurinista também criou uma identidade visual própria para cada uma das irmãs Bennet. As roupas do Sr. Darcy (Matthew Macfayden), por sua vez, passam por um arco semelhante ao do personagem, ficando mais soltas ao longo do filme.

A Jovem Rainha Vitória (2009), Figurino: Sandy Powell

Para o filme sobre os primeiros anos de reinado de Vitória (Emily Blunt), Powell tentou passar uma imagem menos solene da rainha do que aquela que mais tarde seria associada a ela, tornando-a mais vibrante e atraente – mas sem perder a fidelidade histórica. As cores também se tornam mais escuras com o tempo, mostrando seu amadurecimento. Diversos vestidos da época foram analisados para criar o figurino do filme – inclusive o vestido de casamento de Vitória e sua roupa de coroação -; joias, botões e xales da época foram inseridos nos figurinos; e as vestimentas foram desenhadas após observações dos locais de filmagem, de forma que a personagem estivesse sempre vestida de acordo com o cenário.

Uma Janela Para o Amor (1985), Figurino: Jenny Beavan e John Bright

As roupas em estilo eduardiano (1901-10) em muito combinam com os temas centrais do filme de desejo e repressão: A protagonista Lucy (Helena Bonham-Carter) usa vestidos leves que lhe dão a liberdade necessária para expressar sua personalidade impulsiva – realçada pelo cabelo regularmente desarrumado -, enquanto sua prima solteirona Charlotte (Maggie) está sempre de roupa rigidamente engomada, mas com discretos detalhes brilhantes que indicam certos sentimentos reprimidos. As roupas masculinas também brilham no filme, especialmente as de Daniel Day-Lewis, que fica irreconhecível em um traje dandy e gravatas coloridas que fazem seu personagem já pretensioso parecer deliciosamente esnobe.



Jornalista de 23 anos, cinéfilo confesso desde cedo, viciado em animes e apaixonado por todo tipo de narrativa visual, estando inclusive a fazer pós-graduação na área. Da fantasia ao documentário, se puder ser assistido é bem vindo. Sempre a explorar novas formas de fazer crítica.