20
jun
2019
Crítica: “Turma da Mônica – Laços”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

Turma da Mônica: Laços

Daniel Rezende, 2019
Roteiro: Tiago Dottori
Paris Filmes

5

Turma da Mônica. Certamente o quadrinho brasileiro que mais atravessou gerações e que ainda mora nos corações de crianças, jovens e adultos desse país. Quando foi anunciado em 2017 que essa turminha teria uma adaptação com atores reais cuja história é baseada na linha de quadrinhos mais séria, poucos botaram fé.

Eis que, depois de tanto tempo, finalmente estreia o filme inspirado nessa história. Mas será que conquistará o imaginário popular?

É mais um dia comum no bairro do Limoeiro. Como sempre, Cebolinha (Kevin Vecchiato) está com mais um de seus planos infalíveis para roubar o tal mal fadado coelho de pelúcia da Mônica (Giulia Benite).

Evidentemente, que também vemos nessa situação, o amigo para todas as peripécias Cascão (Gabriel Moreira) e a amiga sempre fiel Magali (Laura Rauseo). Nem é preciso dizer que o plano sai elado e os dois correm como desesperados.

Porém, durante a noite, o tão amado cachorro de Cebola, Floquinho é roubado. E agora, todo o bairro está em alerta máximo a procura do bichinho.

O roteiro é maravilhoso. Se você leu o quadrinho, não terá nada do que reclamar. A fidelidade para com a obra dos irmãos Cafaggi é monstruosa. Todos os elementos estabelecidos lá, foram adaptados da melhor maneira possível. Mas claro, mesmo sendo uma adaptação, é inevitável falar que há falhas e algumas situações forçadas. Mesmo assim, o filme é impecável. A aura da turminha conseguiu ser exprimida da melhor maneira possível.

A direção é muito bem feita. A iluminação é bem feita e cada cena parece ter sido diretamente retirada do quadrinho e transposta para a vida real. O grau de fidedignidade é assustador, visto que, no país do futebol. ainda há uma restrição para produção de filmes e mesmo que tenham havido percalços com a criação desse universo. elas conseguiram ser resolvidas da melhor maneira possível.

A direção de fotografia é incrível. Tanto que havia uma certa preocupação sobre como seria a construção do personagem Floquinho. Visto que o mesmo é verde, poderíamos ter visto algo muito artificial em relação a coloração do animal, havendo a possibilidade de colorir o pelo de verde através de tinta. Porém, o mesmo é feito com efeitos visuais e a cor, pode parecer um tanto desbotada, a principio. Mas logo vemos que essa estranheza é quebrada e passasse a aceitar a cor do animal sem grandes problemas.

A atuação é magnética. Parecia impossível achar atores que pudessem representar a alma dessas pessoas que estão há tanto tempo no imaginário popular. Giulia Benite é alma do filme. Sua Mõnica é a representação mais perfeita da personagem mais incrível e a principal do time do Limoeiro. Kevin Vecchiato é o Cebolinha em calne e osso. A representação mais perfeita do careca de cinco fios de cabelos.

Sei que muitos ficarão incomodados pois nosso querido amigo que fala elado não tem apenas cinco fios. Porém, há de convir que seria muito difícil de produzir e mesmo com essa liberdade criativa é algo muito bem feita. E outro aspecto interessante é que Kevin teve aulas para aprender a falar como o personagem. Não apenas soa algo natural, como você fica com a sensação de que ele fala assim.

Gabriel Moreira é o Cascão sem tirar nem por. Espevitado, teme agua mais que sua própria sombra, porém sempre alegre e saltitante. Muitos ficaram falando se o mesmo estaria mais encardido, porém não faz diferença; Se conseguiu comprar os dois primeiros personagens, o Cascão também acaba sendo crível. Laura Rauseo é a perfeita representação da Magali. Sensível, amorosa e comilona. Mesmo não tendo tanto destaque em tela como os outros protagonistas, ainda assim tem seus momentos mais inspirados.

Rodrigo Santoro é o Louco. Completamente da pá virada, o veterano mostra que é a loucura, mesmo que de forma mais lúdica, esculpida em carará. Ele pinta, borda e leva a cena onde aparece ao lado de Kevin. Voltando a turma, a química entre o elenco mirim é magistral. Daniel Rezende conseguiu dar naturalidade ao elenco jovem fazendo com que até o mais inexpressivo dos espectadores aqueça seu coração e delicie com a turminha.

Acha que eu acabei minha crítica por aqui? Achou errado, otário, Sim, mais um bordão do Choque de Cultura roubado com sucesso. Falo isso, pois Leandro Ramos, o Julinho da Van, está com participação especial, assim como o todo poderoso Mauricio de Sousa. Além disso, há vários easter eggs da turma não se resumindo apenas a menção dos personagens.

Turma da Mônica – Laços é a mais perfeita representação de um quadrinho da turminha em versão real que poderia ter sido feita. E agora, que fora confirmado uma sequencia, eu digo por todos: manda mais que tá pouco.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade.