27
jun
2019
Crítica: “Annabelle 3 – De Volta ao Lar”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

Annabelle 3 – De Volta para Casa (Annabelle Comes Home)

Gary Dauberman, 2019
Roteiro: Gary Dauberman
Warner Bros. Pictures

2,5

A famosa boneca possuída por um espírito maligno que sempre necessitou de um corpo para sobreviver está de volta.

Annabelle foi trancada em uma redoma de vidro pelo casal de demonólogos e especialistas em bruxaria, Ed (Patrick Wilson) e Lorraine Warren (Vera Varmiga), dentro de uma sala com os mais variados e sinistros artefatos no porão da casa do casal.

Para Lorraine, o mal está contido e não há mais o que temer. Será mesmo?

O casal Ed e Lorraire Warren, antes de sair de viagem, chama um padre para abençoar o local onde a boneca Annabelle foi trancafiada e para ter a certeza de que ela não irá mais incomodar ninguém.

E para cuidar da filha Judy (McKenna Grace), os Warren a deixam sob os cuidados de Mary Allen (Madison Iseman), uma jovem carismática e responsável, que também traz para a mansão a amiga Daniela Rios (Katie Sarife).

Por conta de uma curiosidade de Daniela, sobre uma matéria que sai em jornal sobre a veracidade ou farsa dos trabalhos realizados pelos Warren, referentes a estudos sobre espíritos e até mesmo sessões de exorcismo, a jovem resolve investigar o local onde o casal guarda os mais estranhos objetos.

E acaba por descobrir algo que vai mexer com os rumos da história: Annabelle, mesmo trancada, consegue atrair espíritos e fará despertas a ira de novos demônios, como ‘A Noiva’ e ‘O Barqueiro’, duas figuras horripilantes e que trarão ainda mais combustível e tensão à narrativa. E o alvo principal deles passa a ser justamente Judy, a filha de 10 anos dos Warren.

O roteiro apresenta uma história centralizada nas três personagens femininas. Daniela, Mary Ellen e Judy tem boa parte das ações concentrada na mansão Warren. Os momentos de humor ficam a cargo de Bob (Michael Cimino), balconista de supermercado e crush de Mary Ellen.

Porém, o roteiro derrapa e muito quando concentra toda a dose de bobagem em Daniela. A menina age como uma toupeira, parecendo uma típica cria de Bob Esponja. Mesmo que haja avisos grifados em itálico, cor chamativa, sublinhado e caixa alta, ela decide fazer besteira. E não adianta tentar me convencer de que adolescente é burro e faz merda. Isso não cola mais, além de soar um tanto de exoneramento da responsabilidade de tentar tornar a personagem pelo menos mais agradável.

Cada demônio tem o seu espaço, devidamente bem explorado, todos eles apresentam bons sustos e os jump scares utilizados reforçam o quão eles foram bem encaixados na história, e o recurso não soa repetitivo. Os CGIs e efeitos especiais são de excelente qualidade, e a ambientação utilizada mostra que a franquia segue firme e forte e com possibilidade de ir além.

Mas, mesmo em se tratando de um filme do gênero terror, o humor também ganha espaço, e de uma forma exacerbada. A abordagem sobre bullying e a zombaria das demais crianças com a pequena Judy por conta da profissão dos pais são compreensíveis, mas a presença de piadas chulas sobre namorados e o apelido jocoso dado a Bob acabam por minar um pouco o clima de tensão instaurado, tendo em vista que em boa parte do tempo as pessoas mais riem do que sentem medo ou tomam sustos.

O espectador, nessa sequência, terá mais motivos para se preocupar, pois há mais entidades com as quais ele vai se deparar e se assustar. Além de Annabelle, temos ‘A Noiva’, muito parecida com ‘A Chorona’, tanto na caracterização e na maneira como aparece’, ‘O Barqueiro’, com duas moedas sobre os olhos, e diz a lenda que se você não o pagar, sua alma vai levar. Em cada cômodo da casa, uma criatura, uma nova surpresa e, sem dúvida, nervosismo às alturas, sons altamente estrondosos e muitos objetos destruídos.

As atuações são positivas e todo o elenco se mostra coeso. Vera Farmiga e Patrick Wilson, apesar do pouco tempo em que aparecem, continuam a mostrar um casal forte e imponente e disposto a enfrentar tudo, desde o caos e ameaças dos espíritos em sua casa, como o olhar desconfiado da vizinhança e da imprensa em relação ao ofício que possuem.

O destaque maior fica com a pequena McKenna Grace, ela se mostra segura e desinibida com uma personagem que precisa se mostrar contida em boa parte do tempo e convencer com seus gritos e sustos em um universo sombrio e que se mostra quase que sem saída para ela. Uma grata surpresa da trama.

Annabelle 3 – De Volta Para Casa parece o fechamento de um ciclo iniciado em 2011, porem soa aquém da conclusão e fica devendo, além de ter um desfecho final tão ou mais horroroso quanto o apresentado em A Maldição da Chorona ou mesmo A Freira. Se este universo quer continuar a ter relevância, é necessário que James Wan tome as rédeas do projeto como um todo a fim de não deixar que suas crias maculem a tentativa de fazer um universo de filmes de terror tão rico como o dos Monstros da Universal dos anos 1930.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade.