11
jun
2019
CENSURADO: 7 Filmes que foram proibidos em seu lançamento!
Categorias: Listas Radioativas • Postado por: David Ehrlich

Desde que o cinema existe, existe também a censura de filmes, e organizações responsáveis por fazer a mesma. E embora o mais comum seja editar filmes de tal forma a se encaixarem em certos critérios de exibição, há também os casos em que um filme é considerado tão imoral ou controverso que não deveria ser exibido de forma alguma. Os motivos variam: Violência, sexo, blasfêmia, ou, muitas vezes, porque o filme simplesmente estava à frente de seu tempo. E nessas vezes, é só o tempo que mostra o quão quadrados os censores eram. E é nesses casos que iremos nos focar para esta lista.

Scarface – A Vergonha de uma Nação (Howard Hawks, 1932)

Vagamente inspirado na vida do mafioso Al Capone e contando com mais de 30 mortes ao longo de sua duração, o filme, produzido por ninguém menos que o excêntrico Howard Hughes – que batalhou muito para que o filme fosse lançado sem cortes -, foi proibido em cinco estados e mais cinco cidades nos EUA, sob alegações de “glorificar o crime” e “violência excessiva”. A comunidade ítalo-americana também o condenou por considera-lo um retrato negativo da sua cultura. O filme, porém, veio a influenciar o que mais tarde se tornaria o popular “gênero gângster” em Hollywood, e cinquenta anos depois Brian De Palma lançaria seu icônico remake, estrelando Al Pacino e ainda mais violento que o original.

Êxtase (Gustav Machatý, 1933)

O filme tcheco-austríaco sobre uma jovem (interpretada por Hedy Lamarr) casada com um velho impotente e que tem um caso com um homem mais novo e viril foi banido nos EUA e na Alemanha nazista devido ao seu conteúdo erótico, especialmente suas cenas de nudez e sexo (mesmo que neste só apareçam as expressões de orgasmo da protagonista), até então restritas apenas a filmes pornográficos. Segundo relatos, até o primeiro marido de Hedy (do qual ela fugiria em 1937) tentou destruir todas as cópias do filme. Recentemente Êxtase tem sido redescoberto por seu retrato então inovador da sexualidade feminina, e também por disparar a carreira de Hedy Lamarr, que além de atriz foi uma influente inventora.

Laranja Mecânica (Stanley Kubrick, 1971)

Atualmente o filme de Stanley Kurick, adaptado do livro de Anthony Burgess, é considerado uma obra-prima por sua inovação artística e crítica social sobre a relação entre economia, política e delinquência juvenil. Em 1971, porém, gerou banimentos ao redor do mundo por sua representação perturbadora de jovens que se entretêm com atos extremos de “boa e velha ultraviolência”, como o protagonista diz. Notícias sensacionalistas de assassinatos e estupros supostamente influenciados pelo filme apenas aumentaram a polêmica – a ponto de o próprio Kubrick, após receber ameaças de morte, exigir que o filme não fosse mais exibido nos cinemas no Reino Unido até sua morte (o que só ocorreu em 1999).

Pink Flamingos (John Waters, 1972)

Sob o pretexto de uma competição entre dois grupos para decidir quem é a pessoa mais obscena do mundo, o filme desde o começo foi promovido como “um exercício em mau gosto”. Mesmo assim Austrália, EUA e Noruega o baniram por seu conteúdo ofensivo e “perverso”, com cenas que incluem sexo explícito tanto heterossexual quanto homossexual, crueldade com animais e inclusive uma cena no final em que a drag queen Divine come fezes de cachorro. Isso não impediu o filme – ou, melhor dizendo, foi exatamente o motivo – de adquirir um status cult, e lançar a carreira tanto de Divine quanto de John Waters (seu diretor, roteirista, produtor, diretor de fotografia, editor e compositor), o “rei do trash”.

O Massacre da Serra Elétrica (Tobe Hooper, 1974)

Um dos filmes de terror mais influentes de todos os tempos, O Massacre da Serra Elétrica não apenas inspirou o gênero slasher como também foi um dos primeiros filmes de terror a afirmarem serem “baseados em eventos reais”. Sua violência de nível extremamente gráfico para a época e conteúdo sádico e cruel, porém, o levaram a ser banido em diversos países por medo do impacto que causariam – inclusive no Brasil, onde só foi lançado em 1987. Mesmo nos EUA eventualmente muitos cinemas pararam de exibi-lo em resposta a reclamações. Ironicamente, o filme possui poucas cenas violentas se comparado com filmes slasher posteriores, a maior parte sendo moldada por edição e com poucos efeitos especiais.

A Vida de Brian (Terry Jones, 1979)

O filme do grupo Monty Python é provavelmente a comédia mais controversa do cinema. Contando a história de um homem que ao longo de toda a vida é confundido com o Messias, A Vida de Brian gerou revolta de cristãos (e inclusive outras religiões) ao redor do mundo, e foi banido na África do Sul, Cingapura, Irlanda, Malásia e em diversas cidades dos EUA sob acusação de blasfêmia. A essa acusação, o diretor e ator Terry Jones respondeu em entrevistas que tecnicamente o filme não é blasfemo, mas sim herege. Na Noruega o filme também foi banido por ser “ofensivo”. Mas ao menos a Suécia soube aceita-lo no bom humor, com cartazes promovendo-o como sendo “tão engraçado que foi banido na Noruega!”.

A Última Tentação de Cristo (Martin Scorcese, 1988)

Baseado no controverso romance de Nikos Kazantzakis, o filme enfureceu inúmeros cristãos ao retratar um Jesus “comum”, com tentações e sentimentos como desesperança, dúvida, luxúria e medo. O final, que imagina o que aconteceria se Jesus decidisse não se sacrificar na cruz, gerou especial polêmica. Mesmo com um aviso de que o filme não é baseado nos Evangelhos, diversas cidades nos EUA o baniram inicialmente (onde protestos para impedir a exibição do mesmo reuniram centenas de pessoas), assim como Argentina, Cingapura, Chile, Israel, México, Filipinas e Turquia. Na Europa, fundamentalistas agrediram fisicamente pessoas que iam ver o filme, mas ainda assim nenhum banimento foi considerado.



Jornalista de 23 anos, cinéfilo confesso desde cedo, viciado em animes e apaixonado por todo tipo de narrativa visual, estando inclusive a fazer pós-graduação na área. Da fantasia ao documentário, se puder ser assistido é bem vindo. Sempre a explorar novas formas de fazer crítica.